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InvestMercadosBDR
30/06/2026
4 min

Nike supera expectativas no trimestre, mas China decepciona e ações caem

Nike supera expectativas no trimestre, mas China decepciona e ações caem

A Nike divulgou nesta terça-feira, 30, os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026. O balanço trouxe um retrato ambíguo da maior fabricante de artigos esportivos do mundo. Os números superaram as expectativas de Wall Street, mas não foram suficientes para animar os investidores. As ações chegaram a cair cerca de 4% no after-hours e acumulavam baixa de 1% no pregão regular.

A receita recuou 1% na comparação anual, para US$ 10,97 bilhões, mas ficou acima da estimativa média de analistas compilada pela LSEG, de US$ 10,86 bilhões. O lucro por ação ajustado foi de US$ 0,20, também superando o consenso, de US$ 0,13. O resultado reportado, de US$ 0,72 por ação, inclui um benefício de US$ 0,52 relacionado à recuperação esperada de tarifas de importação. É um impacto que distorce a leitura do desempenho operacional.

China segue como calcanhar de aquiles

A maior fonte de preocupação continua sendo a China, onde as vendas recuaram 12% no trimestre. Em moeda constante, a queda foi ainda mais pronunciada: 17%, comparada a uma retração de 10% no trimestre anterior. A empresa havia projetado, em março, um declínio de 20% — o que significa que o resultado veio melhor do que o esperado internamente, ainda que o cenário estrutural permaneça deteriorado.

A Grande China responde por cerca de 15% das vendas anuais da companhia e é seu terceiro maior mercado, atrás apenas da América do Norte e da região EMEA (Europa, Oriente Médio e África). A combinação de um portfólio de produtos menos competitivos com a perda de participação de mercado para marcas locais como Anta e Li Ning tem pesado sobre os resultados na região há vários trimestres.

Na contramão da China, a América do Norte voltou a ser o destaque positivo. As vendas cresceram 3% na região, puxando a receita no atacado para cima em 4% no consolidado. O canal direto ao consumidor (Nike Direct), porém, recuou 7% — ou 9% em moeda constante. A marca Converse também decepcionou, com queda de cerca de um terço nas vendas.

Plano de turnaround sob pressão

O CEO Elliott Hill, que assumiu o comando da Nike em outubro de 2024, tem conduzido um plano de reestruturação centrado em reconectar a marca a esportes-chave como corrida e futebol, além de reconstruir os laços com varejistas no atacado. São canais que haviam sido cortados sob a gestão anterior, de John Donahoe, em uma aposta mal-sucedida no modelo direto ao consumidor. Hill disse, no balanço, estar "encorajado pelo progresso nos produtos de performance", mas reconheceu os ventos contrários nas receitas.

Para analistas ouvidos pela revista Barron's, o desempenho recente sugere que a virada ainda não está consolidada: o crescimento dos lucros estagnou e as vendas ficaram praticamente flat nos últimos três trimestres. O veículo destacou ainda que o KeyBanc Capital Markets rebaixou o papel recentemente, sinalizando que não espera avanços relevantes até que a empresa apresente detalhes mais concretos sobre o plano de reestruturação.

A estratégia de Hill enfrenta ceticismo no mercado justamente pelo ritmo lento da recuperação. O Goldman Sachs e o JPMorgan já cortaram recomendações nos últimos meses, citando ajustes de portfólio e estoques ainda em andamento, especialmente na China e na Europa.

A companhia também anunciou recentemente a contratação de David Denton, atual CFO da Pfizer, para assumir o mesmo cargo na Nike a partir de 17 de agosto, sucedendo Matthew Friend.

Copa do Mundo e tarifas no radar

Contra o pano de fundo de quedas persistentes nas vendas, a Nike investiu pesado em marketing às vésperas da Copa do Mundo para ganhar visibilidade e competir com rivais como a Adidas. Analistas, porém, são céticos: para o RBC Capital Markets, o torneio por si só não resolve os desafios estruturais da marca.

No front tarifário, a Nike registrou um benefício de US$ 986 milhões relacionado a reembolsos de tarifas nos três meses encerrados em maio. A companhia havia estimado, em outubro, que as tarifas custariam cerca de US$ 1,5 bilhão. A empresa chegou a elevar preços no ano passado para compensar esses custos, e em maio consumidores ajuizaram ação contra a companhia por não devolver os reajustes tarifários, segundo a Reuters.

O papel NKE acumula desvalorização de mais de 35% desde o início de 2026 e de cerca de 75% nos últimos cinco anos. A queda prolongada colocou a ação em risco de ser removida do índice Dow Jones Industrial Average.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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