Número de brasileiros que já investiram em criptomoedas supera torcida do Corinthians, diz Datafolha
Criptoativos são o quinto investimento mais popular do país, superando em muito as ações, mas ainda bem abaixo da caderneta de poupança

A segunda edição da pesquisa Datafolha e Paradigma sobre o setor de criptoativos brasileiro mostrou que o número de pessoas que já investiram em criptomoedas no país chegou a 29 milhões em 2026. Isso é mais do que o tamanho da torcida do Corinthians, a segunda maior do país, com 25 milhões de torcedores.
De acordo com o estudo, em torno de 17,2% dos brasileiros já investiu ou investe atualmente em criptomoedas, o que torna essa categoria de investimento a quinta colocada na preferência do país. O percentual oscilou dentro da margem de erro em relação ao ano passado, quando era 16%.
Popularidade dos investimentos dos brasileiros
Em primeiro lugar, continua a liderar isoladamente a caderneta de poupança, na qual 57,1% das pessoas declararam já ter investido, ante 52% na edição passada.
Na sequência vêm os imóveis (34%, era 31%), dinheiro no colchão (30,5%, era 24%) e fundos de investimento (26,1%, era 19%). Atrás das criptomoedas, por sua vez, estão os títulos públicos ou CDBs (15,1%, era 12%), dólar e outras moedas (14%, mantendo-se estável), ouro (9,8%, estável) e ações (7,4%, era 6%).
Isso significa que a proporção de brasileiros em cripto é 2,3 vezes maior do que a de investidores na bolsa de valores.
Mercado masculino e dos mais pobres
No recorte por renda, a pesquisa revelou que os mais pobres são os que mais investem em ativos digitais. A faixa de renda em que mais pessoas investiram em criptomoedas é a de um a dois salários mínimos, com 31,9% das respostas. Em seguida vem a categoria de até um salário mínimo, com 31,6%. Atrás delas vêm as faixas de dois a três salários mínimos (14,2%); de três a cinco salários (11,8%); e, por último, a de mais de cinco salários mínimos (10,6%).
Investimento em cripto por faixa de renda
Ao mesmo tempo em que é um mercado dominado por investidores de baixa renda, o setor de criptomoedas também é predominantemente masculino. A pesquisa mostra que 74,6% dos homens conhecem moedas digitais, contra 58,9% das mulheres. Os homens que conhecem e investem em cripto são 23,6%, mais que o dobro das mulheres (11,3%).
No quesito escolaridade, o maior crescimento no conhecimento sobre cripto foi entre quem tem apenas o fundamental completo, saindo de 25,9% na pesquisa do ano passado para 38% na edição atual. Entre quem tem ensino médio completo, o conhecimento subiu de 65,4% para 76%, e para quem tem ensino superior saiu de 84,1% para 89,7%.
Politicamente, a maior parte dos investidores cripto estão alinhados ao máximo à direita (22,3%) ou ao centro (21,6%). A faixa de centristas é bastante superior à da média da população, que soma 15,5%.
Posicionamento politico dos criptoentusiastas
Além disso, por volta de dois terços dos investidores de criptomoedas acham importante “votar em um deputado ou senador comprometido a defender os direitos de quem tem cripto”. Dentre aqueles que fazem autocustódia em carteiras digitais em vez de manter moedas digitais na corretora, esse fator político é ainda mais preponderante, sendo citado como importante por 89,6%.
Custódia e diversificação
Em relação à custódia, 83% dos investidores respondeu que colocou dinheiro em criptomoedas por meio do aplicativo do banco. Só 26% afirmou ter carteiras próprias para isso, enquanto 20% disse investir via corretora cripto e 18% se expuseram a ativos digitais via fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês).
Por volta de 59% daqueles que conhecem criptomoedas disseram que acreditam que elas são uma boa forma de diversificar investimentos, mas 77% consideram que a tecnologia é muito complexa e 42% admitiram que não entendem o tema o suficente.
A pesquisa foi realizada com 2.004 entrevistados em 137 municípios em todas as regiões do país entre 11 e 14 de maio deste ano. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O estudo foi patrocinado pela corretora de criptomoedas norte-americana Coinbase e pela gestora brasileira focada em ativos digitais Hashdex.
