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Sacre Investimentos
Exame INACS
30/09/2026
4 min

O impacto imediato de Fabio Schvartsman na venda da CSN Cimentos

Novo CEO assumiu as negociações e é elogiado por postura mais pragmática; