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InvestMercados
14/08/2026
4 min

O cobre virou o termômetro do próximo tarifaço de Trump; entenda

EUA importaram mais de 200 mil toneladas de cobre em julho, maior volume em 12 anos

O cobre virou o termômetro do próximo tarifaço de Trump; entenda

O diferencial (spread, em inglês) entre os contratos futuros do cobre negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (Comex) e os preços da Bolsa de Metais de Londres (LME) passou a ser usado como um termômetro em tempo real do risco de novas tarifas dos Estados Unidos sobre o metal.

Segundo estimativas do Societe Generale, o prêmio atual embutido nessa diferença de preços implica uma probabilidade de 14,6% de que entre em vigor, em janeiro de 2027, a tarifa de 15% recomendada pelo Departamento de Comércio sobre o cobre refinado.

Para uma alíquota de 30% a partir de janeiro de 2028, a chance sobe para 37%, de acordo com o banco francês. As informações foram divulgadas pela CNBC nesta sexta-feira, 14.

Spread ganha novo significado

Historicamente, a diferença entre os preços da Comex e da LME era explorada por operadores físicos, bancos, fundos de proteção, produtores e consumidores para lucrar com diferenças temporárias entre os dois mercados e se proteger contra oscilações bruscas.

Choques de demanda vindos da China ou interrupções no fornecimento sul-americano costumavam ser os principais gatilhos dessas distorções.

Agora, porém, analistas do Societe Generale afirmam que essa lógica foi alterada pela perspectiva de novas tarifas sob a Seção 232, dispositivo que permite ao governo americano impor restrições comerciais por motivos de segurança nacional.

Uma investigação da Casa Branca sobre o tema ainda está em andamento. Cada vez mais, dizem os especialistas, investidores passaram a usar o prêmio da Comex como indicador das expectativas para futuras tarifas.

Preço do cobre bate recorde

O movimento ocorre em meio à disparada dos preços do cobre, tratado por analistas ouvidos pelo canal americano como um termômetro mais amplo da atividade econômica por seu papel central na construção civil, na eletrônica e no setor de transportes.

Os contratos futuros do metal bateram recorde histórico na semana passada, perto de US$ 6,90 por libra-peso, após mais de um ano de valorização. Hoje, o contrato com vencimento em setembro de 2026 operava a US$ 6,589, recuo de 0,29% no pregão.

Atualmente, os EUA já cobram uma tarifa de 50% sobre importações de produtos semiacabados de cobre e outros itens que usam o metal como insumo.

O Departamento de Comércio recomendou a adoção de uma tarifa universal escalonada, começando em 15% a partir de 1º de janeiro de 2027 e subindo para 30% em 1º de janeiro de 2028.

Dependência dos EUA preocupa

Analistas do Societe Generale apontam também que formuladores de política nos EUA estão cada vez mais preocupados com a dependência do país em relação ao cobre refinado importado.

A preocupação ocorre à medida que a infraestrutura de inteligência artificial (IA), a modernização da rede elétrica e os gastos com defesa aceleram a demanda global pelo metal.

A investigação sob a Seção 232 reflete um objetivo mais amplo de "garantir acesso a um material considerado fundamental tanto para o crescimento econômico quanto para a segurança nacional", explicaram.

Para transformar o spread em uma probabilidade concreta de tarifa, o Societe Generale modelou o custo de transportar cobre com qualidade LME de armazéns europeus até a costa leste americana.

Em seguida, comparou esse preço final entregue com os futuros da Comex. Foi dessa conta que saíram as probabilidades de 14,6% e 37% citadas pelo banco.

Importações americanas sobem

O apetite dos EUA pelo metal já aparece nos números de comércio exterior. Em julho, o país importou mais de 200 mil toneladas métricas de cobre, o maior volume mensal em 12 anos.

A estrategista de commodities do ING, Ewa Manthey, disse que "o diferencial entre a Comex e a LME se tornou cada vez mais um indicador das expectativas de tarifas dos EUA, com um prêmio maior sinalizando uma percepção maior de risco tarifário e continuando a atrair metal para os EUA".

"Continuamos otimistas em relação ao cobre, embora a incerteza tarifária signifique que a volatilidade provavelmente permanecerá elevada", detalhou.

Para a estrategista sênior de demanda de metais da StoneX, Natalie Scott-Gray, a decisão pendente do governo americano sobre a aplicação da Seção 232 ao cobre refinado se tornou o "maior catalisador individual" do mercado de cobre atualmente.

Em comentário recente, ela avaliou que tarifas amplas tenderiam a apertar a oferta fora dos EUA, enquanto a ausência de tarifas desfaria o atual mecanismo de arbitragem entre Comex e LME.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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