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Sacre Investimentos
Exame INACS
26/10/2026
3 min

O aporte de US$ 1,85 bilhão que está na mesa da Braskem

Grupo de credores quer compromisso dos acionistas e conversão de dívida em ações; negociações foram prorrogadas até 30 de outubro

O aporte de US$ 1,85 bilhão que está na mesa da Braskem

A Braskem e seus credores terão até sexta-feira, 30, para chegar a um acordo sobre areestruturação da dívida da petroquímica. O prazo foi prorrogado pelo comitê que representa parte dos credores, em meio às negociações com a companhia e seus principais acionistas, a Petrobras e o fundo Shine I, assessorado pela IG4.

A temperatura dos próximos dias será ditada pelas conversas sobre o aporte de capital. Em manifestação, a primeira desde o início da negociação, os credores pedem um compromisso de US$ 1,85 bilhão dos acionistas. Na proposta apresentada pela Braskem, na sexta-feira, 23, a petroquímica sinalizou aporte de até US$ 1,7 bilhão, a ser desembolsado em parcelas. 

Além disso, os investidores também propõem converter US$ 1,85 bilhão em dívidas em ações no fechamento da operação. Somada ao aporte, a conversão reduziria o endividamento líquido em pelo menos US$ 3,7 bilhões, segundo o comitê. Com isso, a alavancagem ficaria abaixo de três vezes o Ebitda médio ao longo do ciclo.

Pedido na mesa

A proposta dos credores prevê ainda a possibilidade de converter outros US$ 500 milhões em dívidas em ações até junho de 2029, caso a companhia não se mantenha abaixo da meta de alavancagem líquida de quatro vezes. O grupo também pede o direito de aprovar investimentos relevantes, incluindo o projeto Transforma Rio, que prevê a expansão industrial da Braskem na unidade localizada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

No fim de semana, a Braskem informou que nenhuma das propostas apresentadas havia sido aceita e que ainda não havia acordo sobre os termos da reestruturação. A companhia afirmou que continuaria as negociações com os investidores e demais credores financeiros.

A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial em agosto para renegociar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. No balanço do segundo trimestre, a companhia havia informado dívida bruta corporativa de US$ 10,3 bilhões e dívida líquida ajustada de cerca de US$ 9,4 bilhões, excluídas as dívidas da Braskem Idesa e da TQPM.

O aporte dos acionistas tem sido um dos pontos mais sensíveis da negociação. Os credores haviam pedido inicialmente US$ 3 bilhões, valor que encontrou resistência. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já disse que a estatal não pretende colocar dinheiro sozinha na petroquímica nem aumentar sua participação sem uma contribuição equivalente de outros investidores.

Segundo o comitê de credores, as duas propostas apresentadas reconhecem que um aporte relevante dos acionistas será parte do acordo.

AutorPedro Gil
FonteExame
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