Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Exame INACS
13/10/2026
3 min

O efeito limitado — e o peso estratégico — da venda da siderúrgica alemã da CSN

Acordo preliminar com o grupo espanhol Megasa, de € 550 milhões, pode render cerca de R$ 3,1 bilhões à companhia. A dívida líquida, porém, chegou a R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre

O efeito limitado — e o peso estratégico — da venda da siderúrgica alemã da CSN
RESUMO +

A siderúrgica CSN pode receber R$ 3,1 bilhões com a venda da alemã Stahlwerk Thüringen ao grupo espanhol Megasa, mas a operação reduziria a alavancagem em só 0,25 vez ante dívida líquida de R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A venda da fabricante CSN Cimentos, com ofertas de R$ 11 bilhões, é central ao corte da dívida.

O efeito limitado da venda da siderúrgica alemã Stahlwerk Thüringen (SWT) sobre a dívida da CSN mantém a pressão pelo próximo grande negócio: a venda da CSN Cimentos, como revelado pelo EXAME Insight. O acordo preliminar vinculante com o grupo espanhol Megasa, de € 550 milhões, pode render cerca de R$ 3,1 bilhões à companhia. A dívida líquida, porém, chegou a R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre.

Isso significa dizer que a operação reduziria a alavancagem em cerca de 0,25 vez. É um alívio, mas insuficiente para resolver as restrições financeiras do grupo. Por isso, a atenção se volta ao negócio de cimento, apontado pelo mercado como o próximo grande catalisador. A venda deve avançar nas próximas semanas.

O preço tem sido um dos principais pontos de divergência entre vendedor e compradores. Controlador da CSN, Benjamin Steinbruch inicialmente pretendia levantar cerca de R$ 15 bilhões com a operação. Diante da resistência dos interessados, passou a sinalizar um valor próximo de R$ 13 bilhões. As primeiras ofertas giram em torno de R$ 11 bilhões.

Onde há valor

Se o impacto no endividamento é limitado, o mesmo não se pode dizer do efeito na confiança da CSN. A venda da SWT também funciona como um sinal de que o programa de desinvestimentos começa a sair do papel. Com o desempenho operacional pressionado pelo cenário de minério de ferro e frete, a CSN depende do avanço dessas negociações para acelerar a redução do endividamento.

A pressão aparece na mineração, onde vender mais não significou faturar mais. No segundo trimestre de 2026, a CSN comercializou 11,8 milhões de toneladas, alta de 23% sobre os três meses anteriores. Mesmo assim, a receita líquida ajustada do segmento caiu 8,8%, para R$ 2,9 bilhões. Segundo a companhia, o aumento do frete marítimo e a valorização do real comprometeram o resultado, apesar de o preço internacional do minério ter se mantido em patamar elevado. A receita líquida por tonelada recuou 21,5%, para US$ 49,09.

O efeito sobre a rentabilidade foi direto: o Ebitda ajustado da mineração passou de R$ 1,37 bilhão no primeiro trimestre para R$ 930 milhões no segundo, enquanto a margem caiu de 43,1% para 32%. A companhia atribuiu a pressão sobre os fretes ao conflito entre Estados Unidos e Irã. No consolidado, porém, outros negócios compensaram a piora da mineração, e o Ebitda ajustado da CSN cresceu 4,8%, para R$ 2,77 bilhões. 

É nesse contexto que o dinheiro da operação alemã é importante, mas ainda não garantido. As partes terão até dez semanas de exclusividade para negociar os documentos definitivos, e a conclusão dependerá das condições usuais e dos ajustes previstos no acordo.

AutorPedro Gil
FonteExame
Distribuído por