Novo presidente do Paraguai promete ressarcir 2,9 milhões de clientes após prisão de Peña
Pedro Alliana assumiu o governo após impeachment de Santiago Peña, detido em meio à investigação sobre o fechamento do Ueno Bank; crise financeira atinge milhões de correntistas

O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, prometeu ressarcir integralmente os clientes afetados pelo fechamento do Ueno Bank, instituição financeira cuja crise levou à destituição e à prisão do ex-presidente Santiago Peña na sexta-feira, 6 de novembro. Segundo as autoridades paraguaias, cerca de 2,94 milhões de clientes foram atingidos pelo congelamento de recursos após a dissolução do banco.
Alliana, que ocupava a Vice-Presidência, assumiu o comando do país após o Senado aprovar o impeachment de Peña, em meio às investigações sobre a crise financeira. Em seu primeiro discurso, o novo presidente afirmou que o governo adotará medidas para devolver o dinheiro aos correntistas, com prioridade para a população de menor renda.
"O que venho prometer é concreto: os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do descalabro financeiro serão compensados plenamente. Não vamos deixá-los sós", declarou Alliana.
O novo presidente determinou a adoção de medidas imediatas para ressarcir os poupadores, mas não apresentou um prazo para a devolução dos recursos.A promessa ocorre após o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar, na terça-feira, 3, a dissolução do Ueno Bank. O fechamento da instituição provocou uma crise financeira e política, que culminou na saída de Peña do governo.
Santiago Peña foi preso após impeachment no Paraguai
A posse de Alliana ocorreu poucas horas depois da destituição de Santiago Peña, aprovada pelo Senado paraguaio durante um julgamento político na sexta-feira.
Os senadores votaram pela saída do então presidente em meio às acusações de irregularidades relacionadas ao Ueno Bank, instituição com a qual Peña manteve vínculos empresariais.
Pouco depois da decisão parlamentar, o Ministério Público determinou a prisão do ex-presidente no âmbito de uma investigação por suspeita de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à crise bancária.
A Polícia Nacional cumpriu a ordem na residência de Peña, em Assunção, onde ele permaneceu sob custódia das autoridades.
Segundo a agência EFE, o Ministério Público determinou que o ex-presidente ficasse detido em casa até ser colocado à disposição da unidade especializada em crimes econômicos e anticorrupção.
A investigação busca esclarecer possíveis responsabilidades pelas irregularidades envolvendo o banco. A destituição por impeachment e a investigação criminal são procedimentos distintos, e a prisão não representa uma condenação penal.
Peña, que foi acionista da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025, nega ter cometido irregularidades. Segundo o ex-presidente, os problemas da instituição eram uma questão de responsabilidade dos órgãos reguladores.
No sábado, 7, Peña compareceu ao Ministério Público para prestar esclarecimentos aos investigadores, segundo a Reuters.
Fechamento do Ueno Bank deixou quase 3 milhões de clientes com dinheiro congelado
A crise que levou à queda do governo começou com a dissolução do Ueno Bank, determinada pelo Banco Central do Paraguai.
A decisão atingiu aproximadamente 2,94 milhões de clientes, que ficaram sem acesso aos recursos mantidos na instituição financeira.
O bloqueio dos valores provocou protestos e aumentou a pressão sobre o governo e as autoridades responsáveis pela fiscalização do sistema bancário.
Diante desse cenário, Alliana anunciou que a recuperação dos recursos será uma das prioridades de sua administração.
O presidente afirmou que os clientes serão compensados integralmente, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.
Apesar do compromisso, ainda não foram detalhados os mecanismos de ressarcimento, o calendário de pagamentos ou a origem dos recursos que serão utilizados para compensar os clientes.
Quem é Pedro Alliana, novo presidente do Paraguai?
Pedro Alliana era vice-presidente do Paraguai e assumiu o governo após a destituição de Santiago Peña, seu aliado no Partido Colorado, legenda que governa o país.
A cerimônia de posse ocorreu em uma sessão extraordinária do Congresso, conduzida pelo presidente do Legislativo, Basilio Núñez.
Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato iniciado por Peña, que termina em agosto de 2028. Não haverá uma nova eleição presidencial em razão da mudança de governo.
Após a posse do novo presidente, Antonio Barrios, que deixou o cargo de senador, prestou juramento como vice-presidente.
A mudança ocorre em meio a uma das principais crises políticas e financeiras enfrentadas pelo Paraguai, com milhões de clientes aguardando uma solução para o bloqueio dos recursos no Ueno Bank.
O novo governo terá como desafio imediato organizar as medidas de ressarcimento e enfrentar as consequências econômicas e institucionais do fechamento do banco.
Com informações da EFE.
