Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho e eleva preço-alvo; veja potencial
Mesmo após a derrota do trade eleitoral e a pressão sobre os papéis, corretora avalia que o mercado está subestimando a resiliência dos fundamentos e o potencial de crescimento do banco digital

O Nubank (NU) entrou no grupo de ações que mais se beneficiaram do chamado trade eleitoral, embalado pela expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Mas a maré virou rapidamente. Desde 23 de outubro, os papéis acumulam queda de cerca de 17%, acompanhando a reprecificação dos ativos que haviam surfado o otimismo com uma eventual mudança de governo.
Para a XP o movimento abriu uma oportunidade interessante para investidores.
A corretora elevou o preço-alvo da ação para US$ 17, o que representa potencial de valorização de 44% em relação ao fechamento da última sexta-feira (30). Na visão da casa, o mercado está cobrando um preço excessivamente baixo pelos ativos do banco digital.
Hoje, o Nubank negocia a 12 vezes o preço sobre lucro (P/L) e a três vezes o valor patrimonial, múltiplos que a XP considera incompatíveis com a qualidade do negócio e as perspectivas de longo prazo.
"Os fundamentos atuais são mais resilientes do que a precificação da ação parece sugerir", afirmam os analistas.
A aposta nos Estados Unidos
Um dos principais pontos de debate entre investidores é o custo da expansão internacional do Nubank, especialmente nos Estados Unidos.
A empresa vem acelerando sua presença no país e já lançou uma série de produtos, entre eles contas e cartões, para conquistar espaço em um dos mercados financeiros mais competitivos do mundo.
O plano deve exigir investimentos relevantes e pode pressionar os resultados no curto prazo. Ainda assim, a XP acredita que a iniciativa tem potencial para gerar valor no longo prazo.
Segundo a corretora, o Nubank pode encontrar uma combinação favorável entre um mercado bilionário e consumidores pouco atendidos pelos emissores tradicionais de crédito.
"Acreditamos que o modelo operacional de baixo custo do Nu e suas capacidades de concessão de crédito baseadas em dados podem proporcionar uma vantagem competitiva para atender esses clientes."
A casa reconhece desafios importantes no caminho, como a seleção de crédito, o custo de captação de recursos (funding), a aquisição de clientes e as exigências regulatórias.
Mesmo assim, vê a operação americana como uma das principais avenidas de crescimento da companhia nos próximos anos.
Juros altos não assustam
A XP também avalia que o Nubank está relativamente bem posicionado para enfrentar um ambiente econômico mais difícil.
Com a perspectiva de juros elevados por mais tempo, o mercado tem demonstrado preocupação com a qualidade das carteiras de crédito. O último Boletim Focus mostrou que a expectativa para a Selic em 2027 subiu de 11,75% para 12,50% ao ano.
Apesar disso, a corretora afirma que os indicadores de crédito do banco seguem saudáveis.
"Na nossa visão, a qualidade dos ativos permanece amplamente gerenciável, com métricas resilientes de crédito em cartões, tendências de migração estáveis, níveis robustos de provisão e margens ajustadas ao risco saudáveis."
Outro ponto destacado é o perfil da carteira de crédito do Nubank. Por trabalhar com operações de duração mais curta, o banco consegue ajustar sua exposição ao risco de forma mais rápida caso o cenário econômico se deteriore.
Para a XP, essa flexibilidade ajuda a proteger os resultados e reforça a tese de que a forte queda recente das ações pode ter sido exagerada.
