O brasileiro que está entre os nomes do grupo de trabalho do Fed, nos EUA

O presidente do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), Kevin Warsh, anunciou a criação de cinco grupos de trabalho externos para ajudar na revisão das políticas e da atuação do banco central dos Estados Unidos. E um brasileiro está em uma das equipes, oex-presidente do Banco Central do Brasil, Arminio Fraga.
Os times reúnem grandes nomes da economia e de grandes empresas de tecnologia, os quais devem apresentar recomendações para o Fed até o fim de 2026.
O grupo que mais chama atenção é o responsável por estudar os impactos da inteligência artificial sobre a produtividade, o emprego e o crescimento da economia americana. A equipe será liderada pelo cofundador da gestora Andreessen Horowitz, Marc Andreessen, pela CEO da divisão Xbox, da Microsoft, Asha Sharma, e pelo economista e professor da Universidade Stanford, Charles I. Jones.
Andreessen é um dos maiores defensores da IA no Vale do Silício, enquanto Sharma lidera uma das principais áreas de tecnologia da Microsoft. A expectativa é que o grupo ajude o Fed a entender como essas mudanças podem afetar a economia nos próximos anos.
Outro painel será responsável por revisar a forma como o Fed mede e interpreta a inflação. Entre os integrantes estão o vencedor do Nobel de Economia em 2011, Thomas Sargent, o professor de Harvard, Gregory Mankiw, e o ex-economista-chefe do Bank for International Settlements (BIS), William White.
O objetivo é avaliar se o atual modelo usado pelo banco central continua adequado diante das transformações da economia. Warsh já afirmou que considera necessário repensar alguns dos critérios adotados pelo Fed, em meio ao receio crescente de uma inflação devido à guerra no Irã.
Um terceiro grupo vai analisar como o Fed deve administrar seu balanço patrimonial, que reúne os ativos comprados pelo banco central ao longo dos últimos anos. Warsh já criticou diversas vezes o tamanho do balanço do banco central após as medidas adotadas durante a crise financeira e a pandemia. A equipe será liderada pela economista de Harvard e ex-integrante do Tesouro estadunidense, Karen Dynan; o ex-presidente do banco central da Índia, Raghuram Rajan; e o ex-diretor do próprio Fed, Jeremy Stein.
O quarto grupo terá a missão de sugerir melhorias na forma como o Fed coleta e utiliza dados para acompanhar a economia americana. Participam da equipe o ex-CEO do Walmart, Doug McMillon, o professor de Harvard conhecido pelo uso de grandes bases de dados em pesquisas econômicas, Raj Chetty, e o economista da Universidade de Chicago, Kevin Murphy.
A presença de McMillon busca trazer ao debate uma visão mais próxima da realidade das empresas e dos consumidores, complementando a análise feita pelos economistas, de acordo com o Business Insider.
Brasileiro no Fed
A forma como o Fed se comunica com investidores e com o público também será revisada através de um último grupo, este com a presença de um brasileiro.
A ideia é discutir se os comunicados do banco central e as sinalizações sobre os próximos passos da política monetária podem ser simplificados. O grupo será comandado pelo ex-executivo do Fed de Nova York, Peter Fisher; pelo ex-presidente do Banco Central do Brasil, Arminio Fraga; e pelo ex-presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King.
Fraga ganhou destaque público ao assumir a presidência do Banco Central do Brasil entre 1999 e 2002, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele entrou no cargo em um momento de intensa turbulência econômica, logo após o país abandonar o regime de câmbio fixo.
Sua gestão foi marcada por duas frentes cruciais: a implementação do regime de metas de inflação, que se tornou pilar da política monetária brasileira até hoje, e a estabilização do mercado, com sua nomeação ajudando a acalmar investidores estrangeiros e a conter a forte desvalorização do real.
Após deixar o BC, Arminio construiu uma carreira no setor financeiro e acadêmico. Em 2003, fundou a Gávea Investimentos, atuando com macro hedge funds e private equity. Nos anos 1990, trabalhou em Nova York como diretor-geral da Soros Fund Management, gerindo fundos de um dos maiores investidores globais.
