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Mundo
06/07/2026
4 min

Novo tarifaço dos EUA pode atingir US$ 14,9 bilhões em exportações, diz CNI

Novo tarifaço dos EUA pode atingir US$ 14,9 bilhões em exportações, diz CNI

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas que os Estados Unidos avaliam impor ao Brasil poderão afetar 4.187 produtos, que equivalem a US$ 14,9 bilhões anuais em exportações.

Em 2025, por exemplo, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões em mercadorias aos EUA. Em 2026, o total exportado até agora foi de US$ 17,4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.

Entre os produtos sob risco, há destaque para ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado.

Os EUA debatem impor duas novas tarifas ao Brasil, de 25% e de 12,5%, pela acusação de que o país adota práticas desleais que prejudicam os Estados Unidos, com base na lei chamada de Seção 301. Audiências públicas sobre o assunto estão sendo realizadas em Washington a partir desta segunda-feira, 6.

Os 4.187 produtos em questão estão sujeitos, atualmente, à tarifa de 10%, imposta por meio da Seção 122. A cobrança, no entanto, expira em 24 de julho e pode ser renovada.

Caso o Brasil seja alvo das novas tarifas em análise, esses itens seriam taxados em 37,5%. Segundo a CNI, 62% dos itens sob risco de nova taxa são bens intermediários, usados como insumos na indústria.

"O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana", diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

O novo tarifaço dos EUA deverá deixar de fora uma série de produtos que já foram isentos em outras rodadas de tarifas, como aviões, carnes e petróleo.

Veja a lista de produtos sob risco

Confira a relação de alguns produtos que poderão ser alvo do novo tarifaço, e que o Brasil é o principal fornecedor para os EUA:

  • Ferro-gusa não ligado
  • Acúcar de cana
  • Sebo não comestível
  • Álcool Etílico
  • Molduras de madeira de pinho
  • Tabaco curado
  • Peptonas
  • Compensado de pinus (madeira)
  • Granito monumental
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira
  • Hidróxido de alumínio

Entenda o caso da Seção 301

O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1º de junho, que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301, em julho de 2025.

Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e há espaço para mais negociações, até 15 de julho.

"O Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, em comunicado.

No momento, ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.

Uma audiência sobre o tema foi iniciada nesta segunda-feira, 6, e é aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país.

Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderão implantar novas tarifas contra o país, além das que já estão em vigor. Uma decisão final sobre o caso será definida até 15 de julho.

Além disso, o Brasil é investigado em outro processo pela 301, junto com outros países, que investiga o uso de trabalhos forçados na produção. Caso o país seja considerado culpado neste caso, seria alvo de outra tarifa de 12,5%. As audiências públicas dessa ação começam na terça-feira, 7.

AutorRafael Balago
FonteExame
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