No Itaú, Pix Automático ganha espaço do débito em conta e cresce 281% em meio ano
Banco afirma que 90% das cobranças recorrentes feitas pela ferramenta são efetivamente pagas

O Itaú Unibanco abriu pela primeira vez o desempenho do seu Pix Automático. O volume financeiro processado pela ferramenta cresceu 281% no primeiro semestre de 2026 na comparação com o segundo semestre de 2025, enquanto a base de clientes que autorizaram a recorrência avançou 185% no mesmo período. Os números absolutos não foram abertos. Mas afirma que a modalidade já está se mostrado mais eficiente que sua antecessora, o débito automático.
Nas recorrências processadas pelo banco via Pix Automático, 90% das cobranças foram de fato liquidadas. Isso implica em 22 pontos percentuais acima do modelo anterior. "Essa talvez seja a principal notícia e ganho de valor tangível aqui", afirma Angelo Russomanno, diretor de recebimentos e adquirência do Itaú Unibanco.
Lançado pelo Banco Central em junho de 2025, o Pix Automático é uma modalidade construída sobre a infraestrutura do pix para atender pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas e contas de consumo. Em vez de o pagador iniciar cada transferência, é a empresa recebedora que usa a rede do pix para enviar as cobranças, com uma camada adicional que as torna recorrentes depois de uma autorização única do cliente.
Russomanno resume a diferença central em relação ao modelo anterior:
"É uma infraestrutura democrática e abrangente que pode ser acessada por qualquer porte de empresa e debitar de clientes de qualquer instituição financeira", diz Russomanno.
No débito automático, cada empresa precisa firmar convênio e desenvolver uma integração sistêmica com cada banco, uma a uma, com layouts e jornadas diferentes em cada instituição. "A empresa não consegue fazer isso com centenas de instituições", afirma o diretor. O cliente que mantém conta em um banco sem esse convênio fica de fora.
"O débito automático existe há muitos anos, ele funciona bem, mas é um produto muito restrito a grandes empresas. Você não vê uma academia de 200 alunos com débito automático."
O Itaú não descontinuou o débito automático, que segue em operação para os clientes que já o utilizam. O banco afirma, porém, que não registra demanda por novos cadastros na modalidade. Alguns clientes já migraram integralmente para o Pix Automático depois de um primeiro test drive.
O que as empresas ganham com o Pix Automático
Para as empresas, o principal ganho está na adimplência. O débito em conta já registrava efetividade maior que a dos pagamentos avulsos, e o Pix Automático avança sobre esse patamar. Somam-se a isso a previsibilidade de fluxo de caixa, o menor esforço operacional e uma tela única de gestão que consolida todas as cobranças, em todos os bancos, por status. "Esse padrão não existia no débito automático. Cada banco era de um jeito."
Para o consumidor final, o benefício é conveniência, afirma o diretor do Itaú. Ele pode escolher em qual banco será debitado, define um valor máximo por contrato e acompanha cada etapa da cobrança por meio de avisos padronizados, que incluem lembrete de vencimento, alerta de saldo insuficiente e aviso quando o valor ultrapassa o limite autorizado. Se não houver saldo nem limite disponível, o débito simplesmente não ocorre. "Não tem dinheiro, não tem limite, não paga", resume o executivo.
O cancelamento é apontado como outra praticidade. "Eu posso cancelar com dois cliques", diz Russomanno. A padronização decorre do manual de experiência do Banco Central, que não só define regras como determina como cada uma deve ser implementada, obrigando todos os bancos a manter o botão de cancelamento visível. O efeito dessa transparência aparece nos dados de atendimento. Entre as empresas que adotaram a jornada completa de comunicação, o Itaú registra redução de mais de 50% nas ligações de dúvida à central, e a taxa de adesão entre os pagadores que recebem o convite para usar o Pix Automático varia de 70% a 80%.
Apesar do avanço, o executivo evita decretar o fim do débito em conta. "Tem espaço para todos os produtos de pagamentos. A gente quer deixar o cliente escolher."
