O empresário carioca não precisa mais ir a São Paulo para fazer negócios?
Inspirado na cultura de conexões empresariais da capital paulista, o RioX Hub estreia com 60 convidados e aposta em acesso por indicação, curadoria e tecnologia para aproximar quem decide no Rio.

Enquanto São Paulo consolidou um ecossistema de clubes de negócios, fóruns empresariais e encontros privados entre executivos e investidores, o Rio de Janeiro busca fortalecer suas próprias redes de relacionamento corporativo. É nesse cenário que surge o RioX Hub, iniciativa que aposta em um modelo de conexões por indicação, sem mensalidade, e em uma plataforma digital para aproximar empresários, identificar oportunidades e estimular novos negócios na cidade.
O projeto estreou na quinta-feira (5), com um jantar fechado para 60 convidados, entre empresários, executivos e personalidades. O encontro teve apoio do BTG Pactual Empresas (do mesmo grupo de controle da EXAME), segmento do banco voltado a clientes pessoa jurídica, e contou com a participação de Diego Ribas, ex-capitão do Flamengo e embaixador do BTG Pactual Empresas, e Tiago Berriel, ex-diretor do Banco Central e head de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual.
A iniciativa parte de uma diferença observada entre os dois principais centros econômicos do país. Desde 2021, São Paulo registrou mais de 1 milhão de novas empresas e recebeu outras 101 mil que transferiram suas sedes para a capital paulista, segundo dados da prefeitura. Esse movimento acompanha a concentração de espaços de relacionamento entre empresários, executivos e investidores.
No Rio, o cenário combina disponibilidade de capital, novos investimentos e desafios para manter empresas e centros de decisão. Segundo a Firjan, o estado tem 526,3 bilhões de reais em investimentos previstos entre 2026 e 2028. A capital concentra 2,2 trilhões de reais em recursos sob gestão, equivalentes a 34% do total nacional, além de um ecossistema de aproximadamente 600 startups, com faturamento de 5,3 bilhões de reais em 2025.
Apesar desse potencial, a região enfrenta um processo de perda de densidade industrial. De acordo com o IBRE/FGV, a indústria de transformação da cidade do Rio e de sua região metropolitana operava, em 2024, abaixo do nível registrado em 1985.
Para Vicente Donnici, fundador do RioX Hub, o desafio não está apenas na atração de novos investimentos, mas na capacidade de aproximar empresários e transformar relações em oportunidades concretas.
“Não falta talento, capital nem oportunidade no Rio. Falta conectar quem já está aqui”, afirma Donnici, advogado, sócio do Donnici Advogados, escritório fundado em 1947, e empresário com atuação em projetos de tecnologia.
Com rotina dividida entre Rio e São Paulo, ele afirma que a experiência no ambiente empresarial paulista ajudou a identificar a oportunidade.
“Em São Paulo, empresários se encontram o tempo inteiro em ambientes estruturados para isso. No Rio, temos profissionais e empresas relevantes, mas muitas vezes desconectados. A proposta é criar uma rede que facilite essas aproximações e gere resultados para os participantes e para a cidade”, diz.
Um clube de negócios em que a entrada não pode ser comprada
Diferentemente dos clubes empresariais baseados na venda de títulos ou na cobrança de mensalidades, o RioX Hub pretende crescer por meio de indicações e seleção de participantes.
Para integrar a rede, o interessado deverá morar no Rio de Janeiro ou manter empresa, filial ou operação relevante no estado. Também precisará ser indicado por dois integrantes e passar por uma avaliação que considera trajetória profissional, reputação e potencial de contribuição para o grupo.
Não haverá inscrição pública, e o acesso não dependerá do pagamento de mensalidade.
O modelo busca reunir empresários e executivos de diferentes setores, com foco na complementaridade de experiências e na possibilidade de geração de negócios.
Tecnologia para transformar networking em negócios
Além dos encontros presenciais, o RioX Hub desenvolve uma plataforma própria para organizar as conexões entre os participantes.
Batizada de RioX Connect, a ferramenta está em fase de testes e permitirá que cada integrante tenha um perfil com informações profissionais, oportunidades que pode oferecer e demandas que procura atender.
O sistema pretende identificar possibilidades de aproximação entre membros, mas o compartilhamento dos contatos dependerá da autorização de ambas as partes.
Após 30 dias, a plataforma fará um acompanhamento para verificar se a conexão avançou para uma negociação, parceria ou projeto.
“A ideia não é medir quantas pessoas trocaram cartões ou participaram de um jantar. Queremos entender se as conexões geraram projetos, parcerias ou negócios. O valor está no que acontece depois do primeiro encontro”, afirma Donnici.
Negócios com impacto na economia do Rio
O RioX Hub também pretende vincular o relacionamento empresarial a iniciativas de desenvolvimento econômico e social da cidade.
Entre as propostas em estudo está a criação de um mecanismo pelo qual participantes que realizarem negócios entre si poderão destinar voluntariamente uma parcela do valor das operações a projetos voltados ao Rio de Janeiro.
O formato ainda depende da definição de uma estrutura jurídica e de regras de governança, que deverão ser estabelecidas antes do início de qualquer contribuição.
A proposta faz parte dos três pilares da iniciativa — pessoas, conexões e impacto — e busca ampliar os efeitos da rede para além dos negócios individuais.
Depois do primeiro jantar, o RioX Hub prevê uma agenda de encontros temáticos, conversas com lideranças empresariais e novas edições de eventos fechados. O planejamento inclui ainda o RioX Summit, encontro de maior porte voltado à discussão da agenda econômica e das oportunidades de desenvolvimento da capital fluminense.
