Novo eixo de desenvolvimento em São Paulo expande oferta imobiliária
Com 40 anos de atuação na região leste, a Porte amplia centralidade urbana ao reunir negócios, serviços, cultura e moradia – e prevê reduzir 11 mil deslocamentos por dia na metrópole

Durante décadas, morar na região leste de São Paulo significou, para uma parcela da população, atravessar a cidade todos os dias para trabalhar, estudar ou acessar determinados serviços. Com mais de 4 milhões de habitantes e 38% da população do município, a região reúne uma população maior do que a de muitas capitais brasileiras, mas ainda convive com uma oferta proporcionalmente menor de escritórios, hotéis e equipamentos de cultura e entretenimento.
Esse desequilíbrio começou a ser corrigido na primeira etapa de desenvolvimento do chamado Eixo Platina - uma nova centralidade urbana que abrange 3,6 quilômetros no Leste, entre as estações de metrô Belém e Carrão.
Foi quando a região começou a receber seus primeiros projetos com foco na ocupação corporativa, além de empreendimentos de uso misto, empresas e serviços. Esse movimento idealizado pela Porte ampliou as possibilidades de investimento e valorização na região, consolidando um polo de qualificação urbana que agora inicia sua nova fase.
Para o mercado imobiliário e financeiro, o movimento chama atenção para uma demanda construída ao longo de décadas. Segundo dados apresentados pela Porte, a região leste concentra apenas quatro dos quase 1.700 edifícios corporativos classificados como A, AA ou AAA na cidade. Também reúne menos de mil dos cerca de 50 mil quartos de hotel e aproximadamente 300 mil dos 5 milhões de metros quadrados de salas comerciais de São Paulo.
Os números refletem o potencial de uma região em transformação, com espaço para ampliar a presença de empresas, empregos, serviços e opções de lazer. Esse processo tem colocado a área no radar de investidores e reforçado sua posição como uma nova frente de desenvolvimento na cidade de São Paulo.
Agora, em nova fase do Eixo Platina, a Porte amplia o complexo do Urman São Paulo e lança um novo empreendimento misto (Praça Japi), além de entregar o Metria 624 - edifício multiúso que reforça a oferta de espaços corporativos capazes de reter emprego e empresas na região.
Quatro décadas de transformação urbana
A Porte atua na região leste desde 1986. Os primeiros projetos foram residenciais e buscavam atender moradores que queriam permanecer próximos de seus negócios, familiares e vínculos com a região, mas encontravam poucas opções compatíveis com suas necessidades.
Com o tempo, a empresa ampliou a atuação para outros tipos de empreendimentos. Passou a desenvolver salas comerciais, projetos voltados à saúde, hotéis, torres corporativas e complexos de uso misto. Em 40 anos, entregou 55 empreendimentos e negociou cerca de 10 mil unidades residenciais, comerciais e corporativas.
Entre os projetos está o Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, entregue em 2008. A diversificação acompanhou uma mudança na própria leitura sobre o desenvolvimento da região. Não bastava ampliar a oferta de moradia sem criar condições para que trabalho, serviços e lazer também estivessem mais próximos.
“Fazer um empreendimento exige compreender a cidade e criar um diálogo com ela, porque o edifício, sozinho, não faz sentido para nós”, afirma Igor Melro, diretor comercial da Porte.
Essa visão levou a empresa a organizar seus projetos em torno de uma proposta mais ampla de transformação urbana, com empreendimentos conectados entre si e ao entorno.
Como surgiu o Eixo Platina
O Eixo Platina foi consolidado em paralelo à Radial Leste (Avenida Alcântara Machado), formando um corredor de desenvolvimento capaz de integrar centros de mobilidade urbana entre as estações Belém e Carrão do metrô. A proposta é formar um polo de desenvolvimento socioeconômico com moradias, escritórios, hotéis, comércio, serviços, cultura, lazer, entretenimento e espaços de convivência.
Em vez de concentrar todos esses usos em um único edifício, o projeto busca criar uma nova centralidade para a cidade. A lógica é permitir que mais pessoas encontrem oportunidades de trabalho, consumo e lazer sem precisar atravessar a cidade diariamente.
“Discute-se muito como melhorar o transporte coletivo, mas pouco sobre como não precisar se deslocar”, diz Melro. “Quanto tempo uma pessoa leva para ir e voltar do trabalho deveria ser um índice mais presente nessa discussão.”
De acordo com projeções da Porte, a primeira fase do Eixo Platina, a partir da entrega do Urman São Paulo, consolidará a geração de pelo menos 20 mil postos de trabalho qualificado, que ocuparão 97 mil m² em lajes edificadas pela Porte. O planejamento inclui ainda intervenções no entorno dos empreendimentos, como ciclovias, ampliação de calçadas, arborização e pavimentação de vias.
A combinação entre diferentes usos também cria uma relação de complementaridade. Escritórios aumentam a demanda por hotéis, restaurantes e serviços. Moradias ajudam a sustentar o comércio. Equipamentos culturais e de entretenimento atraem visitantes e mantêm a região ativa em horários distintos.
Uma cidade dentro de outra
O Urman São Paulo será o sexto empreendimento do Eixo Platina e concentra, em um único complexo, diferentes frentes dessa transformação. Em construção próximo à estação Belém do metrô e ao Sesc Belenzinho, o projeto terá 222.797 metros quadrados de área construída, o equivalente a 31 campos de futebol.
O empreendimento reunirá unidades residenciais, escritórios, lajes corporativas, hotel, centro de convenções e eventos, cinema, teatro, um mall com mais de 90 lojas e uma praça aberta ao público.
Entre os equipamentos previstos estão o maior teatro de São Paulo, com capacidade para mais de 1.560 pessoas, e o primeiro centro de convenções e eventos da região leste, ambos operados pela Opus. O complexo também terá 7 salas de cinema da Cinépolis, incluindo as primeiras salas VIP da região, e o primeiro hotel da bandeira Tru by Hilton na capital paulista.
Segundo a Porte, o Urman deverá mobilizar aproximadamente 138 mil pessoas por mês. A empresa também projeta que o complexo poderá reduzir 11 mil deslocamentos diários, ao criar oportunidades para pessoas que hoje deixam a região leste todos os dias para trabalhar em outros bairros.
O impacto esperado depende justamente da convivência entre os diferentes públicos. Quem trabalhar nas torres corporativas poderá utilizar o hotel, os restaurantes, as lojas e os serviços. Moradores terão acesso a opções de consumo e entretenimento próximas de casa. Já o teatro, o cinema e o centro de convenções poderão atrair visitantes de outras partes da cidade.
“Poder ir a pé a uma peça de teatro e voltar para casa sem precisar pegar o carro é um privilégio”, afirma Melro. “Do ponto de vista dos negócios, existe uma sinergia muito grande entre esses usos.”
Para investidores e empresas, a aposta está no potencial de uma região que ainda apresenta demanda por escritórios, hotéis, serviços e espaços de convivência. Para os moradores, a mudança pode ser percebida de maneira mais cotidiana em ter novas possibilidades de trabalho, consumo e lazer sem precisar deixar o leste paulistano.
