Nubank vai recomprar US$ 1 bilhão em ações: papel cai 35% no ano

A Nu Holdings, dona do Nubank, anunciou um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão, em um momento em que os papéis da companhia acumulam queda de 35,37% em 2026 e recuo de 12,32% nos últimos 12 meses.
O movimento foi aprovado pelo conselho de administração e será realizada ao longo de 12 meses, com início em 4 de junho, contemplando ações ordinárias Classe A. A companhia afirmou que a decisão faz parte de sua política de alocação de capital.
"As operações do Nu agora estão gerando capital de forma significativa, e o Conselho de Administração determinou que a recompra de ações da Companhia representa um uso atrativo desse capital", informou o banco na quinta-feira, 4.
A empresa também detalhou que os investimentos previstos para Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos permanecem inalterados. Os colchões de capital regulatório seguem, ainda, integralmente financiados.
Citi reduz preço-alvo, mas mantém "compra"
No início desta semana, o Citi reduziu o preço-alvo dos papéis de US$ 22 para US$ 18, mantendo a recomendação de "compra". Os analistas afirmaram que a estratégia do Nubank continua priorizando o crescimento da carteira de crédito e da receita líquida de juros.
O banco destacou ainda uma correlação próxima de 90% entre o crescimento da carteira e o custo de risco da instituição. Já o custo de risco deve permanecer elevado ao longo de 2026, embora em patamares inferiores aos registrados no primeiro trimestre do ano.
Os resultados mais recentes do Nubank mostraram lucro de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 41% em base neutra de câmbio. A receita total somou US$ 5,32 bilhões, superando pela primeira vez a marca de US$ 5 bilhões em um único trimestre.
Ao mesmo tempo, as provisões para perdas com crédito cresceram 38% na comparação trimestral. O saldo de provisões encerrou março em US$ 6,1 bilhões, aumento de US$ 799 milhões em relação ao fim de 2025.
Troca de CFO também entrou no radar
Outra mudança anunciada, recentemente, pela companhia foi a troca de diretor financeiro. Guilherme Lago deixará o cargo após cinco anos como CFO e passará a atuar como conselheiro especial da diretoria executiva e membro do comitê de auditoria e riscos. O período de transição seguirá até 31 de agosto.
Para a posição, o Nubank nomeou Rob Livingston, executivo que atuava como CFO da operação estadunidense da Visa. Ele assume o cargo em 13 de julho.
Em relatório divulgado após o anúncio, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) pontuou que recebeu um grande volume de mensagens de investidores sobre a mudança. O banco destacou que Livingston possui mais de três décadas de experiência no setor financeiro.
O BTG, porém, retirou o Nubank de sua carteira recomendada para junho e incluiu o Itaú Unibanco no lugar. Apesar da alteração, o banco informou que mantém recomendação de "compra" para os papéis da fintech, com preço-alvo de US$ 21.
*Com informações de Mitchel Diniz
