O céu é o limite? Pizza Prime fatura R$ 1,6 milhão com 324 mil fatias em voos da Azul
Parceria começou como teste em 2025, virou um novo canal de vendas para a rede de mais de 100 pizzarias e deve ganhar espaço em voos nacionais e internacionais em 2027

RESUMO +
A rede de pizzarias Pizza Prime faturou R$ 1,6 milhão ao servir mais de 324 mil fatias em voos da companhia aérea Azul desde maio de 2025. Com mais de 100 unidades e faturamento informado de R$ 200 milhões em 2026, a rede planeja dobrar as entregas e ampliar a operação para mais voos nacionais e internacionais em 2027.
O mercado de pizzarias está acostumado a disputar clientes nos aplicativos de delivery, nos salões e nas ruas. Mas uma rede brasileira encontrou um novo lugar para vender suas pizzas, a milhares de metros de altura, dentro de aviões comerciais.
A Pizza Prime, rede fundada por Gabriel Concon, transformou os voos internacionais da Azul em um novo canal de vendas. Desde o início da parceria, em maio de 2025, a empresa já serviu mais de 324 mil fatias de pizza a bordo, operação que acrescentou 1,6 milhão de reais às vendas da marca.
A operação começou como um teste de dois meses em voos para os Estados Unidos. A proposta inicial era distribuir 36 mil fatias. Um ano depois, a parceria ganhou escala e passou a atender também passageiros com destino à Europa, transformando os aviões em mais um canal de consumo para a marca.
“Quando começamos o projeto, sabíamos que era uma experiência diferente tanto para a Pizza Prime quanto para os passageiros. O retorno que recebemos mostrou que havia espaço para esse tipo de inovação e nos permitiu transformar um projeto-piloto em uma parceria de longo prazo”, afirma Gabriel Concon, fundador e CEO da Pizza Prime.
Agora, o empresário quer levar a operação ainda mais longe. A meta para 2027 é dobrar a quantidade de fatias entregues e ampliar a presença da Pizza Prime em voos nacionais e internacionais. O desafio será aumentar a escala de uma operação que depende da logística e dos padrões de serviço de uma companhia aérea.
Como a Pizza Prime começou a vender pizzas em aviões
A parceria com a Azul começou com uma aposta relativamente pequena: colocar os sabores marguerita e calabresa no cardápio de voos internacionais que partiam do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, com destino a Orlando e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos.
A previsão era servir 36 mil fatias durante os dois meses do projeto-piloto, iniciado em maio de 2025.
A experiência abriu caminho para uma operação maior. Hoje, as pizzas também são oferecidas em voos que saem de Viracopos com destino a Lisboa, Porto e Madri.
Ao todo, a empresa informa ter ultrapassado 324 mil fatias servidas desde o início da parceria. O volume representa nove vezes a quantidade inicialmente prevista para o teste, embora os números se refiram a períodos diferentes.
Para a Pizza Prime, o negócio permite alcançar consumidores que talvez nunca tenham visitado uma de suas lojas.
A rede afirma que a experiência também gerou comentários de passageiros em seus canais de atendimento e unidades físicas, ampliando o contato com a marca para além do momento da viagem.
“Para 2027, nosso objetivo é ampliar a presença da Pizza Prime tanto em voos internacionais quanto nacionais e, com isso, dobrar a quantidade de entregas”, afirma Concon.
A expansão, porém, traz uma dificuldade diferente daquela enfrentada nas pizzarias. Enquanto as lojas preparam pedidos para consumo imediato ou entrega por motoboys, o serviço de bordo exige que o produto se adapte à operação de uma companhia aérea.
De R$ 20 mil emprestados pelo pai a uma rede de R$ 200 milhões
A história da Pizza Prime começou bem longe dos aeroportos.
Em 2001, aos 19 anos, Gabriel Concon recebeu R$ 20 mil emprestados pelo pai para comprar uma pequena pizzaria no bairro da Aclimação, em São Paulo.
Nascido em Osvaldo Cruz, no interior paulista, ele havia se mudado para a capital para estudar administração. Quando um amigo da família comentou que estava vendendo uma pizzaria, decidiu assumir o negócio.
Sem experiência no setor, fazia praticamente tudo: atendia telefone, anotava pedidos, ajudava no forno, organizava entregas e distribuía panfletos pelas ruas.
“Eu tinha 19 anos, não sabia nada”, afirmou o empreendedor em entrevista à EXAME publicada em outubro de 2025.
Aos poucos, o negócio cresceu. Em 2011, Concon já administrava cinco pizzarias independentes, cada uma com um nome diferente.
Foi quando decidiu reunir as operações sob uma única marca e estruturar processos para permitir a expansão.
“Eu tinha que deixar de ser apenas um comerciante, dono de algumas pizzarias de bairro, e começar a entender o negócio como uma empresa”, afirmou na ocasião.
Nascia ali a Pizza Prime. A rede começou a desenvolver seu modelo de franquias em 2015 e se tornou oficialmente franqueadora em 2019. A primeira unidade franqueada foi aberta em 2020.
Em outubro de 2025, a empresa tinha 80 lojas em dez estados e projetava encerrar aquele ano com faturamento de 180 milhões de reais.
Em 2026, a Pizza Prime já soma mais de 100 unidades espalhadas por 11 estados brasileiros e informa faturamento de 200 milhões de reais. O avanço ocorre em meio à expansão da rede de franquias e à busca por novos formatos de operação.
Além das pizzarias tradicionais, a marca trabalha com diferentes modelos, incluindo operações voltadas ao delivery, salões e quiosques, formato criado para locais de grande circulação, como shoppings, aeroportos e outlets.
Por que a Pizza Prime está apostando no mercado de aviação
A entrada nos aviões faz parte de uma estratégia de diversificação dos pontos de contato com o consumidor.
Até então, a Pizza Prime dependia principalmente de suas lojas físicas, entregas por aplicativos e canais próprios de venda.
Com a Azul, a rede passou a atuar também no chamado catering aéreo, serviço de fornecimento de alimentos e bebidas para passageiros durante os voos.
O setor movimentou cerca de 14,28 bilhões de dólares no mundo em 2025 e pode alcançar 19,11 bilhões de dólares até 2034, segundo estimativas de mercado citadas pela empresa.
Para as companhias aéreas, a alimentação pode funcionar como um elemento de diferenciação na experiência de viagem. Para as marcas de alimentos, representa uma oportunidade de apresentar seus produtos a consumidores fora dos pontos tradicionais de venda.
Na avaliação de Concon, a parceria também funciona como um teste para descobrir como os produtos da rede podem chegar a novos ambientes de consumo.
“A parceria entre Azul e Pizza Prime não é apenas uma ação de serviço de bordo, é um laboratório de consumo: de um lado, a companhia aérea testa novas formas de enriquecer a experiência do passageiro, de outro, a Pizza Prime explora como seu produto pode viajar para além das lojas, delivery e marketplaces”, afirma.
O próximo teste será transformar a operação atual em um negócio de maior escala.
Para isso, a empresa terá de conciliar a expansão das franquias em terra com o crescimento do fornecimento para a Azul. A meta de dobrar as entregas em 2027 indica que, para a Pizza Prime, os aviões devem continuar fazendo parte da estratégia de crescimento.
