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Sacre Investimentos
EmpresasACS
10/07/2026
3 min

O efeito dominó da Oncoclínicas (ONCO3): Citi aponta quem pode ganhar e perder no setor de saúde

O efeito dominó da Oncoclínicas (ONCO3): Citi aponta quem pode ganhar e perder no setor de saúde

A crise que a Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta pode gerar efeitos que vão além da própria companhia. Na leitura do Citi, a atual situação de estresse pode criar oportunidades de ganho de participação de mercado em oncologia para prestadores de serviços de maior porte, mas também acende alerta de pressão sobre os índices de sinistralidade.

O nome que pode se beneficiar, na visão dos analistas do banco, é a Rede D’or (RDOR3), com potencial para se beneficiar do volume de pacientes que pode migrar para outras redes.

O Citi pontua que a companhia já vem apresentando uma aceleração relevante no crescimento da receita de oncologia desde o terceiro trimestre de 2025

“Por outro lado, a posição da Oncoclínicas como um dos provedores de oncologia de menor custo do setor também pode criar pressões sobre a MLR (Medical Loss Ratio, índice de sinistralidade) das grandes operadoras de planos de saúde, caso haja migração de pacientes para redes com custos mais elevados”, ponderam os analistas.

Em uma análise de sensibilidade simplificada, assumindo que Bradsaúde (SAUD3) e Porto Seguro (PSSA3) tenham, cada uma, aproximadamente R$ 500 milhões em despesas com oncologia atualmente relacionadas à Oncoclínicas, cada aumento de 10% nas despesas médicas relacionadas aos atendimentos atualmente realizados pela companhia poderia resultar em uma deterioração de aproximadamente 10 pontos-base (bps) e 60 bps no índice de sinistralidade, respectivamente.

Isso representaria um impacto de cerca de 1% no lucro consolidado de cada companhia, além de reduzir a diversificação da rede de prestadores das operadoras”, estima o Citi.

Na Oncoclínicas, uma recuperação extrajudicial no radar

Nesta semana, a Oncoclínicas que mantém tratativas para a estruturação de um eventual plano de recuperação extrajudicial. Em comunicado divulgado ao mercado, a companhia afirmou, no entanto, que ainda não há uma data definida para o protocolo do pedido.

O esclarecimento foi feito após solicitação da B3, operadora da bolsa de valores brasileira, que questionou a empresa sobre notícias publicadas na imprensa que apontavam que a Oncoclínicas estaria avançada nas negociações e poderia buscar um acordo já nos próximos dias.

Pelas reportagens, o suposto documento preparado pela companhia já contaria com a aprovação de um terço dos credores e a expectativa seria chegar a um entendimento com 50% deles em até 30 dias.

A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão malsucedida. Em meio à investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

AutorLorena Matos
FonteMoney Times
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