Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
10/08/2026
8 min

No interior de SP, o 4º maior parque aquático do mundo fatura R$ 260 milhões e terá toboágua gigante

Termas dos Laranjais espera voltar a superar 2 milhões de visitantes por ano e já planeja a próxima fase de expansão, com novo parque, roda-gigante e hotel

No interior de SP, o 4º maior parque aquático do mundo fatura R$ 260 milhões e terá toboágua gigante

Nada menos que R$ 61 milhões foram investidos na construção de um complexo gigante de toboáguas no interior de São Paulo.

Com 33 metros de altura, o equivalente a um prédio de 11 andares, o Nações levou quatro anos para ser erguido, e envolveu trabalhos numa área de 20 mil metros quadrados. A previsão é que atração abra em outubro, perto do Dia das Crianças, e conte com duas grandes descidas, batizadas de Brasil e Itália.

Essa é hoje a maior aposta do Termas dos Laranjais, um dos cinco parques aquáticos mais visitados do mundo.

E ele não fica na Flórida nem em outro grande destino internacional. Fica em Olímpia, no interior de São Paulo, a 430 quilômetros da Capital.

O investimento chega em um momento importante para o negócio. O Termas terminou 2024 com 1,85 milhão de visitantes, resultado que colocou o parque na quarta posição entre os parques aquáticos mais visitados do mundo naquele ano. Agora, dois anos depois, a administração espera voltar a romper a barreira dos 2 milhões de visitantes anuais.

“Eu acredito que agora, com a inauguração do Nações, a gente consiga um aumento de 5%. Cinco por cento para nós são 100 mil pessoas. Então é bem expressivo”, afirma Jorge Noronha, presidente do Termas dos Laranjais.

Segundo ele, o parque já recebeu 1 milhão de visitantes em 2026.

O faturamento também cresceu. Areceita anual saiu da faixa de 240 milhões de reais no ano passado para cerca de 260 milhões de reais, segundo Noronha.

Hotel Wyndham Olímpia Royal Hotels em Olímpia, interior de São Paulo

Termas dos Laranjais: quarto maior parque aquático do mundo (Wyndham Olímpia Royal Hotels/Divulgação)

E, enquanto termina o Nações, o Termas já trabalha nos projetos seguintes. Há uma montanha-russa aquática infantil em construção, outro brinquedo em estudo e planos para ocupar uma nova área com roda-gigante, outro parque e, mais adiante, um hotel próprio.

Como será o complexo de R$ 61 milhões

O Nações foi desenhado para reunir diferentes experiências de toboágua em uma mesma estrutura. O complexo é dividido entre as descidas Brasil e Itália e foi desenvolvido com a WhiteWater West, empresa canadense especializada em atrações aquáticas.

Na descida Brasil, uma das experiências é o Orbiter, atração na qual a boia ganha altura e retorna durante o percurso, como uma montanha-russa. Segundo Noronha, há poucas instalações desse tipo no mundo. O trajeto também reúne outras experiências até chegar ao Anaconda, atração de grande diâmetro.

A descida Itália segue a mesma lógica de combinar atrações. O percurso inclui experiências como Tailspin, Mega Drop e Galaxy Bowl. Em vez de descer por um único tubo do início ao fim, o visitante passa por diferentes movimentos durante o trajeto.

A escala também aparece fora dos toboáguas. Noronha afirma que cerca de 20.000 metros quadrados estão sendo urbanizados ao redor do Nações. O complexo tem 33 metros de altura e exigiu quatro anos de trabalho.

O orçamento inicial era de 60 milhões de reais. No levantamento mais recente feito pelo parque, o valor havia chegado a 61 milhões de reais.

Complexo Nações, um dos maiores do mundo (Thermas dos Laranjais/Divulgação)

Boa parte da montagem foi feita pela própria equipe do Termas, com acompanhamento técnico da fornecedora canadense. Agora, antes de colocar a atração em operação, o parque aguarda a chegada da equipe estrangeira para fazer a avaliação e liberação do equipamento.

“Foi um desafio muito grande para nós porque foi feito tudo com mão de obra nossa, com o acompanhamento do técnico deles”, afirma Noronha.

A obra também serviu para testar mudanças menos visíveis ao visitante. Segundo Noronha, o parque investiu na automação das casas de máquinas e em sistemas de segurança. A ideia é levar parte das soluções adotadas no Nações para outras atrações do Termas.

Por que o Termas precisa continuar investindo

Construir umcomplexo de 61 milhões de reais não encerra o ciclo de investimentos. Pelo contrário. Para Noronha, colocar atrações novas em operação virou parte da disputa para manter o Termas entre os parques aquáticos mais visitados do mundo.

“O Termas não vai parar. Não podemos parar. A gente tem que estar sempre fortalecendo a nossa presença no mercado. Abriram muitos parques aquáticos e nós temos que continuar correndo”, afirma.

A conta fica mais clara olhando para o público. O Termas recebeu 1,85 milhão de visitantes em 2024. Para 2026, Noronha trabalha novamente com a casa dos 2 milhões e acredita que o Nações pode acrescentar cerca de 5% ao fluxo esperado.

