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Sacre Investimentos
Economia
03/08/2026
4 min

No Brasil, o aumento da produtividade levou ao aumento da renda, diz relatório

Documento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destaca Brasil e Bolívia como casos excepcionais onde o crescimento da produtividade foi acompanhado pela renda real dos trabalhadores

No Brasil, o aumento da produtividade levou ao aumento da renda, diz relatório

O crescimento da produtividade dos trabalhadores brasileiros foi acompanhado por um aumento da renda ao longo das últimas duas décadas, um movimento que não se repetiu em boa parte da América Latina. A conclusão é de um novo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)divulgado nesta segunda-feira, 3.

O documento compara a evolução dos mercados de trabalho da região entre 2000 e 2024. Para o Banco, o Brasil integra um grupo reduzido de países em que o aumento da produção por trabalhador foi acompanhado por ganhos reais de renda.

O banco cita opaís vizinho Bolívia como exemplo de economias em que produtividade e salários avançaram de forma conjunta.

O destaque é importante porque, em diversas economias latino-americanas, o crescimento da produtividade não se transformou em melhoria equivalente do poder de compra dos trabalhadores.

Embora o relatório destaque que nenhum país da região tenha solucionado os problemas estruturais do mercado de trabalho, o Brasil aparece como um dos poucos casos em que os ganhos econômicos chegaram de maneira mais consistente aos trabalhadores.

Formalização cresceu 15 pontos percentuais no Brasil

O Brasil  também aparece como o 4º país com maior proporção de trabalhadores formais da América Latina no documento do BID. Em 2024, 65% dos trabalhadores brasileiros estavam empregados em ocupações formais, percentual superior à média regional de 46%.

O resultado coloca o país atrás apenas de Uruguai (79%), Costa Rica (76%) e Chile (72%), consolidando o Brasil entre os mercados de trabalho mais formalizados da região.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que a América Latina continua marcada por elevados níveis de informalidade. Em diversos países, menos de um terço da força de trabalho possui vínculo formal, como ocorre em Peru (21%), Bolívia (22%), Paraguai (26%) e Equador (28%).

Além da posição de destaque no ranking regional, o Brasil também registrou uma das maiores evoluções entre os países analisados. Em 2004, cerca de 50% dos trabalhadores brasileiros ocupavam empregos formais. Em vinte anos, esse percentual subiu para 65%, avanço de 15 pontos percentuais.

Apesar disso, outros países tenham apresentado crescimentos ainda maiores, como República Dominicana, que passou de 27% para 45%, e Colômbia, de 29% para 46%. Já o Brasil, devido sobretudo às políticas trabalhistas do meio do século XX, partia de uma base muito superior à média latino-americana.

Segundo o BID, esse avanço ocorreu em um contexto de expansão gradual do emprego formal em praticamente toda a região, impulsionado pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho e pela ampliação da cobertura da seguridade social.

Relatório mostra que produtividade, sozinha, não basta

O BID ressalta que o aumento da produtividade é condição necessária para elevar os salários, mas não suficiente. Para que o padrão de vida melhore, os ganhos econômicos precisam chegar aos trabalhadores na forma de remuneração mais alta.

O relatório usa justamente a comparação entre países para demonstrar esse fenômeno.

Enquanto Brasil e Bolívia registraram crescimento simultâneo da produtividade e da renda do trabalho entre 2000 e 2024, países como Panamá e República Dominicana apresentaram forte expansão do PIB por trabalhador, mas pouca evolução na renda real dos trabalhadores.

Segundo o banco, isso demonstra que ganhos de produtividade não são automaticamente distribuídos na economia.

"Os ganhos de produtividade só elevam o nível de vida quando chegam aos trabalhadores mediante melhores salários", afirma o relatório.

Mesmo com avanços, produtividade segue baixa

Apesar do desempenho relativamente melhor do Brasil nesse aspecto, o BID afirma que o principal desafio continua sendo o baixo nível de produtividade da América Latina como um todo.

A produtividade da região permanece praticamente estagnada há décadas e corresponde atualmente a cerca de 26% da produtividade dos Estados Unidos. Na prática, isso significa que quase quatro trabalhadores latino-americanos produzem o equivalente a um trabalhador americano.

Segundo o banco, esse cenário limita a capacidade de crescimento econômico, reduz a geração de empregos de qualidade e dificulta aumentos sustentáveis da renda.

Mercado de trabalho mudou pouco nas últimas décadas

O relatório observa que as condições do mercado de trabalho latino-americano melhoraram lentamente nos últimos 30 anos, mas a maior parte desses avanços perdeu força a partir da metade da década de 2010.

Nesse período, a renda real média dos trabalhadores da região cresceu apenas 18%, aproximadamente metade do ritmo observado nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ao mesmo tempo, 46% dos trabalhadores latino-americanos continuam empregados como autônomos ou em microempresas, segmentos associados à baixa produtividade.

Além disso, apenas cerca de 28% dos trabalhadores possuem o que o BID classifica como um emprego "padrão": vínculo assalariado em empresa privada com cobertura da seguridade social.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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