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CarreirasACS
21/10/2026
6 min

O conselho do CEO do BTG Pactual para quem quer crescer na carreira — mesmo sem estar 100% pronto

Roberto Sallouti revela os passos que o levaram da posição de estagiário à liderança de um dos maiores bancos de investimentos da América Latina e explica o que pode fazer a diferença no mercado de trabalho

O conselho do CEO do BTG Pactual para quem quer crescer na carreira — mesmo sem estar 100% pronto

No começo de sua vida profissional, Roberto Sallouti nem imaginava que chegaria ao comando de um dos maiores bancos de investimentos da América Latina. No início da carreira, o CEO do BTG Pactual (BPAC11) tinha outros planos: estudar nos Estados Unidos, voltar ao Brasil e abrir o próprio negócio, seguindo os passos da família de empreendedores.

O mercado financeiro entrou em sua vida quase por acaso, por meio de uma indicação. O que parecia apenas uma oportunidade de estágio acabou mudando seus planos — e ensinou uma lição de carreira: nem sempre é preciso estar pronto para dar o próximo passo. 

“Você tem que ter sorte na vida, mas tem que ter competência para aproveitá-la”, dizia seu pai.  

A frase, lembrada por Sallouti durante um painel sobre educação, carreira e protagonismo nesta terça-feira (20), resume parte da filosofia que o levou ao topo do BTG: dedicação, resiliência e disposição para assumir desafios, mesmo diante das incertezas. 

O estágio que mudou os planos do CEO do BTG 

A educação sempre foi uma prioridade na família de Sallouti. Seu pai chegou ao Brasil em 1959, aos 21 anos, sem falar português e com passaporte de refugiado.  

Já o empreendedorismo era uma referência cotidiana: parentes mantinham negócios que iam de postos de gasolina e lojas de artigos esportivos a uma fábrica de tênis. 

O próprio pai tinha uma produtora de cinema, onde Sallouti trabalhava nas férias escolares. Mas o jovem acabava quase sempre no departamento de contas a pagar — o que levou o pai a sugerir outro caminho. 

“Meu pai falava: ‘Filho, você não dá para esse negócio, vai estudar economia’”, contou. 

A mudança de rota o aproximou do então Banco Pactual. A perspectiva de trabalhar em um ambiente empreendedor, receber bônus fartos e, eventualmente, se tornar sócio despertou seu interesse.  

Havia também uma afinidade com a dinâmica do mercado financeiro, que exigia interpretar informações, formular cenários e tomar decisões. Um processo que guardava semelhanças com a rotina de quem empreende, diz o executivo. 

A relação entre risco e retorno na carreira 

A trajetória no banco não foi uma sequência de promoções e conquistas. Segundo Sallouti, parte do que o levou adiante foi aceitar novos desafios mesmo quando ainda não se sentia pronto para eles. 

“Quando a chance aparecia, eu nunca estava pronto, mas ia de cabeça”, afirmou. 

A disposição para assumir riscos calculados é uma das lições que o CEO extraiu da própria experiência. Para explicar essa postura, ele recorreu a um conceito conhecido do mercado financeiro: a assimetria entre risco e retorno. 

A lógica é buscar situações em que o ganho potencial compense o risco assumido.  

Na carreira, isso significa estar disposto a encarar desafios que podem abrir portas e acelerar o crescimento profissional, mesmo quando a sensação é de ainda não estar totalmente preparado. 

Isso não significa que toda aposta dará certo. O próprio Sallouti descreveu sua trajetória como marcada por frustrações, desafios e reviravoltas, apesar da impressão de uma ascensão contínua. 

“Se você pegar a minha carreira, ela parece superlinear, mas foi zero linear: sempre muita frustração, muito desafio, muita oportunidade”, disse. 

A lição, portanto, não é apenas aceitar riscos, mas estar preparado para aprender com eles e aproveitar as chances que fazem sentido. 

O que o BTG procura para contratar bons profissionais 

Quanto ao perfil que busca nos jovens profissionais do BTG, Sallouti ressaltou que o conhecimento técnico, por si só, não basta.  

Disciplina, dedicação e resiliência são fundamentais, mas precisam vir acompanhadas de habilidades como comunicação, pensamento crítico e colaboração — especialmente para quem pretende assumir posições de liderança. 

Nesse ponto, o CEO fez uma distinção entre chefiar e liderar. Mais do que dar ordens, um líder precisa envolver a equipe e fazer com que as pessoas se sintam ouvidas. 

“Um chefe manda; um líder inspira, coloca todo mundo para discutir, faz você se sentir ouvido e parte da decisão”, afirmou.  

Para Sallouti, é essa capacidade de engajar as pessoas, em vez de apenas distribuir tarefas, que diferencia um cargo de chefia de uma liderança efetiva. 

Juros altos, conflitos e IA: o mundo será mais exigente 

Para Sallouti, a trajetória profissional também será influenciada por um mundo em transformação. O CEO do BTG destacou quatro forças que devem moldar o ambiente de negócios nas próximas décadas: as tensões geopolíticas, os juros mais altos, as mudanças climáticas e o avanço da inteligência artificial. 

No cenário internacional, ele chamou a atenção para o avanço do protecionismo, a polarização e os conflitos, que tornam o ambiente mais imprevisível e exigem que empresas e países considerem também os riscos políticos e estratégicos em suas decisões. 

A mudança no custo do dinheiro é outro desafio. Após um longo período de juros próximos de zero em diversas economias, taxas mais elevadas tornam o financiamento mais caro e exigem maior atenção às decisões de investimento.  

Para Sallouti, o Brasil também precisa fazer sua parte para enfrentar esse cenário. “Se não fizermos a lição de casa como país, vamos sofrer as consequências”, afirmou. 

As mudanças climáticas completam a lista. Na avaliação do executivo, alterações nos padrões de temperatura, chuva e seca já afetam o ambiente econômico e precisam entrar no planejamento de longo prazo de empresas, governos e investidores. 

Inteligência artificial é o “novo Excel” 

Entre as transformações que devem redefinir o mercado de trabalho, Sallouti deu destaque à inteligência artificial.  

Para explicar o alcance da tecnologia, traçou um paralelo com a Revolução Industrial: enquanto aquela ampliou a capacidade humana de transformar energia em força física, a IA permite expandir a capacidade de produzir e processar conhecimento. 

Diante dessa mudança, o conselho do CEO aos universitários é começar a aprender a usar ferramentas de IA desde já.  

“A inteligência artificial é o novo Excel”, disse, em referência a uma habilidade que deixou de ser diferencial para se tornar parte da rotina de muitos profissionais. 

Problemas do Brasil também podem abrir oportunidades 

Apesar dos desafios no cenário global, Sallouti avalia que as dificuldades brasileiras também podem criar espaço para quem estiver disposto a encontrar soluções.  

Para ele, o primeiro passo é separar aquilo que está sob o próprio controle das circunstâncias que não podem ser mudadas individualmente — e agir sobre o que é possível transformar. 

“Há coisas que você controla e coisas que você não controla. Se você não controla, precisa saber o que é para saber como lidar”, afirmou. 

Na visão do executivo, o país precisa de profissionais qualificados e com iniciativa para converter conhecimento em soluções concretas.  

Mais do que esperar por condições favoráveis, a proposta é assumir um papel ativo na transformação do ambiente ao redor. 

“O Brasil está cheio de problemas, então o que precisamos é de gente qualificada, capacitada, com o coração no lugar e empreendedora para ajudar o Brasil a se transformar”, disse.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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