O diesel da safra 2026/27 está em falta? 'É especulação', diz governo
Ministro André de Paula afirma que falta de combustível não tem base concreta e diz que eventuais problemas no Rio Grande do Sul podem ser pontuais

BELO HORIZONTE (MG)* — O governo federal descartou, nesta terça-feira, 22, risco de desabastecimento de óleo diesel durante o período de plantio da safra 2026/27, em meio às preocupações do setor com os possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de combustíveis.
Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, não há sinais concretos de falta do combustível no país. Ele afirmou que o governo acompanha a situação e buscou tranquilizar produtores rurais que dependem do diesel para operações como preparo do solo, plantio, colheita e transporte.
“Isso ainda está no campo da especulação. Não há nenhum indicativo de que isso possa acontecer”, afirmou o ministro durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão.
Segundo André de Paula, havia preocupação de que a instabilidade internacional pudesse pressionar os preços do diesel, mas o governo teria atuado para evitar aumentos considerados excessivos.
“Eu quero garantir que não há nenhuma expectativa, neste momento, que se funde em nada concreto em relação a um possível desabastecimento de diesel”, disse.
Diesel no Rio Grande do Sul
O alerta sobre o fornecimento de diesel ganhou força após a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolar, na segunda-feira, 14, um ofício junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relatando preocupação com restrições e atrasos na entrega do combustível a produtores rurais gaúchos.
Segundo a entidade, a situação já havia ocorrido entre março e abril deste ano, durante a colheita de arroz e soja.
Na ocasião, a Farsul afirmou que, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques suficientes no estado, produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios enfrentaram limitações de fornecimento.
A entidade informou ainda que houve registros de operações agrícolas interrompidas e de preços do diesel chegando a até R$ 9 por litro. Segundo a Farsul, as dificuldades atingiram cerca de 170 municípios e afetaram serviços públicos essenciais.
Estudos da assessoria econômica da federação apontam que uma alta de 21,1% no preço do diesel S10 — de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro — poderia elevar em R$ 612,2 milhões os custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do Rio Grande do Sul.
Em um cenário mais crítico, com o combustível chegando a R$ 9 por litro, a entidade estima que as perdas potenciais poderiam alcançar R$ 1,47 bilhão.
O diesel é um dos principais insumos utilizados pelo agronegócio brasileiro, especialmente em máquinas agrícolas e no transporte de grãos e outros produtos. Com o início da safra 2026/27, produtores acompanham os efeitos da instabilidade internacional sobre os custos de produção.
Apesar das preocupações do setor, o governo federal afirma que não há indicação de um problema nacional de abastecimento.
Questionado sobre os relatos no Rio Grande do Sul, André de Paula afirmou que conversou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que teria informado não haver risco de desabastecimento.
“Se isso aconteceu, é possível que tenha sido uma questão local, que obviamente será olhada com muito carinho”, afirmou.
Segundo o ministro, a avaliação sobre o abastecimento de combustíveis é conduzida principalmente pelo Ministério de Minas e Energia e pela ANP.
* O repórter viajou a convite da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)
