Netanyahu revela ser torcedor da Argentina na Copa do Mundo: 'Milei é um grande amigo de Israel'

Com Israel ausente das Copas do Mundo desde 1970 e diante da pressão internacional por boicotes à sua seleção em razão da guerra na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, nesta quinta-feira, que passou a torcer pela Argentina na reta final do Mundial disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
Segundo o premiê, a escolha está relacionada à proximidade com o presidente argentino, Javier Milei, e não ao craque Lionel Messi. A declaração se soma a outras manifestações de apoio de autoridades israelenses à equipe argentina.
"Eu apoio a Argentina. Você sabe por que?", afirmou o premier durante entrevista ao Mojo Podcast, rejeitando que a preferência tenha relação com Messi. "Eles têm um presidente que é um Chabad Hassid (movimento judaico ortodoxo), ele é uma estrela, fez coisas incríveis com a economia deles [...] e Milei é um amigo de Israel".
Desde que assumiu a Presidência da Argentina, em 2023, Milei realizou três viagens oficiais a Israel. Em uma dessas visitas, em 2025, anunciou a transferência da embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém. A medida repetiu decisões adotadas por outros governos alinhados à direita após a mudança promovida por Donald Trump durante seu mandato, quando os Estados Unidos transferiram sua representação diplomática para a cidade, apesar da reação contrária de dezenas de países.
Em setembro do ano passado, Netanyahu cancelou uma viagem prevista à Argentina sob a justificativa de "razões técnicas". Nos bastidores, porém, havia preocupação com possíveis desgastes políticos e com a resistência de parte de setores locais em receber o premiê, que é alvo de uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional.
A manifestação de apoio à Argentina ocorreu poucos dias depois da partida entre argentinos e egípcios pelas oitavas de final da Copa do Mundo, marcada por forte repercussão política. Em campo, a equipe liderada por Lionel Messi venceu por 3 a 2, após sair de uma desvantagem de dois gols.
Desde o início da competição, a seleção do Egito tem demonstrado apoio público à Palestina. O técnico Hossam Hassan chegou a afirmar que "se há alguém no mundo que não se compadece do povo palestino, então essa pessoa não é humana". Após a eliminação, os egípcios reclamaram da atuação da arbitragem, considerada tendenciosa, e Hassan discutiu com um torcedor localizado no setor destinado à torcida argentina, que exibia uma bandeira de Israel em sua direção.
Também no dia da eliminação egípcia, a conta oficial do governo de Israel em espanhol na rede social X publicou uma mensagem relacionando a vitória da Argentina — e a figura de Messi — ao país.
"Você sabia que o Messi cresceu em Israel? É verdade. A casa onde o Messi passou a infância ficava em Rosário... na Rua Estado de Israel. E, bom... nós também queremos entrar nessa onda!", dizia a publicação, encerrada com um "Vamos Argentina" acompanhado das bandeiras de Israel e da Argentina.
Messi nunca manifestou posicionamentos contundentes sobre o conflito entre israelenses e palestinos em apoio a qualquer um dos lados. O jogador nasceu e foi criado em uma família católica na cidade de Rosário, na Argentina.
Quando será o jogo da Argentina na Copa?
A Argentina garantiu a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo 2026, após vencer o Egito por 3x2 nesta terça-feira, 7.
Agora, a seleção argentina joga contra o vencedor da partida entre Colômbia e Suíça. O jogo das quartas é no próximo sábado, 11, às 22h (no horário de Brasília).
