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InvestMercadosBDR
16/07/2026
5 min

Netflix divulga balanço hoje: o que esperar da gigante do streaming no 2º tri?

Netflix divulga balanço hoje: o que esperar da gigante do streaming no 2º tri?

A Netflix divulga nesta quinta-feira, 16, após o fechamento do pregão, os resultados do segundo trimestre de 2026. O mercado projeta lucro líquido de US$ 3,38 bilhões, ante US$ 3,13 bilhões no mesmo período do ano passado, segundo estimativas compiladas pela FactSet. A receita esperada é de US$ 12,58 bilhões, alta de 13,6% na comparação anual.

O consenso de Wall Street também aponta lucro por ação de US$ 0,79, crescimento de cerca de 10% ante o ano anterior. Os números viriam na esteira de reajustes de preços aplicados pela companhia neste ano em todos os planos de assinatura nos Estados Unidos.

Ações em queda apesar dos fundamentos

O balanço chega em um momento delicado para as ações da Netflix. Os papéis caíram cerca de 31% nos últimos três meses. E acumulam queda de mais de 40% frente à máxima histórica de US$ 133,91, atingida em 30 de junho de 2025 (valor já ajustado ao desdobramento de ações de 10 para 1 realizado em novembro daquele ano). Recentemente, a ação rondou a casa dos US$ 74.

Parte da pressão sobre o papel vem de fatores que já pesavam neste ano. Um deles foi a saída do cofundador Reed Hastings do conselho. Outro foi a tentativa frustrada de comprar a Warner Bros. Discovery, o que  reacendeu dúvidas sobre a estratégia de expansão da companhia, hoje concentrada quase inteiramente em crescimento orgânico, num momento em que o engajamento dá sinais de desaceleração.

Ainda assim, a Netflix segue tecnicamente sólida. Encerrou o primeiro trimestre anterior com mais de US$ 12 bilhões em caixa e US$ 61 bilhões em ativos totais, contra cerca de US$ 30 bilhões em passivos. Apesar da desvalorização, o papel negocia hoje a um múltiplo de aproximadamente 20 vezes o lucro projetado. O patamar fica bem abaixo da mediana histórica de cinco anos, de 35 vezes, e mais próximo da média do setor de radiodifusão e TV.

A disputa pelo tempo de tela

Um ponto tão observado pelo mercado quanto o próprio balanço é o relatório de engajamento da Netflix, documento semestral separado dos resultados financeiros, no qual a companhia detalha horas assistidas por título e por período. Não está confirmado se a próxima edição, com os dados do primeiro semestre de 2026, sai junto do balanço desta quinta-feira ou nos dias seguintes. De qualquer forma, o número deve ser comparado às horas assistidas no primeiro semestre de 2025, quando a administração afirmou que o crescimento seguia em ritmo parecido com o do ano anterior.

O tema ganhou força depois que o jornalista Lucas Shaw, da Bloomberg, cruzou dados públicos de audiência da própria Netflix para comparar o desempenho de segundas temporadas de séries. Segundo o levantamento, a audiência caiu mais de 50% em "Running Point" e "The Four Seasons" e mais de 70% em "Beef", na comparação entre as quatro primeiras semanas de cada nova temporada e as quatro primeiras semanas da temporada anterior.

Soma-se a isso a expectativa de alta de cerca de 10% nos custos de amortização de conteúdo em 2026, segundo guidance da própria companhia.

Amortização de conteúdo é o valor que a Netflix reconhece como despesa, ao longo do tempo, referente aos gastos com produção de filmes e séries. Ele se concentra no primeiro semestre do ano, o que pressiona a rentabilidade justo no período em que a audiência mostra sinais de fraqueza.

A publicidade como resposta

Para compensar a perda de espaço para o YouTube, a Netflix tem investido em conteúdo mais barato e de curta duração. A companhia fechou parcerias com criadores e com marcas como Condé Nast, Hearst e People Inc. para produzir clipes e vídeos curtos. Mais horas assistidas significam mais espaço para veicular anúncios.

A meta declarada é dobrar a receita publicitária neste ano, para cerca de US$ 3 bilhões. No Upfront de maio, evento anual em que empresas de mídia apresentam sua programação e seu inventário publicitário a anunciantes e agências, a Netflix informou que planos com anúncios já alcançam mais de 250 milhões de espectadores ativos mensais globalmente, ante 190 milhões poucos meses antes.

A analista Alicia Reese, da Wedbush, avalia que a evolução da segmentação de anúncios e o maior poder de precificação em torno de eventos esportivos ao vivo devem sustentar essa meta.

O que dizem os analistas

O mercado está dividido. O Morgan Stanley soa mais cauteloso, citando gastos mais altos, expansão de margem abaixo da média histórica e dúvidas sobre o posicionamento da Netflix diante do avanço da inteligência artificial.

Já o Oppenheimer defende que as preocupações com audiência estão exageradas. O banco aponta uma grade de lançamentos mais forte para o segundo semestre: 104 estreias, ante 95 no mesmo intervalo do ano anterior, e 30 novas temporadas de títulos já consagrados, ante 24 no ano passado.

O BofA Securities também vê espaço para recuperação. O banco lembra que a Netflix já passou por ciclos de ceticismo parecidos, como em 2022, quando o fim do compartilhamento de senha e o lançamento do plano com anúncios reverteram a desaceleração de assinantes.

O que observar no resultado

Três pontos devem nortear a reação do mercado ao balanço. O primeiro é o comportamento das horas totais assistidas no relatório de engajamento. O segundo é qualquer sinalização sobre a meta de US$ 3 bilhões em receita publicitária. O terceiro são os comentários da administração sobre novos formatos de distribuição.

Nesse último ponto, o Wall Street Journal noticiou que a Netflix avalia lançar canais ao vivo. O jornal também apontou negociações para parcerias de pacotes com outros serviços de streaming, incluindo o Peacock, da NBC. A empresa não confirmou as informações. Por enquanto.

*com agências internacionais

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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