Novo Nordisk retoma venda direta de Ozempic e Wegovy: veja preços
Após suspensão em julho, fabricante retoma venda direta pela plataforma NovoCare Farmácia

A Novo Nordisk retomou nesta terça-feira, 1º, a venda direta de Ozempic e Wegovy ao consumidor brasileiro por meio da plataforma NovoCare Farmácia. A operação havia sido suspensa após o lançamento do canal em julho e agora volta a funcionar em parceria com a AS Medicamentos.
O consumidor com prescrição médica pode acessar a NovoCare Farmácia e adquirir os medicamentos por meio do sistema operado pela AS Medicamentos, que é especializada no fornecimento e na logística de medicamentos especiais, com sistema próprio para realizar entregas em todo o Brasil.
A diferença em torno do relançamento é que agora os pacientes podem escolher por meio de um botão no site da NovoCare se querem comprar diretamente no canal ou se preferem ser direcionados a outras redes de farmácias.
A plataforma havia sido alvo de críticas do setor farmacêutico no lançamento prévio, principalmente pela possibilidade de a fabricante vender diretamente ao consumidor, sem a intermediação das farmácias tradicionais.
De acordo com a diretora sênior da Novo Nordisk, Natalia Ortiz, o canal busca melhorar a experiência dos pacientes, "garantindo acesso a terapias modernas e seguras, sempre mediante prescrição médica e em total conformidade com as exigências regulatórias vigentes."
"O relançamento do NovoCare Farmácia representa mais um passo na evolução do nosso compromisso com as pessoas que convivem com doenças crônicas", acrescentou a executiva.
A companhia mira um mercado no qual a obesidade afeta 60 milhões de brasileiros, e os remédios da classe GLP-1 já alcançam 5,5% da população.
Os preços na plataforma NovoCare
Para diabetes tipo 2, o Ozempic de 0,25 miligramas (mg)/0,5 mg custa R$ 975 para participantes do programa NovoDia. A versão de 1 mg sai por R$ 999. Para obesidade, os preços do Wegovy variam conforme a dosagem, com a dose de 0,25 mg custando R$ 899 no NovoDia. A de 0,5 mg sai por R$ 975 no programa.
Nas dosagens seguintes do programa, o Wegovy de 1 mg custa R$ 999 e a dose de 1,7 mg sai por R$ 1.399. Já a de 2,4 mg custa R$ 1.749 para participantes do NovoDia.
Os preços do programa NovoDia são idênticos aos praticados nas principais redes de farmácia do país. Algumas delas oferecem frete grátis a depender do local de entrega.
Mais concorrência para as varejistas farmacêuticas
A mudança da Novo Nordisk acontece em um momento em que as farmácias deixaram de ser o único canal em disputa. Supermercados e marketplaces começaram a entrar no varejo de medicamentos, ampliando as opções para fabricantes e consumidores, além da concorrência pelas vendas.
Quatro meses após a sanção da Lei nº 15.357 de 2026, que permitiu a instalação de farmácias dentro de supermercados, o Assaí, por exemplo, inaugurou a primeira unidade da Assaí Farma, em São Paulo, com 140 metros quadrados e cerca de 10 mil itens.
O plano é abrir 25 unidades em São Paulo em 2026, com potencial para chegar a 250 no país. A operação aproveita a estrutura das lojas do atacarejo e o fluxo de cerca de 40 milhões de clientes por mês.
O Itaú BBA estima que uma unidade madura possa alcançar vendas de R$ 800 mil por mês, com margem de 26% e investimento de R$ 300 mil por loja. Pelas premissas do banco, a taxa interna de retorno (TIR) chegaria a 45%.
Do supermercado ao marketplace
Além disso, o marketplace Mercado Livre comprou a farmácia Cuidamos, antiga Memed, em São Paulo. A partir da estrutura licenciada, a companhia iniciou um piloto para a entrega de medicamentos sem prescrição.
O diretor do Mercado Livre, Tulio Landin, vê que o teste serve para avaliar a operação antes de uma possível expansão para o modelo de marketplace, no qual terceiros também poderiam vender medicamentos pela plataforma.
A categoria ainda representa uma parcela pequena da operação, mas o Itaú BBA estima que os medicamentos possam chegar a 6,5% do volume bruto de mercadorias (GMV, em inglês) do Mercado Livre no Brasil até 2030.
A Amazon segue uma estratégia semelhante nos Estados Unidos, onde a Amazon Pharmacy passou a combinar comércio eletrônico, farmácia, serviços de saúde e logística. O modelo americano, porém, não pode ser replicado integralmente no Brasil por causa das diferenças regulatórias.
No mês passado, a Anvisa também liberou a venda de medicamentos pela Shopee.
As farmácias respondem com logística
A entrada de novos canais aumenta a pressão sobre as redes tradicionais, que têm na proximidade física uma das principais vantagens competitivas. A RD Saúde, dona de Raia e Drogasil, enxerga que a automação acaba por fortalecer as farmácias.
"Mesmo que a regulação mudasse e que as plataformas digitais usassem a logística delas para ganhar sinergia e baixar custo de distribuição, não seria um grande problema. As farmácias da RD já estão a cinco minutos de 80 milhões de brasileiros e a cinco quilômetros de distância de 120 milhões", na visão do CEO da RD Saúde, Renato Raduan.
A RD também mantém um plano de expansão de cerca de 300 lojas por ano. Já a Pague Menos concentra parte da estratégia nos pacientes com doenças crônicas, que têm ticket médio 60% superior. A rede também testa formatos de lojas temporárias em festivais.
*Com informações de Clara Assunção e Letícia Furlan
