O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
Analistas elevam recomendação de Brasil após o primeiro turno e veem uma relação de risco e retorno mais atraente

Há pouco mais de um mês, o JP Morgan havia pisado no freio com as ações brasileiras. Agora, depois de um primeiro turno das eleições mais favorável a Flávio Bolsonaro, o banco norte-americano voltou a acelerar a tese de bolsa brasileira — e colocou o Brasil entre os mercados com melhor relação entre risco e retorno na América Latina.
Nesta segunda-feira (5), o JP Morgan elevou a recomendação para as ações brasileiras de neutra para overweight, equivalente à compra.
Na avaliação dos estrategistas, o resultado das urnas no último domingo (4) reduziu parte da incerteza política e abriu espaço para uma visão mais construtiva sobre os ativos locais.
“Esse potencial de alta é melhor do que o que qualquer outro mercado da América Latina pode oferecer”, escreveram os analistas do JP Morgan, em relatório.
A mudança acontece em um dia de forte reação dos ativos brasileiros. O Ibovespa chegou a subir mais de 8% e romper a barreira dos 207 mil pontos, enquanto Petrobras (PETR4) avançava cerca de 10% e BTG Pactual (BPAC11) disparava em torno de 28%. O dólar, por sua vez, caía quase 5%, para perto de R$ 4,96.
O movimento nos mercados veio após um primeiro turno apertado, que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio teve um desempenho acima das expectativas de parte do mercado, com pouco mais de 47% dos votos válidos, enquanto a direita também ampliou sua presença no Senado, passando a ocupar um terço das cadeiras.
O resultado passou a alimentar entre os investidores a expectativa de uma possível mudança na condução da política econômica a partir de 2027, sobretudo na frente fiscal.
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O JP Morgan estima que as ações brasileiras ainda tenham potencial de valorização de 12% a 20%. A perspectiva de cortes adicionais da Selic, caso acompanhados por um real mais forte, poderia dar mais combustível ao movimento.
A leitura representa uma mudança relevante em relação a agosto, quando o banco norte-americano havia retirado o Brasil da lista de recomendações de compra em meio às incertezas eleitorais e fiscais.
Agora, com o primeiro turno no retrovisor, a avaliação é de que a balança entre risco e retorno ficou mais favorável.
Isso não significa, porém, que as incertezas tenham desaparecido. O resultado final da eleição ainda está em aberto e a reação dos ativos dependerá também das expectativas para a política econômica do próximo governo.
Enquanto melhora a visão sobre o Brasil, o JP Morgan fez o movimento contrário no Chile e rebaixou a recomendação para neutra. Entre os motivos estão a queda dos preços do lítio, o petróleo mais caro e um ambiente doméstico mais fraco.
*Com informações do Money Times.