Se fizer isso, Termas tem tudo para voltar a ser o segundo parque aquático mais visitado do mundo.

A receita também ganhou 20 milhões de reais. Na época, Noronha apontava faturamento anual de 240 milhões de reais. Agora, diz que o número está na faixa de 260 milhões de reais. O parque mantém a política de financiar seus projetos com o próprio caixa. “O Termas dos Laranjais nunca pegou um empréstimo. Tudo que a gente fez foi com dinheiro em caixa”, afirma.

Ao mesmo tempo, a empresa tenta encontrar novas fontes de receita sem depender apenas da bilheteria. Há mais de 30 bares dentro do parque, a maioria operada por terceiros, que repassam parte da receita ao Termas. Outros estabelecimentos passaram a ser operados pelo próprio parque. Há ainda publicidade em espaços como o estacionamento e planos para ampliar a venda de produtos da marca.

Uma das ideias em estudo é transformar as próprias atrações em instrumento de consumo. Noronha cita a possibilidade de criar um álbum de figurinhas do Termas, no qual o visitante receberia itens conforme passasse pelos brinquedos.

O parque também trabalha na criação de uma loja com produtos relacionados às atrações e aos personagens da marca.

Há limites nessa busca por receita. O estacionamento, com 1.500 vagas, continua gratuito. As boias usadas nas atrações também não são cobradas e são fabricadas pelo próprio Termas. O ingresso dá acesso aos brinquedos do parque.

Os armários, por outro lado, passaram a ser cobrados depois que, segundo Noronha, a oferta gratuita gerava concentração de unidades nas mãos de alguns grupos e deixava outros visitantes sem espaço.

Uma montanha-russa aquática para crianças

Enquanto o Nações se aproxima da abertura, outra obra avança dentro do parque. O Termas está construindo no complexo PlayKids uma versão infantil de sua Montanha-Russa Aquática.

A nova atração terá cerca de 4,5 metros de altura no ponto de partida e foi desenhada para reproduzir, em menor escala, curvas, subidas e descidas da experiência voltada ao público geral.

A propulsão será feita por meio da tecnologia Master Blaster, que utiliza jatos de água para impulsionar as boias.

Segundo o parque, a fundação da atração já foi concluída, as peças de fibra chegaram a Olímpia e a estrutura metálica está na fase final de execução. O projeto também prevê rampa de acesso e outros recursos voltados à acessibilidade.

A decisão de criar uma versão infantil também amplia o público que pode utilizar uma das atrações mais procuradas do parque.

A nova atração também terá impacto na equipe. O Termas conta atualmente com cerca de 580 funcionários diretos, segundo Noronha. A expectativa é chegar a aproximadamente 600 com o Nações e a montanha-russa infantil, principalmente pela necessidade de mais pessoas envolvidas na operação e segurança dos brinquedos.

“Você está tratando de um brinquedo para criança, então aumenta a quantidade de funcionários para se cercar de que vai ocorrer tudo bem”, afirma Noronha.

Qual é o plano de expansão

O ritmo de construção esbarra em uma questão física. Depois de décadas adicionando atrações, Noronha afirma que a área atual do Termas dos Laranjais está chegando ao fim de sua capacidade de expansão.

Ainda há espaço para pelo menos mais um projeto. Um novo brinquedo está em estudo desde 2025 e deve avançar após a IAAPA Expo, feira do setor realizada em Orlando, nos Estados Unidos, onde a equipe pretende discutir o projeto e os custos com fornecedores.

Depois disso, parte do crescimento deve migrar para outra área. E o primeiro equipamento previsto para o terreno não será um toboágua.

O Termas negocia uma roda-gigante de 85 metros de altura e 36 cabines, que serão tematizadas no formato de laranjas.

Segundo Noronha, o preço e o local de instalação já foram definidos. A ideia é que a atração opere principalmente à noite, depois do fechamento do parque aquático, e funcione como uma espécie de mirante para o complexo.

“Ela vai ser o início do outro parque”, afirma Noronha.

Há ainda outra fronteira na expansão: hospedagem. Olímpia construiu nos últimos anos uma oferta de hotéis e multipropriedades ao redor de seus parques. Historicamente, o Termas preferiu incentivar a chegada de parceiros do setor em vez de operar um empreendimento próprio.

Isso pode mudar no novo terreno. Noronha afirma que uma área já foi reservada para um futuro hotel ligado ao Termas dos Laranjais. Mas esse projeto está em uma etapa bem anterior à da roda-gigante.

“O sonho de ter o hotel do Termas já está. O projeto, eu posso dizer, está rabiscado. Falta o start”, afirma.

A estratégia é avançar uma obra de cada vez, diz Noronha. A roda-gigante deve iniciar a ocupação da nova área, enquanto a empresa conclui o Nações e trabalha no próximo brinquedo do parque atual.

Quase quatro décadas depois da inauguração do Termas dos Laranjais, portanto, a expansão começa a encontrar uma barreira que nenhum toboágua consegue contornar: o tamanho do terreno.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
Distribuído por