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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
19/06/2026
3 min

O gargalo de R$ 72 bilhões que ameaça o crescimento do agro brasileiro, segundo o USDA

O gargalo de R$ 72 bilhões que ameaça o crescimento do agro brasileiro, segundo o USDA

A falta de infraestrutura no agronegócio brasileiro gera um impacto econômico de cerca de US$ 14 bilhões em 2025 (R$ 72 bilhões na cotação atual). Os cálculos são do adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília e foi divulgado nesta quinta-feira, 18.

A tese do estudo é de que os gargalos em armazenagem, transporte e escoamento podem limitar a expansão da produção agrícola do país até 2034. A avaliação do USDA é de que o crescimento do agro brasileiro na próxima década dependerá menos da abertura de novas áreas e mais da capacidade do país de ampliar sua infraestrutura.

O problema, segundo o USDA, é que a infraestrutura do Brasil não acompanhou expansão dde novas fronteiras agrícolas do país, como a região Norte e o Matopiba. A capacidade de armazenagem de grãos no Brasil cobre apenas entre 60% e 70% da produção nacional. Nos Estados Unidos, essa relação chega a cerca de 150% da produção anual.

Um estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio mostra que são necessários R$ 140 bilhões em investimentos para eliminar essa diferença. Nos cálculos do USDA o déficit brasileiro de armazenagem alcança 134 milhões de toneladas, segundo dados de 2024.

Os custos logísticos já representam cerca de 30% dos custos de produção agrícola no Brasil. Mais de 60% da malha rodoviária apresenta algum tipo de deficiência operacional.

Logística no agro

No transporte, o USDA afirma que uma frota de 130 mil caminhões seria suficiente para movimentar a safra brasileira durante boa parte do ano. Nos períodos de pico, porém, a falta de armazenagem e os congestionamentos em portos, ferrovias e hidrovias elevam essa necessidade para mais de 200 mil veículos.

A dependência das rodovias segue como um dos principais gargalos. Mais de 95% dos armazéns brasileiros usam prioritariamente caminhões para receber e expedir cargas, enquanto menos de 20% da capacidade de armazenagem está dentro das propriedades rurais.

O relatório também aponta entraves para tirar projetos do papel. Entre 2013 e 2019, 70 autorizações para novos terminais foram concedidas, mas 21 não entraram em operação no prazo legal de cinco anos. Questões ambientais responderam por 27% dos obstáculos, seguidas por dificuldades financeiras e jurídicas.

Para o USDA, ferrovias e hidrovias são essenciais para reduzir custos. O transporte ferroviário de longa distância pode cortar o frete entre 15% e 25%, enquanto as hidrovias amazônicas ganharam participação no escoamento agrícola, de 8% para 13% entre 2010 e 2023. Ainda assim, seca, restrições de calado e gargalos estruturais seguem pressionando a logística.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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