Novo CEO, novas preocupações: o desafio de Wesley Batista Filho na liderança global da JBS (JBSS32)
Wesley Batista Filho enfrenta desafios na JBS com prejuízo, alta nos preços da carne e falta de clareza sobre a velocidade da recuperação no mercado dos EUA

O primeiro dia de Wesley Batista Filho depois de ser apontado como o futuro CEO global da JBS (JBS, JBSS32) não foi fácil. Depois de anunciar a substituição de Gilberto Tomazzoni ontem (10), a gigante de frigoríficos reportou seus resultados do segundo trimestre de 2026, com um prejuízo de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), contra um lucro de US$ 528 milhões no mesmo trimestre do ano passado.
A teleconferência de resultados da companhia com o mercado começou com um comentário de Tomazzoni sobre a sucessão. Segundo ele, esse processo foi pensado cuidadosamente e a transição será feita de modo a manter os planos e projetos da companhia da melhor forma possível.
O executivo, que ingressou na Seara como estagiário, deixará o cargo depois de quase oito anos e passará a ocupar a vice-presidência do conselho.
Com mandato previsto para começar em janeiro de 2027, Wesley Batista Filho é filho de Wesley Batista e sobrinho de Joesley, controladores da JBS.
Atualmente CEO da JBS USA, Wesley passou sua carreira toda dentro da companhia fundada pela família. E é dos Estados Unidos que vêm os principais desafios da companhia no momento.
Os resultados da JBS
Apesar do prejuízo milionário, analistas avaliam que os resultados vieram ligeiramente melhores do que o esperado.
Em comunicado, a JBS destacou sua receita líquida, que atingiu o valor recorde US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre deste ano, crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo o forte desempenho de sua plataforma global diversificada de proteínas.
De abril a junho, o Ebitda ajustado chegou a US$ 1,257 bilhão, e a maioria das unidades de negócio da companhia apresentou melhora sequencial de rentabilidade, apesar dos desafios persistentes no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.
O problema com o gado dos EUA
O problema é a inflação da carne bovina, principalmente nos EUA.
Apesar da alta de 14,2% nas receitas, para US$ 7,77 bilhões, a divisão continuou tendo um resultado negativo de US$ 138 milhões, com margem negativa de 1% no trimestre, e de -2,3% no primeiro semestre do ano.
Essa já é uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, já que o mercado norte-americano vem sofrendo com um rebanho reduzido já há alguns trimestres. Com menos gado disponível, o preço da matéria-prima da JBS sobe e sua rentabilidade cai.
"Com os resultados, investidores mais otimistas (bullish) deverão questionar se o ciclo de carne bovina nos EUA já está no fundo do poço, abrindo uma porta para uma melhora de margens sequencial nos próximos anos", escreveu o Itaú BBA.
"Ainda que concordemos com a direção dessa tendência, a velocidade dessa recuperação ainda está incerta", disseram os analistas em relatório.
O alívio que vem do México
Agora, a empresa de proteínas pode ver um alívio nesse segmento. A JBS considera que deverá haver uma melhora na oferta de gado nos Estados Unidos até o final do primeiro semestre de 2027.
A fronteira entre os EUA e o México está sendo reaberta gradualmente para a passagem e engorda de gado no território norte-americano, à medida que uma questão sanitária relacionada a um parasita está sendo equacionada.
Para Wesley, com a reabertura gradual da fronteira com o México, o mercado deve ver um equilíbrio mais saudável entre oferta e demanda. 1,2 milhão de cabeças de gado devem chegar para a engorda nos próximos meses e estarão prontos para o abate ano que vem. "Ainda que precisemos esperar mais por esse gado, já temos uma situação muito diferente", disse Wesley.
O Citi está otimista com essa reabertura. Ao lado de ganhos na execução, a reabertura da fronteira cria um "caminho mais crível" para o breakeven nas margens, "embora a magnitude e a velocidade desses benefícios continuam incertos", disse o banco em relatório.
Mas a dúvida do mercado é outra: a demanda por bife continua forte? O consumidor não trocou o churrasco ou a carne moída por proteínas mais baratas, como frango ou carne de porco?
Segundo o futuro CEO, a JBS teve uma surpresa com a inelasticidade da carne bovina. Ou seja, o consumidor aceitou o aumento dos preços sem substituir tanto a fonte de proteína em seu prato.
Mesmo assim, a demora nessa retomada afeta a visão do mercado sobre a ação.
"Durante o ano de 2026, o mercado consistentemente reduziu as estimativas para o Ebitda e lucro da JBS, refletindo condições de mercado cada vez mais desafiadoras, principalmente no segmento de carne bovina e frango nos EUA. Com o passar do tempo, vemos riscos que precisaremos fazer o mesmo com as previsões para 2027", afirmou o BTG Pactual em relatório.
O avanço da JBS na bolsa dos EUA
Outro desafio de Wesley Batista Filho nos EUA será expandir a presença da empresa na carteira dos investidores internacionais.
Para isso, a companhia passou a integrar passou a integrar os índices Russell 1000 e Russell 3000, de small caps.
O próximo degrau para a empresa é ser incluída no índice S&P MidCap 400 (S&P 400), um intermediário antes de buscar um lugar no cobiçado S&P 500, que inclui as empresas mais capitalizadas do mercado norte-americano.
A ideia é aumentar a liquidez do papel de forma indireta. Ao compor esses índices, a ação entra na carteira de todos os fundos que investem neles automaticamente.
Com Money Times
