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20/08/2026
5 min

Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%

Essa empresa pouco conhecida pode quintuplicar a produção em três anos e pagar dividendos acima de 20%; saiba quem é essa companhia

Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%

Uma mineradora brasileira com uma única mina de ouro, histórico de recuperação judicial, produção travada por quatro anos e que abriu capital na bolsa de valores do Canadá na última semana. Essa é a Amapá Minerals, listada sob o ticker AMAP, e que o BTG Pactual enxerga um potencial escondido.

Embora a companhia pareça uma recém-chegada, o principal ativo, a Mina Tucano, opera há mais de duas décadas e tem uma história bastante turbulenta.

A mina é localizada na cidade de Pedra Branca do Amapari, com cerca de 13 mil habitantes e que faz parte do estado do Amapá.

Desde os anos 90, ela passou pelas mãos de pelo menos nove proprietários — entre eles, grupos de mineração e fundos de investimento — e, a partir de 2005, quando iniciou as operações comerciais, produziu mais de 1,5 milhão de onças de ouro.

Mas antes de continuar essa história, é importante ressaltar que existe a Mina Tucano como ativo e, até então, havia a empresa Mina Tucano Ltda — que mais tarde viraria a Amapá Minerals.

A falha que mudou tudo

A mineração na região desandou em 2021.

Na época, a controladora da companhia era a mineradora canadense Great Panther, e a mina teve uma falha geotécnica que comprometeu o acesso às reservas de ouro. A primeira consequência foi uma queda na produção e, em 2022, foi totalmente suspensa.

O otimismo do BTG em relação à Amapá Minerals está relacionado justamente a esse período de produção travada.

Sob um novo nome e uma nova estrutura societária, a empresa retomou, depois de quatro anos, a atividade na Mina Tucano. Em 2026, o banco projeta 18 mil onças de ouro produzidas, mas até 2029 pode quintuplicar para 100 mil onças anuais — o que pode se traduzir em retorno para os acionistas.

Tem até recuperação judicial na história

Além dos problemas operacionais, a Mina Tucano Ltda enfrentava uma situação financeira turbulenta.

Segundo o BTG, a empresa acumulava cerca de US$ 195 milhões em dívidas — cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual.

Com a combinação de queda da produção devido ao deslizamento e o endividamento expressivo, a companhia dona da mina entrou em recuperação judicial em 2022. Durante o processo, a Mina Tucano ficou parada enquanto havia as discussões de reestruturação do negócio.

Em 2023, a Tucano Gold, outra mineradora canadense, comprou 100% da empresa que detinha a mina e até então era controlada pela Great Panthers.

A recuperação judicial da Mina Tucano Ltda foi concluída em 2024 e a dívida reduzida em cerca de 65%. Foi a partir de toda essa novela de compra e venda que surgiu a Amapá Minerals.

Com o fim do processo de RJ, a companhia trocou de nome e mudou a estrutura societária para deixar para trás os problemas de reestruturação, que foi quando o grupo foi rebatizado como Amapá Minerals.

Em 2025, o controle da companhia também passou para a gestora brasileira Starboard, especializada em reestruturações.

A nova controladora, que possui 59% da Amapá Minerals, fez uma arrumação completa na administração da mineradora: renovou a equipe de gestão e reformou os processos da companhia.

Nova fase da companhia

Agora, com a poeira baixa, a Amapá Minerals recomeça do zero, com a abertura de capital no Canadá no dia 12 de agosto. A ideia da listagem na bolsa de Toronto é levantar recursos para investir na produção de ouro na Mina Tucano.

A empresa captou cerca de 140 milhões de dólares canadenses — R$ 527 milhões no câmbio atual — por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO) na TSX, que abriga cerca de metade das empresas de mineração do mundo.

É pensando nessa nova etapa da companhia que os analistas do BTG passaram a cobrir a ação e enxergar potencial na empresa.

Na visão do banco, uma das principais vantagens da Amapá Minerals é que ela não precisa provar que existe ouro na reserva nem gastar bilhões para construir uma mina do começo.

Isso porque a Mina Tucano já produziu mais de 1,5 milhão de onças ao longo da história, tem uma planta com capacidade para processar 10 mil toneladas por dia e infraestrutura já instalada, o que reduz os riscos e encurta o caminho para aumentar a produção.

A projeção do banco é que a produção da empresa salte de 18 mil onças em 2026 para 70 mil em 2027 e, em 2029, ultrapasse a marca de 100 mil onças anuais.

Outra estimativa é em relação ao Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização), que deve subir de US$ 107 milhões em 2027 para US$ 212 milhões em 2029, à medida que a produção aumenta e os custos diminuem.

De olho nesse potencial, o banco tem recomendação de compra para o papel AMAP e preço-alvo de 1,80 dólares canadenses.

Considerando o fechamento desta quinta-feira (20), de 1,11 dólares canadenses, o potencial de valorização chega a 62%.

Cabe destacar que a companhia não é listada no Brasil e nem tem BDRs (Certificado de Depósito de Valores Mobiliários, na sigla em inglês) na B3. Portanto, para investir, é necessário comprar a ação diretamente na bolsa do Canadá.

Outro fator que brilha os olhos dos analistas é o pagamento de dividendos. Não se trata de um potencial para o curto prazo, afinal, o caixa da companhia nesse primeiro momento deve ser todo direcionado para o crescimento da empresa.

Porém, o BTG defende que a geração de renda extra pode se tornar relevante em dois a três anos.

“À medida que os investimentos se normalizem e a produção atinja um ritmo estável, o fluxo de caixa livre se torna muito atraente. Com preços do ouro próximos aos níveis atuais, estimamos um dividend yield acima de 20% em um horizonte de três anos.”

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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