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Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
07/11/2026
4 min

O Brasil deve protagonizar o Mercado de Capitais Digital

Os controles fazem parte do registro de cada etapa, da qualificação do ativo à liquidação, e permitem acompanhar as responsabilidades dos participantes

O Brasil deve protagonizar o Mercado de Capitais Digital

Por Cássio J. Krupinsk*

A próxima etapa da tokenização no Brasil deve ser medida pela capacidade de tornar o mercado de capitais mais eficiente. Uma operação digital precisa ser viável para quem busca financiamento e verificável para quem fornece capital. Essa é a proposta do Mercado de Capitais Digital.

O Mercado de Capitais Digital corresponde à digitalização do mercado regulado, com seus instrumentos, regras e responsabilidades. A tecnologia muda a forma de executar as operações, enquanto a identificação do emissor, a custódia, a escrituração e a divulgação de informações continuam sendo partes essenciais dessa estrutura.

O ecossistema cripto demonstrou possibilidades técnicas, como rastreabilidade de ponta a ponta, programabilidade e liquidação mais eficiente. A aplicação desses recursos aos instrumentos do mercado de capitais deve acompanhar a governança que cada operação exige. Essa combinação representa uma oportunidade para o Brasil assumir protagonismo.

Uma operação estruturada envolve despesas com estruturação jurídica, veículos, prestadores de serviços, distribuição e controles. Parte desses custos existe independentemente do valor da captação. Isso estabelece um patamar mínimo para que a operação faça sentido econômico.

Quando esse custo pesa demais, uma operação pode ficar fora do mercado mesmo tendo lastro e capacidade de pagamento. O problema, nesse caso, está na relação entre o valor que se pretende captar e a despesa necessária para acessar o capital.

Uma base integrada de originação, estruturação, emissão, registro, distribuição e liquidação pode reduzir os custos de execução. Com isso, o valor mínimo necessário para justificar a estrutura também pode cair. Essa integração pode ampliar o espaço para operações hoje limitadas pelo custo de acesso ao mercado.

Por isso, a expansão do Mercado de Capitais Digital está ligada à eficiência. O amadurecimento da infraestrutura pode criar condições para que mais operações se tornem viáveis. Essa mudança pode beneficiar quem precisa de financiamento e quem estrutura a conexão com os investidores.

Compliance precisa acompanhar toda a operação

Nesse modelo, o compliance acompanha a operação desde a origem. Os controles fazem parte do registro de cada etapa, da qualificação do ativo à liquidação, e permitem acompanhar as responsabilidades dos participantes durante a execução.

A programabilidade precisa refletir as regras do instrumento e da operação. A rastreabilidade, por sua vez, deve permitir a verificação do que foi executado. É essa relação entre documentação, controles e registros que dá utilidade à camada tecnológica.

O emissor continua responsável pelo ativo. As atividades sujeitas à autorização regulatória permanecem sob a responsabilidade das instituições autorizadas que as desempenham. Custódia, escrituração e divulgação de informações seguem compondo a estrutura que sustenta a confiança na operação.

A integração dos controles é um dos pontos centrais da digitalização. Ela pode melhorar a visibilidade para reguladores e investidores e facilitar a prestação de contas. Também permite que a qualidade da execução e a responsabilidade de cada instituição sejam verificadas ao longo do processo.

Dados do Google Analytics da BlockBR, referentes a setembro e outubro de 2026, mostram mais de 1,5 milhão de acessos internacionais aos conteúdos educativos da companhia sobre o tema. A audiência inclui acessos de dezenas de países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Índia e Argentina.

Os assuntos mais procurados envolvem tokenização de ativos, ativos reais, estruturas de crédito e a arquitetura regulada das operações. Essa procura sugere interesse pela forma como o Brasil digitaliza seu mercado de capitais.

Esse interesse merece uma resposta em operações bem estruturadas. O espaço de referência depende da capacidade de mostrar como a execução digital pode reduzir barreiras de custo e tornar os controles verificáveis desde a origem. O protagonismo exige qualidade nas operações colocadas em funcionamento.

O Brasil pode ser reconhecido por um mercado digital em que o custo de estruturar deixe de excluir boas operações e em que as responsabilidades possam ser verificadas durante toda a execução. Esse padrão pode transformar interesse internacional em referência para o setor.

*Cássio J. Krupinsk é fundador e CEO da fintech BlockBR

AutorDa Redação
FonteExame
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