Nove migrantes morrem em tentativa de chegar à Espanha; país envia reforço militar
Milhares de pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol nas últimas horas, levando o governo a mobilizar tropas e policiais para conter a crise migratória

Nove migrantes morreram ao tentar chegar a nado aoenclave espanhol de Ceuta, no norte da África, durante uma onda de travessias que levou milhares de pessoas a cruzarem a fronteira entre Marrocos e o território espanhol nas últimas horas. Diante da crise, o governo da Espanha anunciou nesta quinta-feira, 30, o envio de militares e policiais para reforçar a segurança na região.
Segundo a delegação do governo espanhol em Ceuta, nove corpos foram recuperados após as tentativas de travessia pelo mar. As autoridades não divulgaram detalhes sobre a identidade das vítimas.
A situação se agravou ao longo do dia, quando milhares de migrantes chegaram ao enclave espanhol nadando, contornando quebra-mares ou escalando a cerca que separa Ceuta do território marroquino.
Fronteira entrou em colapso
Imagens registradas na praia de Tarajal mostraram grandes grupos caminhando ao redor das barreiras fronteiriças e correndo pelas praias e estradas. Entre os migrantes havia principalmente jovens, mas também famílias, mulheres e crianças.
A Guarda Civil informou que as entradas ocorriam de forma massiva pelo mar, embora não tenha divulgado uma estimativa oficial. A emissora pública espanhola TVE calculou que entre 2 mil e 3 mil pessoas tenham cruzado para Ceuta em poucas horas.
O presidente do enclave, Juan Jesús Vivas, afirmou que a situação é crítica e pediu reforço imediato das forças de segurança, além da decretação de emergência nacional. Segundo ele, os centros de acolhimento já estavam superlotados antes mesmo da nova onda migratória, com centenas de pessoas dormindo nas ruas.
O governo espanhol, no entanto, rejeitou a possibilidade de decretar emergência nacional, argumentando que esse mecanismo legal não se aplica a crises migratórias.
Espanha mobiliza tropas e policiais
Como resposta ao aumento das travessias, o Ministério do Interior anunciou o envio de 60 militares das Forças Armadas e 30 agentes adicionais da Guarda Civil para Ceuta.
Em comunicado, o governo informou que os militares atuarão em apoio à Guarda Civil "no exercício de suas atribuições e em quaisquer outras funções que se façam necessárias para manter a segurança na cidade".
O primeiro-ministro Pedro Sánchez confirmou que viajará a Ceuta nesta sexta-feira acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Em mensagem publicada nas redes sociais, Sánchez afirmou que o governo dará uma "resposta imediata" à situação e disse que trabalha em conjunto com autoridades marroquinas e organismos internacionais para restabelecer a normalidade.
Nova crise ocorre após decisão da Justiça
A atual onda migratória acontece poucas semanas após a Suprema Corte da Espanha decidir que migrantes interceptados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou Melilla não podem mais ser devolvidos imediatamente com base no regime especial de rejeição na fronteira.
Segundo integrantes da Guarda Civil, desde essa decisão o fluxo de chegadas vinha aumentando gradualmente, mas a movimentação registrada nesta quinta-feira representou uma explosão sem precedentes recentes.
Ceuta e Melilla são os dois únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre com a África e frequentemente registram tentativas de entrada de migrantes que buscam alcançar o continente europeu. A última grande crise ocorreu em maio de 2021, quando mais de 8 mil pessoas cruzaram para Ceuta em apenas dois dias, em meio a uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos.
Com AFP
