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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
30/09/2026
9 min

O ex-vendedor de souvenir que é dono de 11 parques, cuida do zoológico de SP e fatura R$ 400 milhões

Grupo Oceanic prepara maior investimento de sua história com um parque indoor de R$ 120 milhões em Balneário Camboriú

O ex-vendedor de souvenir que é dono de 11 parques, cuida do zoológico de SP e fatura R$ 400 milhões

RESUMO | O grupo de atrações turísticas Oceanic pretende inaugurar, no fim de 2026, um parque coberto de oito andares em Balneário Camboriú, com investimento de cerca de R$ 120 milhões. Fundada por Kiko Buerger, a empresa opera dez atrações, constrói a 11ª e projeta fechar o ano com 4,5 milhões de visitantes e receita de R$ 400 milhões.


A data não poderia ter sido pior para o empresário Kiko Buerger abrir seu aquário em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.

Era 12 de março de 2020. Quatro dias depois, ele teve de fechar as portas por causa da pandemia.

Ainda assim, Buerger conseguiu atravessar os meses de portas fechadas sem abandonar os planos de expansão. Enquanto boa parte do turismo segurava investimentos, ele começou a negociar novas áreas, desenhar outros atrativos e preparar os projetos que fariam o negócio crescer nos anos seguintes.

Seis anos depois, o cenário é outro. O Oceanic, grupo fundado por Buerger opera 10 atrações turísticas, constrói a 11ª e administra o complexo que reúne o Zoológico de São Paulo, o Jardim Botânico e o Simba Safari. A expectativa é encerrar 2026 com cerca de 4,5 milhões de visitantes e 400 milhões de reais em receita.

“Durante a pandemia, boa parte do setor estava retraindo. A gente já começou a negociar as áreas e fazer os projetos dos outros museus e do próprio parque Aventura Jurássica”, diz Buerger.

Agora, ele prepara sua maior aposta individual em Balneário Camboriú: um parque de oito andares, com investimento de cerca de 120 milhões de reais, que será construído ao lado do aquário que quase não conseguiu inaugurar seis anos atrás.

Da lojinha de souvenirs ao Zoológico de São Paulo

Buerger começou cedo no turismo. Seu avô atuava nos setores de transporte e concessionárias e ajudou a criar, nos anos 1990, um museu de carros antigos em Gramado, no Rio Grande do Sul.

Kiko cresceu frequentando o negócio e gostava de trabalhar na loja do museu. Aos 16 anos, foi emancipado para tocar sua própria loja de souvenirs.

Depois, passou a montar pequenos negócios dentro de atrações que já recebiam turistas. Abriu pontos de fotografia e lojas em locais como Aparecida, no interior de São Paulo, o Aquário de Natal e o Zoológico de Pomerode, em Santa Catarina.

Os primeiros projetos exigiam investimentos de cerca de 30.000 reais.

A mudança de escala aconteceu anos depois, quando Buerger se mudou para Balneário Camboriú. A cidade já recebia milhões de turistas, mas, na visão do empresário, ainda tinha poucas atrações para além da praia.

Em 2018, ele fundou a Oceanic. O primeiro grande projeto foi justamente o aquário inaugurado no fim de 2019 e oficialmente apresentado ao público em março de 2020.

Vieram depois outras atrações em Santa Catarina, entre elas museus e o Aventura Jurássica.

A maior virada, porém, aconteceu em São Paulo.

No fim de 2020, o governo paulista avançou com a concessão do complexo que reúne o Zoológico de São Paulo, o Jardim Botânico e o então Zoo Safari, hoje Simba Safari. O leilão foi realizado em 2021, e o grupo de Buerger venceu a disputa por uma concessão de 30 anos.

Segundo o empresário, mais de 360 milhões de reais foram destinados ao complexo nos últimos quatro anos. Desse total, 160 milhões de reais correspondem à outorga paga pela concessão e mais de 210 milhões de reais foram investidos em obras e melhorias.

A operação também cresceu em tamanho. Buerger afirma que o grupo deve terminar 2026 com cerca de 1.300 funcionários diretos.

No Zoológico de São Paulo, a estrutura inclui hospital veterinário com funcionamento 24 horas, equipe de nutrição e cerca de duas toneladas e meia de alimentos consumidos diariamente pelos animais.

Qual é o plano para crescer

A expansão de Buerger segue uma lógica que ele repete ao avaliar novos projetos: evitar, ao menos por enquanto, a tarefa de criar um destino turístico do zero.

“A gente foca em estar onde já está o turista ou o consumidor e se tornar mais uma boa opção”, afirma.

Foi essa leitura que levou o grupo a concentrar investimentos em Balneário Camboriú. Em vez de precisar convencer o turista a viajar para uma nova cidade, a empresa tenta disputar algumas horas — ou mais um dia — de quem já escolheu passar as férias ali.

Segundo Buerger, as atrações do grupo receberam cerca de 2,2 milhões de visitantes em Balneário Camboriú.

A cidade tem outra vantagem. Grande parte do público chega de carro. De acordo com o empresário, cerca de dois terços dos visitantes ainda utilizam as estradas para chegar ao destino.

Na visão dele, o aumento do custo das passagens aéreas deve favorecer viagens regionais nos próximos anos. “Eu acho que o turismo está regionalizando de novo”, diz.

