Novo sistema de IA da Nvidia é adiado para 2028 por falha de fabricação, diz SemiAnalysis

Há três meses, Jensen Huang subiu ao palco da maior conferência da Nvidia e apresentou ao mundo o Kyber, o gabinete que empilharia 144 de seus chips mais potentes em um único servidor.
Agora, esse mesmo sistema virou o símbolo de um problema que a empresa não estava acostumada a enfrentar: a fabricação não acompanha a velocidade do anúncio.
O rack foi adiado em mais de um ano, de 2027 para 2028, segundo relatório da firma de análise SemiAnalysis divulgado pela CNBC nesta segunda-feira, 6.
O problema mora em uma única peça.
O coração do Kyber é uma placa de circuito impresso chamada midplane, responsável por ligar todos os chips entre si — e, com 78 camadas empilhadas, ela é uma das mais complexas já desenhadas para um produto comercial.
Fabricá-la em escala, mantendo a integridade do sinal, a entrega de energia e o controle térmico, mostrou-se mais difícil do que a Nvidia e seus fornecedores conseguiam resolver no prazo previsto.
Um tropeço que se acumula
O caso do Kyber não é isolado. É o mais recente de uma sequência de contratempos no cronograma da Nvidia, que vinha lançando uma nova geração de hardware de inteligência artificial (IA) a cada ano, num ritmo que poucos rivais conseguiam sequer imitar.
Dessa vez, a empresa nem teve um plano B funcional.
A alternativa que havia desenhado, batizada de NVL72x2, unia dois racks da geração atual para chegar perto da potência do Kyber — mas foi descartada depois que provedores de nuvem reclamaram do formato desajeitado e do custo de operação.
Um sistema ainda maior, o NVL576, que conectaria oito racks por fibra óptica, também deve atrasar ou sair em volume reduzido.
Na prática, a Nvidia ficou sem uma forma comprovada de entregar toda a escala prometida para o Rubin Ultra.
A brecha que a concorrência esperava
O atraso tem os concorrentes como destinatários.
AMD e Google, que fabricam os próprios chips de IA, ganham uma janela rara para disputar a faixa mais alta do mercado, onde a Nvidia reinava praticamente sozinha. E os grandes clientes de data center, que encomendam esses sistemas com meses de antecedência, agora precisam decidir se esperam pelo Kyber ou fecham com quem entregar antes.
No fundo, o episódio expõe uma tensão que o setor preferia ignorar: a de que existe um limite físico para a velocidade com que se pode empurrar a fabricação de semicondutores.
A Nvidia passou três anos provando que conseguia acelerar sem parar. O Kyber é a primeira vez em que a conta não fechou no prazo.
O outro lado da mesma análise
Ainda assim, seria um exagero ler o relatório como um prenúncio de crise — e a própria SemiAnalysis se encarrega de mostrar por quê.
No mesmo levantamento, a firma manteve uma projeção otimista ao afirmar que a receita de data centers da Nvidia no segundo semestre de seu ano fiscal de 2027 deve superar em 20% o que Wall Street espera, mesmo com os atrasos de hardware.
Apesar disso, às 8h07, no horário de Brasília, as ações da empresa operavam em queda de 1,39% no pré-mercado.
