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23/07/2026
3 min

Novo ‘tarifaço’ dos EUA deve ter impacto menor na bolsa brasileira, mas exige negociação, diz Azimut

Novo ‘tarifaço’ dos EUA deve ter impacto menor na bolsa brasileira, mas exige negociação, diz Azimut

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (22) e colocou o Brasil na segunda posição entre os países com maior carga tarifária.

Segundo a Global Trade Alert, a taxa média efetiva aplicada ao Brasil é de 18,2%, atrás apenas da China, cuja tarifa média é de 27%. E o cenário pode piorar: há ainda a expectativa de uma nova rodada de tarifas, de 12,5%, para dezenas de parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.

Para Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, a nova rodada de tarifas contra o Brasil deve ter um impacto mais limitado sobre a bolsa brasileira do que o primeiro “tarifaço” direcionado ao país, que entrou em vigor em agosto do ano passado. Meses antes, em abril, o governo do presidente Donald Trump havia anunciado uma tarifa “universal” de 10%.

Para efeito de comparação, a tarifa adicional de 40% exclusiva para produtos brasileiros foi anunciada em 30 de julho de 2025 e, no dia seguinte, o Ibovespa (IBOV) fechou em queda de 0,68%. Desta vez, o novo tarifaço foi anunciado no dia 15 deste mês e, no dia seguinte, o IBOV registrou recuo de 1,24%.

“As consequências para a bolsa, desta vez, são menores. No primeiro anúncio, a taxa atingia quase todos os produtos que o Brasil exportava para os EUA. Agora, o número de itens tarifados é menor”, afirmou Carlier, em entrevista ao Money Times.

“A notícia não é boa, mas chama um ponto de atenção agora é como os governos vão encontrar um caminho para negociar isso de forma que seja mais positiva para o Brasil ao longo do tempo”, acrescentou.

Para o gestor, a principal preocupação não está nas tarifas anunciadas em si, mas na forma de como o governo brasileiro conduzirá as negociações com os EUA daqui para frente e em eventuais respostas. “O primeiro tarifaço foi, em certa medida, renegociado”, destacou Carlier.

Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management (Foto: Divulgação/Azimut)
Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management (Foto: Divulgação/Azimut)

A expectativa do mercado é de que o Palácio do Planalto acione instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, como medidas de restrição às importações e a suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties, além da aplicação de tarifas adicionais sobre os países-alvo de retaliação.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, por exemplo, já afirmou que a reciprocidade não é uma “vingança” e que será adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros quando isso for considerado adequado.

“O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, disse o ministro em entrevista à Bandeirantes FM na última quarta-feira.

Para Carlier, da Azimut, a retaliação tarifária tende a ser pouco eficiente e pode dificultar um acordo entre os países, a exemplo da política adotada pela China no ano passado, que levou o governo Trump a elevar as tarifas sobre produtos chineses para 100% em meados de outubro, intensificando as tensões comerciais.

“Eu não acho que seja uma saída muito inteligente. A saída é da diplomacia e da negociação”, avaliou. “Retaliar parece ter pouca eficiência.”

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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