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PolíticaMPOL
11/09/2026
9 min

No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal, faço ajuste na prática, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10), em entrevista ao SBT News, que, em seu governo, “não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal” e que os ajustes são feitos “na prática”. Lula defendeu que seus três mandatos, em especial os dois primeiros, são demonstração de que ele tem responsabilidade […]

No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal, faço ajuste na prática, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10), em entrevista ao SBT News, que, em seu governo, “não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal” e que os ajustes são feitos “na prática”. Lula defendeu que seus três mandatos, em especial os dois primeiros, são demonstração de que ele tem responsabilidade fiscal.

“No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal. Ajuste fiscal eu faço na prática, são 12 anos de responsabilidade fiscal. O governo que herdei não só tinha 2,8% do PIB de déficit como não tinha orçamento”, declarou, ao ser questionado sobre a dívida pública brasileira.

Lula reclamou da elite financeira do País, representada comumente como Faria Lima por causa da avenida na capital paulista. Disse que, ao falar sobre aumento da dívida pública nos últimos anos, “a Faria Lima só chora, ela não conhece a palavra social, não conhece a palavra inclusão”.

“Nesse País, não tem político nem banqueiro que tenha coragem ou autoridade de discutir responsabilidade fiscal comigo”, afirmou o presidente da República.

Lula defendeu o aumento do salário mínimo como uma das principais políticas públicas de seu governo. Disse que provou que “aumentar o salário mínimo não causa inflação nesse País, causa poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador”.

“Enquanto eu for presidente, salário mínimo vai ter inflação e mais crescimento do PIB. Todos os trabalhadores, e aposentados, que já trabalharam muito, têm o direito de receber”, declarou.

Bets: Lula vai tomar decisão

Na entrevista, Lula afirmou que vai tomar uma decisão sobre o funcionamento das bets com base no que ouviu de especialistas na área em reunião no Palácio do Planalto. O presidente, porém, se negou a dizer qual será a medida.

“Ouvi a sociedade, anotamos tudo que eles falaram, já mapeamos e sistematizamos tudo. Agora, vou tomar uma decisão baseada naquilo que eu vi”, disse o presidente.

No início deste mês, Lula se reuniu com entidades da sociedade civil para discutir as bets. Na ocasião, ele afirmou que, pessoalmente, é favorável à proibição da atividade no Brasil. “Então, eu acho que nós temos que tomar uma decisão mais drástica. Porque nós não temos sequer inflação de demanda”, afirmou o presidente.

Na ocasião, o presidente voltou a dizer que muitas das empresas não possuem sede no Brasil e não pagam impostos. Mesmo com a tributação, o presidente disse que o método só funciona quando o lucro de uma atividade danosa é reduzido, mas não quando se “legaliza bandidagem”.

“Muitas vezes nós, quando pensamos como Estado, fala que vamos cobrar imposto, achando que a gente vai dificultar. O imposto só dificulta quando ele atrapalha o lucro, mas quando ele é a decisão de legalizar a bandidagem, ele (empresa de bets) paga sem problema”, declarou o presidente.

Caso Banco Master

Lula também afirmou que disse ao banqueiro Daniel Vorcaro, durante o encontro que teve com ele em dezembro de 2024, que o Banco Master seria investigado com seriedade e que a entidade foi fechada por atuação do governo dele.

“O Daniel Vorcaro veio conversar comigo, dizendo que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse para ele que o Banco Master seria analisado como qualquer banco. Ou seja, ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto, se não nós fechamos. Foi o que aconteceu, ele não estava correto, o banco foi fechado e ele foi preso”, declarou Lula.

Durante a entrevista ao SBT News, Lula voltou a dizer que Vorcaro foi preso e o Master fechado durante a gestão dele.

“É importante a gente deixar claro para a opinião pública. O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro. O Vorcaro foi preso no meu governo e o banco foi fechado no meu governo”, declarou Lula.

Pesquisas não abalam

O presidente afirmou que não se sente abalado com as mais recentes pesquisas de intenção de voto, que mostram a aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da liderança. Em alguns levantamentos, Flávio figura numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno.

“Pesquisa não me abala não, é um reflexo para a gente saber o que fazer dali para frente. Como tem muita pesquisa, tem que saber qual você avalia. Se eu for ficar em cima de pesquisa analisando, não vou fazer campanha”, afirmou, de forma bem humorada.

O presidente afirmou que, em um eventual quarto mandato, dará prioridade à educação. Falou que os principais avanços na educação, da construção de universidades e institutos federais ao acesso às camadas mais pobres da população ao ensino superior, foram em gestões petistas – nas suas e nas de Dilma Rousseff (PT). Também repetiu seu mantra de que gastos em educação são investimento.

“Para mim, investimento em educação é investimento, gasto é em cadeia. Eu vou ser o responsável por tirar esse País do esquecimento educacional ao qual foi submetido”, declarou.

“Quero que o filho do trabalhador tenha a mesma oportunidade que o filho do rico. Sei tem que gente que acha que sou um babaca por colocar pobre para estudar, mas tem que estudar para melhorar de vida. A questão da educação é prioridade minha, vou fazer um plano de investimento em educação. Primeiro vamos cumprir o plano nacional aprovado pelo Congresso Nacional. Quero colocar todos os meninos em escolas de tempo integral, não apenas para melhorar a qualidade da educação, mas para dar tranquilidade ao pai e à mãe, e quero fazer isso também no ensino médio”, afirmou.

Lula também disse que o Congresso deve votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública logo após a eleição. Afirmou que pretende transformar 138 presídios em presídios de segurança máxima e fazer mais investimentos na Polícia Federal e na Polícia Rodoviária Federal.

“Quero criar uma guarda nacional com muita competência, investir mais na Polícia Federal e na inteligência e mais na Polícia Rodoviária Federal. Tudo isso para combater o crime organizado da esquina ao andar de cima. Nós descobrimos que o crime organizado comanda o crime de 138 cadeias. Vamos transformar essas 138 cadeias em prisão de segurança máxima”, disse.

Crise no STF

Na entrevista, Lula disse que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser punidos, caso as investigações comprovem vínculos espúrios com o caso das fraudes bilionárias do Banco Master.

“Ainda falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar; se o (André) Mendonça, ele tem que pagar. Se o (Edson) Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição de cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo, e que a verdade seja soberana”, disse Lula.

Sem citar o nome de Mendonça, Lula disse que um juiz não pode ficar “sentado em cima de um processo” e fazer “vazamentos seletivos”. Mendonça é criticado por governistas por avançar no processo contra Moraes e não no que envolve o filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que tem o senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, como personagem central de um financiamento bilionário feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

“O que não pode é um juiz ficar sentado em cima de um processo e ficar vazando coisas que interessam para ele, porque, aí sim, pode prejudicar o processo eleitoral. Então, ao invés de vazamento seletivo, de interesse de A ou B, que abra-se a janela e deixe a democracia passar”, declarou.

Ao mesmo tempo em que disse que o governo não tem envolvimento com a crise instalada no STF, Lula elogiou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, por ter retirado a relatoria de Mendonça, Moraes e Flávio Dino em processos que são temas de conflitos. Lula disse que conversou com Fachin na esperança de obter mais credibilidade para o tribunal e que espera que o magistrado “faça mais coisas”.

“Acho que o Fachin agiu corretamente ontem. Ele vai ter que pegar esse processo, trazer para ele, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração. Apure tudo, divulgue tudo, doa a quem doer. Mas é importante recuperar o prestígio da instituição Suprema Corte diante dos olhos da sociedade brasileira”, disse o presidente.

Lula também criticou os embates entre ministros. Enquanto Mendonça retirou o sigilo de indícios da Polícia Federal (PF) sobre relações entre Vorcaro e Moraes, o ministro respondeu incluindo Mendonça no inquérito das fake news.

“Não é possível e não é aceitável, diante dos olhos da sociedade, que fique os ministros da Suprema Corte brigando um com outro, dando declaração um do outro, acusando um ao outro, e a sociedade passiva assistindo”, disse Lula.

O petista também reclamou dos impactos da crise no STF no processo eleitoral, afirmando que movimentos da Corte em períodos eleitorais são contaminados por “viés político” de magistrados. Segundo ele, a apuração do Master não deveria afetar a escolha do próximo presidente da República.

“Uma apuração da Suprema Corte não deveria impactar o processo eleitoral, deveria ser vista como uma coisa natural. Entretanto, quando chega na época de política, as pessoas começam a fazer determinados tipos de vazamentos seletivos que têm um viés político, e isso causa prejuízo à política e causa prejuízo, inclusive, na credibilidade da instituição”, declarou.

Ao falar sobre a decisão de Mendonça em afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que voltou ao cargo após decisões de Dino e Fachin, Lula disse que possui total confiança no subordinado, mas que ele será punido, caso tenha envolvimento com o caso Master. Lula disse também que Andrei e a Advocacia-Geral da União (AGU) atuaram corretamente após a medida do magistrado.

Lula defendeu uma discussão sobre a implantação de mandatos para ministros do STF.

“Hoje, acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo, nós vamos ter que discutir se um advogado pode ter um escritório na Suprema Corte. Uma vez, falei brincando: quem quiser ser da Suprema Corte, não pode querer ser rico”, declarou o presidente.

Lula também defendeu uma nova reforma do Judiciário, mas disse que ainda não possui ideias do que irá incluir. Para isso, ele afirmou que é preciso fazer consultas com especialistas e a sociedade civil.

“É preciso fazer outra (reforma no Judiciário). Agora, eu não vou dizer o que eu quero fazer, porque não sei. Vou conversar com a sociedade brasileira, com tudo que é especialista, para saber. Nós precisamos fazer uma reforma no Poder Judiciário, da primeira à última instância, porque, senão, as pessoas vão virando Deus e achando que podem tudo”, disse Lula.

AutorEstadão Conteúdo
FonteMoney Times
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