São Paulo entra na estratégia por outro caminho. A capital já tem aeroportos, hotéis, restaurantes e um enorme mercado consumidor, mas ainda concentra parte do movimento turístico nos dias úteis, puxado pelas viagens de negócios.

Finais de semana, feriados e férias criam uma oportunidade para as atrações de lazer.

O complexo que reúne Zoológico, Jardim Botânico e Simba Safari deve receber mais de 2 milhões de visitantes em 2026, segundo Buerger.

Mesmo assim, o empresário diz não ter pressa para espalhar parques pelo país. Ele afirma receber propostas de prefeituras e governos interessados em atrair novas operações, algumas delas com oferta de terrenos ou apoio a financiamentos.

O obstáculo está na complexidade do negócio.

Parques demandam capital alto, centenas de funcionários e treinamento de mão de obra. Em um cenário de juros elevados, cada novo projeto exige mais cautela.

“Com a Selic do jeito que está, é um momento mais desafiador para crescer”, diz.

Por isso, a prioridade é aprofundar a presença onde o grupo já opera. Além de Balneário Camboriú e São Paulo, Buerger cita Gramado entre os mercados onde ainda vê espaço para novos projetos.

O parque de 120 milhões de reais

A maior aposta no curto prazo está novamente em Balneário Camboriú.

A Oceanic está construindo um parque de oito andares ao lado do aquário. O investimento previsto é de cerca de 120 milhões de reais, o maior já feito pelo grupo em um único projeto na cidade.

Quatro pavimentos serão ocupados pelas atrações. Os outros quatro serão destinados ao estacionamento.

A verticalização foi uma resposta ao preço dos terrenos na região.

O parque será coberto e climatizado, terá o fundo do mar como tema e ficará na Barra Sul, a cerca de 50 metros da praia.

Entre as atrações previstas estão montanha-russa, torre, barco pirata, carrossel e playground. Haverá ainda um andar voltado ao público adolescente, com arcade, espaço de jogos eletrônicos, e experiências virtuais.

O projeto também permitirá ampliar o aquário atual e terá restaurantes, cafeteria e área para festas infantis.

Há uma lógica por trás de construir um parque fechado praticamente em frente ao mar.

Balneário Camboriú depende da praia, mas chuva, frio e vento podem desmontar o roteiro de um turista de uma hora para outra. A ideia de Buerger é transformar essa frustração em público para o parque. “Frustrou a praia, vem para a gente”, diz.

A empresa também pretende estender o funcionamento das atrações até mais tarde. Hoje, boa parte da operação está concentrada durante o dia. Com o novo parque, Buerger quer capturar também as famílias que passaram o dia na praia e procuram o que fazer à noite.

A previsão apresentada pelo empresário é inaugurar a operação no fim de 2026, a tempo da temporada de verão.

O projeto deve criar cerca de 200 empregos em Balneário Camboriú. Em São Paulo, o grupo também planeja abrir cerca de 80 vagas até o fim do ano.

E os investimentos na capital paulista devem continuar. Buerger afirma que há obras simultâneas no complexo e planos para novas áreas de gastronomia, eventos e atrações nos próximos anos.

É uma escala bem diferente daquela primeira loja de souvenirs aberta ainda na adolescência. Mas a lógica, para ele, mudou menos do que parece: encontrar um lugar onde as pessoas já querem estar e criar mais um motivo para que fiquem por ali.


Como será o novo parque da Oceanic em Balneário Camboriú?

O novo parque da Oceanic terá oito andares e será construído ao lado do aquário, na Barra Sul, a cerca de 50 metros da praia. Quatro pavimentos receberão as atrações e os outros quatro serão destinados ao estacionamento.

Quais atrações estarão disponíveis no novo parque?

O parque terá montanha-russa, torre, barco pirata, carrossel, playground, jogos eletrônicos e experiências virtuais. O projeto coberto e climatizado também incluirá restaurantes, cafeteria, área para festas infantis e uma ampliação do aquário atual.

Quando o novo parque de Balneário Camboriú será inaugurado?

A Oceanic pretende inaugurar o parque no fim de 2026, a tempo da temporada de verão, segundo Kiko Buerger. O projeto deve criar cerca de 200 empregos em Balneário Camboriú.

Quanto a Oceanic pretende faturar em 2026?

A Oceanic espera encerrar 2026 com receita de R$ 400 milhões e cerca de 4,5 milhões de visitantes. Segundo Kiko Buerger, aproximadamente 2,2 milhões de pessoas visitaram as atrações do grupo em Balneário Camboriú.

Quais atrações turísticas são administradas pela Oceanic?

A Oceanic opera dez atrações e constrói a 11ª. O grupo administra o complexo formado pelo Zoológico de São Paulo, Jardim Botânico e Simba Safari, além de aquário, museus e o parque Aventura Jurássica em Santa Catarina.

Qual é a estratégia de expansão da Oceanic?

A Oceanic prioriza cidades que já possuem fluxo turístico e pretende aprofundar sua presença em Balneário Camboriú, São Paulo e Gramado. Segundo Kiko Buerger, a estratégia evita criar destinos do zero e busca oferecer novas opções a turistas que já escolheram essas cidades.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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