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InvestMercadosACS
31/07/2026
5 min

O balanço da Vale foi bom ou ruim? Veja o que dizem os analistas

Empresa de maior peso do Ibovespa divulgou resultados e anunciou dividendos

O balanço da Vale foi bom ou ruim? Veja o que dizem os analistas

A última linha do balanço da Vale (VALE3) no segundo trimestre de 2026 não acompanhou o avanço no operacionao. O lucro líquido caiu 35% na comparação anual, para US$ 1,375 bilhão, puxado por efeitos não recorrentes.

Por outro lado, a companhia entregou a maior produção de minério de ferro para um segundo trimestre desde 2018 e o melhor 2º tri de cobre desde 2017, com força dos metais básicos. O EBITDA avançou 19% no ano, a empresa registrou forte geração de caixa e anunciou R$ 8,64 bilhões em proventos.

Se o balanço foi bom ou ruim vai depender, justamente, em qual aspecto do balanço o investidor vai focar.

A seguir, um resumo do que BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Citi, Itaú BBA e Eleven Financial pensam sobre o balanço.

Um resultado operacional forte

O consenso entre as quatro casas começa no EBITDA. A métrica somou US$ 4,066 bilhões, alta de 19% na comparação anual, com margem estável em 39%. Todos os relatórios trataram o número como sólido e acima do esperado.

A receita líquida acompanhou o movimento, com alta de 19%, para US$ 10,498 bilhões, sustentada por preços realizados mais altos em todas as commodities do portfólio e por maiores volumes de vendas.

Cobre e o níquel puxaram o resultado

As quatro análises convergem sem ressalvas sobre o desempenho da divisão de metais básicos da companhia. O EBITDA ajustado do segmento saltou 79% no ano, para US$ 1,3 bilhão.

O BTG destacou que foram os metais básicos que sustentaram que foi por causa deles que a Vale conseguiu bater expectativas para o trimestre. O preço realizado de cobre subiu 57% em um ano e os embarques foram recordes. O custo all-in ficou negativo.

Os analistas citam a revisão do guidance de produção para cima como sinal de confiança da companhia. A Vale também reduziu as estimativas de custo das operações de cobre e níquel. Para o BTG, o pipeline de crescimento em cobre segue subvalorizado nas ações, que ainda negociam como uma "pure play" de minério de ferro.

Onde mora a preocupação: os custos do minério de ferro

Ao mesmo tempo, as mesmas quatro casas apontaram a revisão para cima do guidance de custos do minério de ferro como o principal ponto de atenção do balanço.

A Vale elevou a projeção do custo para uma faixa entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada, e o custo all-in para US$ 58 a US$ 62 por tonelada.

O Itaú BBA foi o que mais chamou atenção para a magnitude da revisão, lembrando que o guidance partiu de uma estimativa anterior de US$ 20,0 a US$ 21,5 por tonelada. O Citi, embora tenha reconhecido a alta, ponderou que o custo all-in do trimestre ficou até abaixo de suas próprias expectativas.

Para o BTG , o mercado já vinha precificando um cenário de custos mais desafiador, e a atualização do guidance na verdade remove um fator de incerteza que pesava sobre o apetite dos investidores pela ação.

A geração de caixa e o retorno ao acionista

O anúncio de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio, somado a um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, foi bem recebido pelas quatro casas. O BTG projeta um retorno total ao acionista de 8% a 9% em 2026 entre proventos e recompras.

A distribuição aprovada corresponde a R$ 8,64 bilhões, ou R$ 2,030721898 por ação, combinando JCP e dividendos. Terão direito os acionistas com papéis no fechamento do pregão de 11 de agosto; a partir de 12 de agosto, as ações passam a ser negociadas ex-dividendo, com pagamento previsto para 2 de setembro.

A grande divergência: comprar ou ficar neutro?

Na recomendação final, as visões se separam. No campo mais otimista, Citi e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra. O Citi elevou o preço-alvo do ADR para US$ 18, ante os US$ 14,99 de referência, o que embute potencial de valorização de 20,1%, ou 26,8% considerando os dividendos.

O Itaú BBA fixou preço-alvo de US$ 19 para o ADR e de R$ 95 para a ação na B3, um upside de cerca de 26,7%. Ambos sustentam a tese na combinação de qualidade operacional, forte geração de caixa e crescente participação de cobre e níquel nos resultados.

O BTG Pactual também manteve recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 18 para o ADR. A casa vê o recuo de cerca de 15% das ações desde as máximas de abril como um ponto de entrada mais atrativo e considera que a atualização do guidance deu ao mercado maior confiança na execução da companhia. Ainda assim, ponderou não enxergar uma assimetria relevante no curto prazo nem catalisadores óbvios à frente.

Na ponta mais cautelosa ficou a Eleven Financial, que manteve recomendação neutra para VALE3, com preço-alvo de R$ 94,40 e upside de 24,1%. Para a casa, a tese segue condicionada a um cenário de preços do minério de ferro relativamente estáveis e a custos de produção mais pressionados, fatores que devem atenuar a reprecificação da ação, mesmo com o balanço sólido e o compromisso da companhia com a remuneração aos acionistas.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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