O Bradesco rompeu uma tradição de 80 anos. E quem tem 32 de casa precisou aprender a competir

Em 2024, o Bradesco encerrou um modelo que durou 80 anos: a carreira fechada, em que todo funcionário entrava como escriturário e subia degrau a degrau, sem contratações externas para compor posições. Para Wellington Cantelli, gerente sênior com 32 anos de casa, a decisão representa uma ruptura de proporções raras no ambiente corporativo brasileiro.
"É a maior mudança cultural, provavelmente, de uma empresa aqui no Brasil", diz o executivo, que atua nas áreas de riscos do negócio e cartão de crédito.
O que ele não imaginava é que, quando a virada chegasse, já estaria preparado. Entre 2023 e 2024, Cantelli cursou o MBA Executivo da Saint Paul Escola de Negócios, com módulo internacional na ESMT Berlin, na Alemanha. A formação, escolhida quase por instinto, considera que tenha virado vantagem competitiva no novo cenário do banco.
O banco que sempre cresceu em carreira fechada
Economista formado, com mestrado em administração estratégica, Cantelli construiu toda a trajetória dentro da organização, incluindo um período entre 2012 e 2018 em uma financeira do próprio grupo. A lógica era a mesma para todos: entrar na base e galgar posições internamente, no ritmo que a estrutura permitisse.
A abertura da carreira mudou as regras. Hoje, o Bradesco contrata no mercado como qualquer outra empresa, movimento que Cantelli compara ao que a Vale também atravessa. Para quem cresceu no sistema antigo, isso significa disputar espaço com profissionais que chegam de fora já selecionados por competências que o modelo fechado nem sempre exigia.
A fisgada de Berlim
A decisão de voltar a estudar veio antes da mudança do banco. Professor de finanças e economia por oito anos, Cantelli já conhecia a Saint Paul dos tempos de docência, mas foi o desenho do MBA Executivo que o convenceu.
O ponto de virada na escolha foi o módulo internacional em Berlim, polo importante no cenário global dedicado à inovação, liderança e empreendedorismo.
Com a bagagem técnica de mestre e professor, ele reconhece que o conteúdo de finanças e governança foi o que mais aproveitou entre as disciplinas, além das aulas de economia com José Cláudio Securato. "Sendo economista e dando aula de economia, ouvi-lo com o conhecimento que ele tem foi super bacana", relembra.
Onde o veterano realmente evoluiu
O maior ganho, porém, não veio da técnica. "O que realmente me desenvolveu com a Saint Paul foram as soft skills", diz Cantelli. Liderança e inovação, trabalhadas ao longo do programa e aprofundadas no módulo alemão, preencheram justamente a lacuna que precisava.
Wellington Cantelli, gerente sênior do Bradesco
Quando o banco abriu as portas, essa preparação ganhou urgência prática. "Os profissionais que estão vindo de fora chegam com essa preparação, porque a seleção no mercado passa por isso. Para me manter “empregável”, eu teria que ter uma adaptação, afirma.
A transformação, batizada internamente de movimento SOU Bradesco, completou um ano e segue redesenhando comportamentos e mentalidades em toda a organização.
Depois de 32 anos subindo degraus por dentro, Cantelli descobriu que a forma de permanecer era estar alinhado com o mercado.
