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16/07/2026
2 min

Novo 'tarifaço' dos EUA pode fazer o dólar subir? Chances existem, mas são pequenas

Novo 'tarifaço' dos EUA pode fazer o dólar subir? Chances existem, mas são pequenas

O novo "tarifaço" do governo dos Estados Unidos contra o Brasil deve ter impacto limitado no mercado financeiro, dizem especialistas ouvidos pela EXAME. Via de regra, quando um país exporta menos, menor é a entrada de dólares e maior é a pressão sobre a moeda local. Mas, nesse caso, os analistas acreditam que as tarifas adicionais não serão suficientes para enfraquecer o real.

"A lista de isenção é muito grande e, com isso, o impacto é relativamente baixo nas exportações e representa bem pouco do PIB brasileiro", afirma Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.

Marcio Estrela, consultor em regulação cambial e financeira na Starnet Estrela, explica que o fluxo cambial vem muito mais do financeiro do que do comercial. "E o impacto no comercial é limitado, porque as exportações afetadas, em geral, já têm outros mercados", afirma.

Insegurança institucional preocupa mais do que tarifas em si

Por outro lado, Estrela lembra que as novas tarifas são impostas logo depois de o governo americano considerar facções criminosas como organizações terroristas. Isso gera, segundo ele, uma insegurança em relação à posição dos Estados Unidos sobre a economia brasileira e afeta perspectivas de risco-país.

"É o conjunto de medidas contra o Brasil que pode afetar expectativas em relação à economia brasileira. Menos as medidas comerciais e mais as que afetam o financeiro", afirma.

Aversão ao risco pode pressionar o câmbio no curto prazo

Valdir Piran Jr, CEO da Intra Asset, acredita que uma escalada das tensões comerciais pode elevar a aversão ao risco, pressionar moedas de países emergentes e aumentar o prêmio de risco exigido pelos investidores.

"No curto prazo, o tarifaço tende a aumentar a volatilidade, mas uma depreciação mais persistente do real dependerá da evolução das negociações comerciais, da reação dos fluxos de capital e dos fundamentos macroeconômicos brasileiros", afirma.

O executivo, contudo, pondera que a eventual redução de vendas para os EUA pode afetar o fluxo cambial de alguns setores, mas a lista de produtos isentos "preserva uma parcela relevante da pauta exportadora e reduz o risco de um impacto expressivo sobre as contas externas".

"Caso isso seja acompanhado de incertezas fiscais ou de uma desaceleração mais intensa da atividade, o câmbio pode sofrer pressão adicional", complementa.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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