O detalhe da reunião do Fed que deixou o mercado em alerta, segundo gestor da GT Capital
A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos Estados Unidos era amplamente esperada pelo mercado. No entanto, para Nicolas Gass, head de alocação de investimentos da GT Capital, o maior destaque da reunião foi a falta de consenso entre os dirigentes da autoridade monetária e o tom da comunicação adotada. Em entrevista […]

A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos Estados Unidos era amplamente esperada pelo mercado. No entanto, para Nicolas Gass, head de alocação de investimentos da GT Capital, o maior destaque da reunião foi a falta de consenso entre os dirigentes da autoridade monetária e o tom da comunicação adotada.
Em entrevista ao Giro do Mercado, nesta quinta-feira (30), o especialista afirmou que embora boa parte dos investidores esperasse uma sinalização mais clara sobre os próximos passos da política monetária, o comunicado acabou aumentando as dúvidas sobre o futuro dos juros norte-americanos.
“A manutenção da taxa de juros era esperada, mas o que surpreendeu foi a divisão entre os dirigentes do Federal Reserve. A falta de diretrizes claras criou incertezas sobre a função de reação do Fed e criou um temor de perda de influência do Banco Central”, explicou.
Veja a análise completa no Giro do Mercado:
Na avaliação de Gass, o cenário ainda aponta para a possibilidade de um novo aumento dos juros, mas fatores externos, como a escalada das tensões geopolíticas, dificultam qualquer previsão mais firme.
“Temos uma alta de juros no radar, mas ainda é um cenário inseguro com as novas movimentações da guerra, o que causa muita volatilidade. É provável que uma alta de juros aconteça para conter a economia americana”, disse.
Inflação segue como principal preocupação
Para o executivo, a inflação dos Estados Unidos continua sendo um dos principais fatores que sustentam uma postura mais cautelosa por parte do Fed.
Ele destaca que a instabilidade no cenário internacional pode manter os preços pressionados nos próximos meses e lembra que a inflação acumulada ainda permanece bem acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.
“Temos uma probabilidade alta da inflação americana ficar mais pressionada no curto e médio prazo. Precisamos entender o impacto real dessa instabilidade sobre a inflação cheia. Além disso, a inflação acumulada segue quase o dobro da meta”, apontou.
Microsoft justifica investimentos em IA e Meta ainda precisa convencer
Além da política monetária, Gass comentou os resultados trimestrais das gigantes de tecnologia Microsoft e Meta, que superaram as expectativas do mercado. Apesar dos números positivos, ele ressalta que os investidores seguem atentos ao elevado volume de investimentos em Inteligência Artificial.
“Os resultados da Microsoft e da Meta vieram acima do esperado, mas existe uma questão importante: o capex bilionário voltado para inteligência artificial. O mercado quer entender como esses investimentos vão se transformar em receita”, explicou.
Na avaliação do especialista, a Microsoft tem conseguido demonstrar um retorno mais claro sobre esses aportes, especialmente por meio do crescimento da divisão de computação em nuvem.
Já no caso da Meta, Gass avalia que o desempenho operacional continua sendo sustentado principalmente pelo negócio de publicidade digital.
Para o head de alocação da GT Capital, o mercado tende a olhar menos para o tamanho dos investimentos e mais para sua capacidade de gerar retorno financeiro.
“O que acaba precificando a ação é a razão por trás dos números. O investimento em IA, por si só, não é atrativo para os investidores. A Microsoft está conseguindo justificar esses investimentos, enquanto a Meta ainda enfrenta dificuldades para superar o temor da IA”, concluiu.
*Com supervisão de Juliana Américo
