No encontro do G7, Claude e ChatGPT entram na mesa dos líderes

Os principais líderes da inteligência artificial mundial chegaram ao G7. Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Arthur Mensch, da Mistral, participaram nesta quarta-feira, 17, de um almoço de trabalho com chefes de Estado em Evian-les-Bains, na França.
É a primeira vez que os responsáveis pelos maiores laboratórios de IA do mundo se sentam formalmente à mesa dos líderes das principais economias para discutir infraestrutura, segurança, regulação e os riscos estratégicos da tecnologia.
O encontro marca um novo estágio na ascensão política da inteligência artificial. Se até poucos anos atrás os debates sobre IA estavam concentrados em empresas e centros de pesquisa, agora os executivos que controlam os modelos mais avançados do mundo passaram a ocupar espaço nas discussões sobre segurança nacional, competitividade econômica e soberania tecnológica.
Cerca de uma dezena de outros executivos de tecnologia também participa do encontro, segundo a CNBC e a Reuters.
A lista inclui Aidan Gomez, da Cohere; Robin Rombach, da Black Forest Labs; Pratyush Kumar, da Sarvam AI; Victor Riparbelli, da Synthesia; Alex Wang, da Meta; Marc Benioff, da Salesforce; e Ren Ito, da Sakana AI.
O que está na mesa?
A pauta inclui infraestrutura de IA, redes e questões regulatórias, segundo o briefing do Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês Emmanuel Macron.
Riscos de fronteira em inteligência artificial, especialmente nos domínios cibernéticos e biológicos, também estão entre os temas, segundo Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, à CNBC.
A proteção de menores online é outro ponto central da agenda. O tema é descrito como prioridade pessoal deSam Altman, que participa pela primeira vez do encontro anual do G7 a convite pessoal de Macron.
A discussão ocorre em meio ao avanço do debate sobre "IA soberana" na Europa. A dependência de provedores americanos passou a ser tratada por governos europeus como um risco estratégico, especialmente diante de restrições recentes impostas pelos Estados Unidos a modelos avançados de IA.
O pano de fundo: a crise entre Anthropic e a Casa Branca
A presença de Amodei ganhou peso adicional após uma escalada de tensão entre a Anthropic e o governo americano. O governo dos Estados Unidos ordenou que a Anthropic suspendesse o acesso de cidadãos estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5, citando motivos de segurança nacional.
A diretriz afetou inclusive funcionários estrangeiros da própria empresa. Segundo o Wall Street Journal, a decisão veio depois de uma ligação entre autoridades americanas e o Amodei, que teria reforçado a desconfiança do governo Trump em relação à gestão de riscos da companhia.
Na semana passada, funcionários técnicos da Anthropic foram a Washington para tentar reverter o bloqueio e recompor a relação com a Casa Branca antes da cúpula do G7.
O Wall Street Journal também relatou que a Amazon, uma das principais investidoras da Anthropic, influenciou a decisão do governo sobre a forma como a restrição seria aplicada.
O episódio fortaleceu os pedidos por "IA soberana" na Europa. Para líderes europeus, a possibilidade de restrições americanas afetarem o acesso a modelos avançados reforça a pressão por infraestrutura própria, fornecedores locais e menor dependência de empresas dos Estados Unidos.
O peso simbólico da presença
A presença simultânea dos principais CEOs de IA numa cúpula do G7 é descrita por analistas como um sinal da nova distribuição de poder em torno da tecnologia. Laboratórios privados passaram a controlar sistemas com impacto direto sobre segurança, economia, educação, trabalho e defesa.
Macron tem perseguido uma estratégia ativa de aproximação com líderes globais de tecnologia, com o objetivo de posicionar a França como um polo de IA.
Uma das iniciativas envolveu Masayoshi Son, fundador do SoftBank, convencido a estabelecer operações de data center no país, em um compromisso de investimento de 45 bilhões de euros pela empresa japonesa.
A presença dos executivos também ocorre em um momento em que CEOs de tecnologia deixaram de ser exceção em fóruns multilaterais.
Em Davos, a participação de líderes do setor já havia mostrado como disputas tecnológicas passaram a ocupar o centro das discussões globais.
Além da inteligência artificial, a agenda desta edição do G7 inclui os conflitos militares na Ucrânia e no Irã, segundo relatos da imprensa internacional.
