O efeito da prorrogação do imposto sobre as petroleiras, segundo analistas

A decisão do governo de prorrogar por mais 60 dias o imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto tende a pressionar as petroleiras listadas na B3, segundo analistas do mercado financeiro.
O consenso entre é que a medida reduz o preço realizado pelos produtores que exportam petróleo, diminuindo a exposição ao Brent e afetando principalmente empresas com maior parcela da produção destinada ao mercado externo.
O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu manter a alíquota de 12% por até 60 dias, com reavaliação após 30 dias. A medida sucede o vencimento da MP 1.340/2026, que havia criado originalmente o tributo.
Para o BTG Pactual, a empresa mais afetada é a Prio, que exporta 100% da produção de petróleo.
A Petrobras (PETR3;PETR4) também está exposta, já que cerca de 30% da produção é destinada ao mercado externo, enquanto a Brava Energia (BRAV3) sente os efeitos sobre os volumes exportados dos campos de Atlanta e Parque das Conchas, segundo os analistas do banco.
Já a PetroReconcavo (RECV3), dizem, deve sofrer impacto limitado por comercializar toda a produção no mercado doméstico.
O banco afirma que já esperava a manutenção do imposto, embora com uma alíquota menor, e avalia dois cenários: um em que a cobrança permanece apenas pelos 60 dias anunciados e outro em que é estendida até o fim do ano, juntamente com os subsídios aos combustíveis.
Diminuição da rentabilidade
A XP Investimentos afirmou que o imposto reduz o preço realizado do petróleo, limita os ganhos decorrentes de um Brent mais elevado e diminui a rentabilidade das exportações.
Considerando a vigência da medida pelos próximos 60 dias e um Brent a US$ 80 por barril, a XP estima que a Brava Energia será a companhia mais impactada em termos relativos, com efeito de cerca de US$ 18 milhões, equivalente a aproximadamente 1,1% do valor de mercado.
Em seguida aparecem a Prio, com impacto estimado em US$ 74 milhões (0,8% do valor de mercado), a PetroReconcavo, com US$ 4 milhões (0,7%), e a Petrobras, com cerca de US$ 400 milhões (0,4%).
Na avaliação do Citi, a extensão do imposto surpreendeu negativamente, já que a expectativa era de que a cobrança fosse encerrada nesta semana.
O banco classifica o impacto sobre sua cobertura na seguinte ordem: Prio, Brava Energia e Petrobras, refletindo a participação das exportações nas vendas totais de cada companhia. A PetroReconcavo, por não exportar regularmente petróleo, praticamente não é afetada.
O Citi pondera que a manutenção do imposto pode indicar que o governo também levará mais tempo para retirar os subsídios aos combustíveis. Nesse cenário, a Petrobras pode compensar parte do efeito negativo do imposto, uma vez que participa dos programas de subvenção e já recebeu R$ 4,7 bilhões relacionados a esses incentivos.
Apesar da avaliação negativa dos analistas, as ações do setor mostravam comportamento misto na manhã desta sexta-feira. A Petrobras (PETR4) subia 0,97%, a Brava Energia (BRAV3) avançava 0,90% e a PetroReconcavo (RECV3) ganhava 1,80%, enquanto a Prio (PRIO3) operava perto da estabilidade, após renovar a mínima do dia com queda de 0,81%.
