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Mundo
22/07/2026
7 min

Novas tarifas dos EUA ao Brasil de 25% entram em vigor

Novas tarifas dos EUA ao Brasil de 25% entram em vigor

Uma tarifa de importação de 25% sobre produtos brasileiros, imposta pelos EUA, entrou em vigor à 1h01 (hora de Brasília) desta quarta-feira, 22.

A nova taxa atinge 2.375 produtos, que representaram US$ 7,2 bilhões em exportações em 2025, segundo dados da ApexBrasil. O valor representa 19,2% das exportações brasileiras no período.

Atualmente, 51,11% dos produtos brasileiros estão isentos, e os outros estão sujeitos a alguma das tarifas já impostas por Trump. Veja a divisão atual:

  • 51,11% - isentas
  • 20,25% - tarifas pela Seção 232 (especialmente para aço e alumínio)
  • 19,20% - atingidos pela nova tarifa de 25%, via Seção 301, e sob risco de levar mais 12,5%, pela acusação de trabalhos forçados
  • 9,44% - sob risco de levar nova tarifa de 12,5%, por processo do trabalho forçado

Produtos afetados pelas tarifas

Entre os produtos afetados pela taxa de 25% estão o açúcar, o etanol, os pneus de veículos e as partes de motores.

Os estados que mais produzem esses itens para exportação são Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Há impactos também em Alagoas, Goiás, Espírito Santo e Paraná, segundo dados da ApexBrasil. Só SC e SP produzem 52% do total de produtos impactados pelo novo tarifaço.

O governo americano concedeu isenções a centenas de itens, como carne, café, madeira, couro e mel, entre outros, em uma ampliação das isenções concedidas no ano passado.

Além desta taxa, os EUA devem impor, nos próximos dias, uma nova tarifa de 12,5% ao Brasil, em razão da queixa de que o país recorre a trabalho forçado na produção. O país rejeita a acusação.

"A medida coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos", diz nota da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

O impacto da taxa atual, no entanto, deverá ser menor do que no ano passado, quando a tarifa ao Brasil chegou a 50%.

"Mesmo se tiver esses 12,5% [da tarifa] do trabalho forçado e se considerar todas as isenções, a tarifa efetiva média sobre o Brasil fica na casa dos 20%, abaixo dos 30% que a gente viu no segundo semestre do ano passado", disse Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco.

"Além disso, vimos no segundo semestre do ano passado uma queda relevante das exportações do Brasil para os Estados Unidos, mas houve uma capacidade de realocação desses fluxos. Aumentou muito a exportação para outros destinos e acabou que nem teve queda de quantidade exportada", afirma a economista.

A origem das tarifas

A tarifa atual de 25% foi adotada após uma investigação contra o Brasil, iniciada em julho de 2025, por meio da Seção 301. No começo de junho, o USTR, um órgão do governo americano, concluiu que o Brasil age de forma não razoável no comércio bilateral, por práticas como o uso do Pix, a taxação do etanol americano e a falta de combate à corrupção e ao desmatamento.

O USTR avalia que essas práticas dão vantagens indevidas ao Brasil no comércio e propôs uma nova tarifa para tentar reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA. A decisão foi chancelada pelo presidente Donald Trump.

Um alto funcionário ligado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou, sob reserva, que, apesar das reuniões com a equipe negociadora do Brasil, o lado americano não demonstrou empenho em mitigar as motivações comerciais da tarifa. Ao mesmo tempo, este funcionário afirma que ainda há espaço para novas negociações, embora não tenha detalhado em quanto tempo as conversas poderiam ser retomadas.

Do lado brasileiro, integrantes do governo Lula afirmam que os americanos não se mostraram abertos ao diálogo e que desconsideraram os argumentos do Brasil. Afirmam, ainda, que os americanos insistiram em pedidos que estavam completamente fora de cogitação, como concessões acerca do Pix, que, segundo o USTR, representariam uma competição desleal com meios de pagamento americanos.

Relembre a história do tarifaço

Os presidentes Trump e Lula, durante encontro na Casa Branca (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

A investigação contra o Brasil foi iniciada em julho de 2025, por ordem de Trump. Na época, ele acusou o país de perseguir judicialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, e implantou uma tarifa de 40% ao país. Como havia outra tarifa geral de 10% para todos os países, o Brasil passou a ter taxa de 50%.

As ações vieram após uma campanha feita nos EUA pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que buscou punições ao Brasil sob o argumento de que seu pai seria perseguido injustamente pela Justiça brasileira.

Nas semanas seguintes, o governo americano deu uma série de isenções à nova tarifa, a produtos como carne, café e suco de laranja, o que reduziu os efeitos da medida.

O impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Após a conversa, os dois disseram que houve uma "química" entre eles.

Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e a sinalização de normalização das relações. Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem.

Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou as tarifas que Trump havia aplicado por meio da regra Ieepa, e a cobrança de 50% foi retirada de vez. No entanto, o presidente decretou outra taxa geral, de 10%, por meio da Seção 122, que segue em vigor e expira neste mês.

Nos últimos meses, a relação entre Lula e Trump piorou. Mesmo após uma visita de Lula à Casa Branca, em maio, os americanos não recuaram das tarifas e das acusações contra o Brasil.

Em maio, Trump se aproximou de Flávio Bolsonaro e o recebeu na Casa Branca. O senador sugeriu ao governo americano que adiasse as tarifas até depois da eleição brasileira, em outubro, para evitar que o tema ajudasse Lula a obter mais votos, mas o pedido não foi atendido.

Déficit parecido, arrecadação maior

Trump disse esperar que as tarifas tivessem dois efeitos principais: aumentar a arrecadação federal e reduzir o déficit comercial dos EUA, que ele vê como uma ameaça ao país.

Em um ano, o déficit comercial dos EUA teve uma queda mínima, de 0,2%, ou US$ 2 bilhões, em 2025, e ficou em US$ 901,5 bilhões no ano. Em 2024, o valor havia sido de US$ 903,5 bilhões negativos, segundo o governo americano.

Com o Brasil, os EUA tiveram um superávit na venda de mercadorias ao país de US$ 14,4 bilhões em 2025, uma alta de 112,8% em relação a 2024, segundo dados do governo americano. As exportações em 2025 somaram US$ 54,4 bilhões (alta de 10,7%), e as importações de itens brasileiros somaram US$ 39,9 bilhões (queda de 5,7% em um ano). O Brasil é o 11º maior parceiro comercial dos EUA.

Com a adoção das tarifas, a arrecadação mensal com as taxas internacionais subiu de US$ 7,3 bilhões mensais, em janeiro de 2025, para US$ 27,6 bilhões em janeiro deste ano, um valor quase três vezes maior, segundo dados da Tax Foundation.

A entidade, no entanto, avalia que a maior parte das taxas acaba sendo repassada aos consumidores americanos, o que resultaria em um aumento médio de US$ 600 no pagamento de impostos por residência em 2026.

AutorRafael Balago
FonteExame
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