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EmpresasACS
03/08/2026
6 min

Nubank e Itaú disparam na corrida da inteligência artificial — e resto dos bancos pode não conseguir alcançá-los, diz Goldman Sachs

Relatório mostra por que as duas instituições abriram vantagem sobre os concorrentes e por que essa distância ainda pode crescer daqui para frente

Nubank e Itaú disparam na corrida da inteligência artificial — e resto dos bancos pode não conseguir alcançá-los, diz Goldman Sachs

inteligência artificial (IA) virou prioridade para praticamente todos os bancos. Mas, segundo o Goldman Sachs, a disputa já começa a produzir vencedores — e os líderes estão abrindo vantagem. 

Um relatório do Goldman mostra que Nubank (ROXO34) e Itaú Unibanco (ITUB4) lideram com folga o ranking de maturidade em inteligência artificial na América Latina. A lista foi elaborado pela Evident, plataforma independente especializada em inteligência e benchmarking de IA. 

Mais do que mostrar quem está na frente, o estudo sugere que a disputa pode estar ficando mais desigual. Segundo a Evident, a distância entre os líderes e os demais bancos continua aumentando e tende a ficar mais difícil de encurtar daqui para frente. 

"Nubank e Itaú foram apontados como líderes consolidados, se beneficiando de uma combinação rara de escala, infraestrutura digital e talento técnico que nenhum outro concorrente regional consegue igualar", afirmam os analistas. 

O Goldman Sachs tem recomendação de compra para as ações de ambas as instituições. 

A liderança não significa apenas investir mais em tecnologia. Segundo Alexandra Mousavizadeh, CEO e cofundadora da Evident responsável pelo índice, o diferencial está na capacidade de transformar inteligência artificial em ganhos concretos de produtividade e vantagem competitiva. 

Para Mousavizadeh, esse processo que depende menos de ferramentas e mais de pessoas, infraestrutura e estratégia. 

Nubank e Itaú na frente: o que separa os líderes dos rivais? 

A Evident afirma que o principal fator por trás da liderança em inteligência artificial não é o tamanho do orçamento destinado à tecnologia. 

O que mais pesa é a concentração de profissionais especializados em IA dentro das instituições. 

Na metodologia da Evident, a chamada densidade de talentos — a proporção de funcionários dedicados à inteligência artificial em relação ao total de colaboradores — responde sozinha por 45% da nota atribuída aos bancos. 

"O talento é considerado o principal fator determinante para a implementação bem-sucedida da IA no setor financeiro, representando 45% do Índice de IA da Evident e sendo visto como o melhor indicador para medir a capacidade de um banco de desenvolver, implementar e escalar aplicações de IA", afirma o Goldman Sachs. 

Os demais pilares do índice são inovação (30%), liderança (15%) e transparência (10%). 

Na avaliação da consultoria, a combinação entre profissionais qualificados e uma infraestrutura digital mais desenvolvida explica por que os bancos brasileiros dominam o ranking latino-americano. 

Brasil lidera corrida pela inteligência artificial na América Latina 

O levantamento coloca quatro bancos brasileiros nas primeiras posições. Quem lidera é o Nubank, seguido por ItaúBradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3)

Segundo o Goldman Sachs, um dos principais fatores para esse desempenho é o ecossistema brasileiro de tecnologia. 

"Um dos principais fatores que explicam essa tendência é o melhor acesso a pools de talentos. Isso acontece já que o Brasil possui um ecossistema mais desenvolvido de fintechs e startups de tecnologia com profissionais de IA e oferece a possibilidade de parcerias com universidades." 

Além da disponibilidade de profissionais especializados, a escala das instituições financeiras brasileiras e o grau de digitalização do setor também aceleram a adoção da tecnologia. 

Por que o Nubank larga na frente? 

Na visão da Evident, o Nubank larga em vantagem por uma razão estrutural. 

Como nasceu em ambiente digital, a fintech consegue incorporar inteligência artificial praticamente em todas as áreas do negócio. Por outro lado, os bancos tradicionais ainda precisam adaptar sistemas legados e promover mudanças culturais para escalar essa transformação. 

"O Nubank é um banco nativo em inteligência artificial", diz o Goldman, em relatório. 

Os analistas destacam que a liderança da fintech é sustentada tanto pela elevada concentração de profissionais especializados quanto pelo posicionamento de seu fundador e CEO, David Vélez. Ele colocou a IA no centro da estratégia do banco digital do cartão roxinho. 

Esse movimento já começa a aparecer na prática. Na semana passada, durante olançamento do segmento de média renda Croma, o vice-presidente do Nubank, Túlio Oliveira, afirmou que a inteligência artificial foi decisiva para acelerar o desenvolvimento da plataforma. 

Segundo ele, o projeto, que normalmente levaria meses e meses a fio para ser desenvolvido, foi entregue em um prazo significativamente menor. Isso foi possível graças ao uso intensivo da tecnologia. 

"O Nubank está olhando IA de uma forma muito estruturante. É uma vertente que percorre todo e qualquer layer [camada] institucional, seja vertical ou horizontal. Com toda certeza não acredito que a gente estaria aqui nesse timing se a gente não tivesse utilizado o que utilizamos de IA", afirmou. 

Corrida pela IA acontece longe da mira dos clientes 

Apesar dos investimentos bilionários anunciados pelo setor financeiro, a inteligência artificial ainda está concentrada, principalmente, nos bastidores das operações. 

Segundo a Evident, 85% dos casos de uso estão voltados para ganhos de eficiência interna. Em contrapartida, o desenvolvimento de produtos efetivamente baseados em IA para os clientes ainda engatinha. 

É justamente nessa segunda etapa que a disputa permanece aberta. 

Na avaliação do Goldman Sachs, o Nubank pode partir de uma posição mais favorável graças à sua estrutura digital. Porém, criar aplicações relevantes para o consumidor continua sendo um desafio tanto para fintechs quanto para bancos tradicionais. 

Vantagem dos líderes pode aumentar 

Para os analistas, existe um efeito que tende a reforçar ainda mais a vantagem dos líderes. 

Hoje, cerca de 86% do retorno sobre investimento em inteligência artificial vem de ganhos de produtividade. Isso é equivalente a uma economia de uma a duas horas de trabalho por funcionário a cada semana. 

Mas, em vez de usar esse ganho para reduzir equipes, os bancos mais avançados vêm reinvestindo os recursos para expandir ainda mais suas capacidades em IA. 

"Isso ainda não gera muitas preocupações quanto à redução de pessoal. Na verdade, os bancos mais bem classificados estão contratando de forma mais agressiva, preferindo reinvestir os ganhos de produtividade na expansão dos negócios e na aquisição de talentos", afirma o Goldman. 

Esse movimento cria um ciclo de retroalimentação. À medida que reduzem custos de atendimento por meio da inteligência artificial, os bancos líderes passam a ter mais recursos para investir em novas ferramentas. Além disso, podem contratar ainda mais especialistas. 

Enquanto isso, as instituições que ficaram para trás tendem a enfrentar custos estruturalmente mais elevados, reduzindo sua capacidade de acompanhar o ritmo dos concorrentes. 

"Essa diferença vem aumentando entre os bancos globais a cada ano e pode se tornar impossível de ser reduzida", dizem os analistas. 

Essa vantagem, porém, não é irreversível. Segundo a Evident, mudanças na liderança, na cultura organizacional, na alocação de recursos e na estratégia de contratação — inclusive buscando talentos em outros países ou transferindo equipes para polos globais de IA — ainda podem reduzir essa distância.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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