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28/09/2026
6 min

Nvidia pode gastar quase duas Petrobras só em recompra de ações: entenda

Programa que autoriza recompras até janeiro de 2028 chega a US$ 235 bilhões e supera recorde da Apple

Nvidia pode gastar quase duas Petrobras só em recompra de ações: entenda
  • A Nvidia ampliou em US$ 150 bilhões seu programa de recompra de ações, o maior aumento do tipo já aprovado por uma empresa americana, acima dos US$ 110 bilhões autorizados pela Apple em 2024.
  • Com o reforço, a companhia pode recomprar até US$ 235 bilhões em papéis até o fim do ano fiscal de 2028, que termina em janeiro daquele ano
  • As ações subiam mais de 3% nesta segunda-feira; o papel negocia a cerca de 16,5 vezes o lucro projetado, menor múltiplo desde 2015

A Nvidia anunciou nesta segunda-feira, 28, que seu conselho de administração aprovou um acréscimo de US$ 150 bilhões ao programa de recompra de ações. É o maior aumento de autorização do tipo na história corporativa dos Estados Unidos, acima dos US$ 110 bilhões aprovados pela Apple em 2024.

Com o reforço, a fabricante de chips passa a ter autorização para recomprar até US$ 235 bilhões em ações. A companhia espera concluir o programa até o fim do ano fiscal de 2028, que se encerra em janeiro daquele ano.

O valor total equivale a cerca de R$ 1,2 trilhão, considerando o dólar a R$ 5,20 nesta segunda-feira. É quase o dobro do valor de mercado da Petrobras, a maior empresa da bolsa brasileira, que hoje é de R$ 667,31 bilhões. Só o acréscimo de US$ 150 bilhões, de cerca de R$ 780 bilhões, já supera o valor da estatal.

As ações da Nvidia chegaram a subir mais de 3% nas primeiras horas do pregão em Nova York. No ano, o papel acumula alta de cerca de 20%, e a empresa, a mais valiosa do mundo, vale aproximadamente US$ 5,4 trilhões na bolsa.

Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, a valorização passa de 1.200%.

Caixa para investir e devolver aos acionistas

Em comunicado, o cofundador e CEO Jensen Huang afirmou que o crescimento da Nvidia é impulsionado por uma mudança de plataforma "que acontece uma vez a cada geração", em direção à inteligência artificial e à computação acelerada.

"Nossa geração de caixa nos dá capacidade de investir nas tecnologias que fazem avançar essa transformação e de devolver capital aos acionistas", disse. Segundo ele, a autorização reflete a confiança da empresa na oportunidade de longo prazo.

Em entrevista à CNBC, Huang afirmou que o mundo atravessa a maior construção de infraestrutura da história da humanidade e que a Nvidia ocupa uma posição central nesse processo. O executivo disse ainda que a companhia vai gerar muito caixa nos próximos anos e que pretende devolver esses recursos aos acionistas ano após ano.

A Nvidia gerou quase US$ 100 bilhões em fluxo de caixa livre no ano fiscal encerrado em janeiro. As estimativas de consenso compiladas pela Visible Alpha, da S&P Global, projetam que o número mais que triplique, para US$ 329 bilhões, no ano fiscal de 2028. O lucro líquido deve mais que dobrar, para US$ 245 bilhões, no ano fiscal corrente e chegar a US$ 387 bilhões no seguinte. Ao fim do trimestre encerrado em julho, a empresa tinha US$ 22,44 bilhões em caixa e equivalentes.

No segundo trimestre fiscal, a receita somou US$ 96,2 bilhões, alta de 106% na comparação anual. No mês passado, a Nvidia projetou crescimento de cerca de 70% nas receitas do ano fiscal de 2028, e, neste mês, Huang afirmou que a empresa vai dobrar o número de chips vendidos em 2027.

A demanda segue sustentada pela corrida das big techs por infraestrutura de IA. A S&P Global Ratings estima que os investimentos combinados dos grandes provedores de nuvem superem US$ 1,3 trilhão até 2027, enquanto o Goldman Sachs projeta que os aportes em IA ultrapassem US$ 1 trilhão já neste ano.

Múltiplo no menor nível em mais de uma década

O anúncio chega em um momento em que as ações da Nvidia negociam a cerca de 16,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o menor múltiplo desde janeiro de 2015 e bem abaixo da média de 30 vezes dos últimos 15 anos, segundo dados da LSEG.

De acordo com a Reuters, parte dos analistas interpreta o desconto como sinal de que o mercado espera um ritmo menor de crescimento dos lucros.

O desempenho do papel em 2026 foi mais volátil do que nos anos anteriores. Em março, as ações chegaram a acumular queda no ano em meio a temores sobre custos de energia e inflação, antes de um rali que recolocou a empresa no topo do ranking de valor de mercado.

O Financial Times observa que grandes autorizações de recompra costumam indicar que a gestão considera as ações subavaliadas, mas que, em companhias grandes e consolidadas, também tendem a acompanhar uma desaceleração do crescimento.

Foi o caso da Apple em 2024, quando as vendas do iPhone perdiam fôlego. No caso da Nvidia, pondera o jornal, as receitas seguem em forte expansão.

O acréscimo de US$ 150 bilhões supera o valor de mercado de cerca de 84% das empresas do S&P 500, segundo dados compilados pela LSEG. O movimento também vai na contramão do mercado americano, onde as recompras de ações caíram cerca de 50% entre julho e 23 de setembro, segundo a Reuters.

A Nvidia tem investido em startups de IA e em provedores de nuvem, o que atrai questionamentos de parte dos investidores sobre se esses aportes acabam sustentando, de forma indireta, a demanda pelos próprios chips da companhia.

Perguntas frequentes

O que é recompra de ações?

A recompra de ações, ou buyback, é uma operação em que a empresa usa o próprio caixa para comprar ações dela mesma negociadas na bolsa. Os papéis recomprados podem ser mantidos em tesouraria ou cancelados.

Nos Estados Unidos, o conselho aprova um teto de recursos, e a companhia decide o ritmo das compras ao longo do prazo definido, sem obrigação de usar todo o valor autorizado.

Por que a Nvidia está recomprando ações?

A empresa gera caixa em volume suficiente para seguir investindo em novas tecnologias e, ao mesmo tempo, devolver capital aos acionistas, segundo Jensen Huang.

O CEO também apresenta a decisão como um sinal de confiança na demanda de longo prazo por inteligência artificial. O anúncio acontece com as ações negociando no menor múltiplo de preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses em mais de uma década.

Recompra é bom ou ruim para o preço de uma ação?

Em geral, o mercado recebe bem os programas de recompra. Com menos ações em circulação, o lucro passa a ser dividido por um número menor de papéis, o que eleva o lucro por ação. A própria compra também cria demanda adicional na bolsa.

Por outro lado, a recompra consome recursos que poderiam ir para expansão, pesquisa ou redução de dívida, e em empresas maduras pode sinalizar que há menos oportunidades de crescimento à vista.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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