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14/07/2026
3 min

Novo blockchain representa ameaça estrutural ao Ethereum, diz analista do BTG

Novo blockchain representa ameaça estrutural ao Ethereum, diz analista do BTG

O blockchain da corretora norte-americana Robinhood estreou com muito barulho neste mês. Desenvolvido como uma segunda camada da rede Ethereum, o protocolo disparou em volume de negociação nas últimas semanas. E para Matheus Parizotto, analista do BTG Pactual, seu modelo pode ter tanto sucesso que ameaçará justamente o projeto sobre o qual foi construído.

Impulsionada por memecoins, criptomoedas sem fundamento que sobem ou caem por conta de especulação, a rede Robinhood chegou a alcançar US$ 878 milhões de volume de negociação em 11 de julho.

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No entanto, embora o primeiro teste tenha sido a especulação, o blockchain tem potencial para ir muito além disso. “Uma plataforma que já possui usuários, capital e canais de distribuição consegue gerar atividade on-chain muito mais rapidamente do que uma blockchain lançada do zero”, afirma Parizotto.

Entre 5 e 11 de julho, as aplicações criadas na Robinhood Chain geraram aproximadamente US$ 11 milhões em taxas de negociação, mas o protocolo ficou com apenas US$ 595 mil desse valor. “Projetos como Uniswap, Morpho e Lighter concentraram cerca de 18,6 vezes mais taxas do que a própria infraestrutura utilizada por eles”, destaca o analista do BTG.

A captura de valor a partir desses US$ 595 mil que estão com a rede de infraestrutura caem ainda mais rapidamente quando nos aprofundamos nas camadas de tecnologia. Parizotto calcula que as taxas anualizadas da rede chegariam a US$ 31 milhões, sendo que a Arbitrum (provedora de tecnologia) receberia 10% disso, ou seja, US$ 3,1 milhões por ano. Já o Ethereum receberia apenas uma fração disso, US$ 270 mil por ano.

A segunda camada vira concorrente

“Na minha leitura, os maiores vencedores desse modelo são as empresas que controlam a distribuição. Robinhood e Coinbase conseguem usar suas próprias redes para monetizar usuários diretamente, junto com as aplicações on-chain (Uniswap, Morpho, Lighter, etc) que capturam a maior parte das taxas”, argumenta o analista.

Os blockchains públicos, que servem como base de todo esse sistema, por outro lado, recebem muito pouco e, ao mesmo tempo, veem a atividade no mundo cripto migrar para esses protocolos de segunda camada e suas aplicações. Ou seja, se é mais barato e mais eficiente construir soluções descentralizadas nas segundas camadas do Ethereum, para que usar a rede principal?

“Mesmo quando esses novos blockchains sejam construídos sobre o Ethereum, a maior parte da economia pode permanecer nas empresas, aplicações e camadas intermediárias”, resume Parizotto. “Quanto mais Robinhood, Coinbase, Circle, Tether e outras empresas lançarem suas próprias redes, mais importante será separar crescimento da atividade on-chain de geração efetiva de valor para os tokens de infraestrutura.”

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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