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Sacre Investimentos
EmpresasACS
14/10/2026
4 min

O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio

A disparada das ações financeiras não beneficiou todos da mesma forma. Veja onde os investidores enxergam mais potencial e quais nomes geram dúvidas

O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio

A bolsa brasileira está em clima de festa com o rali eleitoral, mas nem todo mundo caiu nas graças dos investidores. No setor financeiro, enquanto bancos digitais e empresas de mercado de capitais roubam a cena, alguns bancões tradicionais ficam de escanteio — e o Bradesco (BBDC4) está entre os que perderam espaço na lista de favoritos para surfar a onda de otimismo, segundo levantamento do BTG Pactual. 

O desempenho de Flávio Bolsonaro nas eleições, com o segundo turno marcado para 25 de outubro, ajudou a alimentar as apostas em uma agenda econômica mais favorável ao mercado.  

Na semana, o Ibovespa avançou 14% em dólares, enquanto o setor financeiro acumulou alta de 22%.  

Mas os ganhos foram bastante desiguais. Os bancos digitais dispararam 37%, seguidos pelas empresas de mercado de capitais, com valorização de 36%, e pelas companhias de pagamentos, que subiram 27%. 

Na outra ponta, os bancos tradicionais avançaram 15%, enquanto as seguradoras tiveram o desempenho mais modesto, com alta de 8%. 

A diferença também aparece nas conversas com investidores, segundo o BTG. Muitos já estavam posicionados em empresas do mercado de capitais antes das eleições e agora avaliam se é hora de embolsar os lucros ou procurar novas oportunidades. 

O que os investidores esperam do 2º turno das eleições 

Para os mais otimistas, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria espaço para reformas econômicas, juros mais baixos e fortalecimento do real.  

Nesse cenário, o rali atual poderia ser apenas o começo de um ciclo mais longo de valorização, sustentado pela retomada dos investimentos, pela recuperação do mercado de capitais e por revisões positivas nas projeções de lucro das empresas. 

Os mais cautelosos, por sua vez, questionam quanto desse potencial já foi incorporado aos preços e se a agenda econômica prometida conseguiria sair do papel.  

Também há dúvidas sobre a duração da "lua de mel” do mercado com um eventual novo governo. 

Ainda assim, o BTG afirma que não encontrou investidores pessimistas em relação ao cenário doméstico.  

Na avaliação dos analistas, há um entendimento disseminado de que as perspectivas econômicas seriam mais favoráveis sob um eventual governo Bolsonaro do que sob a atual administração. 

A lista de favoritos do mercado para o rali da bolsa 

Na disputa pelas oportunidades do setor financeiro, as empresas de mercado de capitais têm levado vantagem sobre os bancos tradicionais. A expectativa de reavaliação das ações e de revisões para cima nas estimativas de lucro ajuda a explicar essa preferência dos investidores. 

A XP (XPBR31) aparece entre os nomes mais bem cotados, à frente da B3 (B3SA3) nas preferências dos investidores consultados pelo BTG.  

O próprio BTG Pactual (BPAC11) também figura entre as ações amplamente presentes nas carteiras, embora seu valuation — de 3,6 vezes o valor patrimonial dos últimos 12 meses — já provoque discussões sobre o espaço para novas altas. 

Entre os bancos tradicionais, o Itaú Unibanco (ITUB4) segue como o preferido. O sentimento em relação ao segmento, porém, é mais moderado, diante do potencial considerado limitado para revisões das estimativas de lucro em 2027. 

O Nubank (ROXO34) também despertou interesse. Depois de apresentar desempenho inferior ao do mercado no acumulado do ano, o banco digital teve seu prêmio de valuation reduzido, o que abriu espaço para novas avaliações.  

Já o Bradesco (BBDC4) enfrenta maior ceticismo entre os investidores ouvidos pelo BTG. As ações do banco de Osasco inclusive acumulam alta de apenas 8% na bolsa brasileira desde o início do rali eleitoral. 

Inter e Porto Seguro entram no radar 

A busca por oportunidades não se limita às grandes companhias. Entre as empresas de média capitalização, Inter (INBR34) e Porto Seguro (PSSA3) aparecem como favoritas, apoiadas em valuations considerados atraentes e perspectivas de crescimento no longo prazo. 

Stone e PagSeguro também podem se beneficiar de juros mais baixos, que tendem a aliviar despesas financeiras e favorecer os resultados.  

Nesse caso, porém, a concorrência e a capacidade de execução dos planos de negócios continuam entre as principais preocupações dos investidores. 

Na outra ponta, PicPay (PICS), Banrisul (BRSR6) e ABC Brasil (ABCB4) permaneceram fora do centro das discussões.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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