O 'glow up' das Angels: ação da Victoria's Secret sobe 230% após retomada de desfiles
Com vendas em alta e margens melhores, companhia ganha confiança de Wall Street após Fashion Show

A Victoria's Secret voltou a chamar a atenção de Wall Street depois de recuperar uma de suas maiores vitrines de marketing. Desde a retomada do seu tradicional desfile, em outubro de 2024, as ações da companhia americana de lingerie acumulam valorização superior a 230% em Nova York.
O avanço acompanha uma recuperação dos resultados financeiros, marcada pelo crescimento das vendas, melhora da rentabilidade e revisões positivas das projeções para 2026.
O desfile mais recente, realizado no domingo, 18, em Los Angeles, deu novo impulso aos papéis da Victoria's Secret. Na segunda-feira, 19, primeiro pregão após o evento, as ações (VSXY) subiram 3,02%, de US$ 87,34 para US$ 89,98.O movimento começou, entretanto, a perder força na terça-feira, 20, quando os papéis recuaram 2,19%, para US$ 88,01. No pré-mercado desta quarta-feira, 21, os ativos já registravam recuperação de 1,06%, cotados a US$ 88,94, conforme a atualização das 8h16 (horário de Brasília).
Alex Consani ( Frazer Harrison / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
A recuperação ganhou força nos últimos dois anos, período em que a companhia voltou a investir em seus tradicionais desfiles e apresentou avanços nos resultados financeiros.
Naquele mês, as ações eram negociadas na faixa de US$ 26, enquanto, no fechamento de 20 de outubro de 2026, estavam cotadas a US$ 88,01, uma valorização de cerca de 233%.Desde outubro de 2024, quando retomou o Fashion Show após seis anos de ausência, os papéis da varejista mais que triplicaram de valor.
Wall Street vê potencial de crescimento após novo desfile
A reação dos analistas ao Fashion Show de 2026 foi positiva. Barclays e Morgan Stanley destacaram a capacidade da Victoria's Secret de transformar a visibilidade do desfile em oportunidades comerciais, especialmente com a maior integração entre as peças apresentadas na passarela e os produtos disponíveis para compra.
O Barclays elevou seu preço-alvo para as ações de US$ 106 para US$ 112, enquanto o Morgan Stanley aumentou sua projeção de US$ 101 para US$ 104. As duas instituições mantiveram recomendações equivalentes à "compra" para os papéis (VSXY).
Tate McRae ( Dimitrios Kambouris / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Um dos principais argumentos dos analistas é a mudança na estratégia de comercialização do evento. De acordo com o Barron's, a quantidade de produtos apresentados no desfile e disponibilizados para compra foi cerca de 17 vezes maior do que em edições anteriores.
Os preços desses itens também ficaram aproximadamente 10% acima dos níveis habituais, o que pode favorecer o faturamento e as margens. E, enquanto a campanha de 2025 foi desenvolvida em um período inferior a três meses, a edição de 2026 contou com sete meses de planejamento.
A antecipação permitiu ampliar a exposição da marca e conectar o espetáculo ao calendário de vendas de fim de ano.
Vendas crescem e Victoria's Secret eleva projeções para 2026
O otimismo do mercado encontra respaldo nos resultados operacionais da companhia. No primeiro trimestre, a Victoria's Secret registrou crescimento de 15% nas vendas líquidas, que alcançaram US$ 1,56 bilhão.
O desempenho levou a empresa a elevar sua previsão de receita anual para uma faixa entre US$ 7,03 bilhões e US$ 7,13 bilhões; e a melhora continuou no segundo trimestre, com as vendas líquidas crescendo 10% na comparação anual, chegando a US$ 1,611 bilhão.
O lucro operacional ajustado mais que dobrou, passando de US$ 55 milhões para US$ 124 milhões, com parte desse avanço associada à maior participação de vendas realizadas a preço cheio e à redução das promoções, o que melhorou a rentabilidade sem depender do aumento do volume comercializado.
Anok Yai (Anna Webber / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Diante dos números, a Victoria's Secret revisou novamente suas expectativas para 2026. A projeção de vendas passou para um intervalo entre US$ 7,10 bilhões e US$ 7,18 bilhões, alta de 8% a 10% em relação ao ano anterior. A estimativa de lucro operacional ajustado ficou entre US$ 560 milhões e US$ 590 milhões.
Em 2019, Victoria's Secret enfrentou crise e cancelou desfiles
A trajetória recente representa uma mudança importante para uma marca que chegou a abandonar seu evento mais conhecido. Em 2019, a Victoria's Secret cancelou o Fashion Show depois de enfrentar queda nas vendas, críticas à falta de diversidade e perda de audiência na televisão americana.
A crise também refletia mudanças no comportamento das consumidoras. Marcas concorrentes, como Aerie e Savage X Fenty, ganhavam espaço com propostas de conforto, diversidade e preços mais acessíveis, enquanto a Victoria's Secret enfrentava questionamentos sobre seus padrões de beleza.
Em 2021, a companhia se separou da L Brands e passou a operar de maneira independente. Três anos depois, anunciou o retorno do Fashion Show, buscando recuperar elementos tradicionais da marca sem abandonar a tentativa de ampliar sua conexão com diferentes públicos.
Desfile de 2026 apostou em celebridades e integração com vendas
A edição de 2026 mostrou como a Victoria's Secret pretende combinar o apelo histórico das passarelas com uma estratégia comercial mais ampla. O evento reuniu nomes como Adriana Lima e Barbara Palvin, além de apresentações musicais e coleções organizadas em torno das estações do ano.
Em entrevista à Reuters, Adam Selman, diretor-criativo da companhia, explicou que a apresentação foi dividida entre primavera, verão, outono e duas interpretações do inverno, com um segmento dedicado à PINK, marca voltada ao público mais jovem.
Adriana Lima (Dimitrios Kambouris/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images via AFP)
O desfile também marcou o retorno do Fantasy Bra, peça que não aparecia na passarela desde 2018. Nesta edição, Kylie Jenner apresentou um modelo avaliado em US$ 50 milhões, desenvolvido em parceria com a joalheria Jacob & Co. e composto por milhares de diamantes.
O episódio ampliou a exposição do evento na imprensa internacional e nas redes sociais em vez de depender apenas da audiência televisiva. Essa mudança ajuda a explicar o interesse dos analistas, com o Barron's vendo que o evento passou teve potencial de estimular compras e favorecer a rentabilidade.
Recuperação ainda precisa se sustentar
Apesar do avanço expressivo das ações desde 2024, a valorização também aumenta as expectativas sobre os próximos resultados. Os papéis da Victoria's Secret chegaram ao desfile de 2026 depois de uma recuperação, o que torna o mercado mais sensível.
A reação nos dois primeiros pregões após o evento ilustra esse cenário. A alta de 3,02% na segunda-feira foi seguida por uma queda de 2,19% na terça-feira, indicando que o entusiasmo inicial não se traduziu, até o momento, em uma valorização contínua.
Ainda não há dados financeiros divulgados pela companhia que permitam medir diretamente quanto o desfile de outubro acrescentou às vendas. Por enquanto, a avaliação positiva de Wall Street se apoia na recuperação operacional já observada.
*Com agências internacionais
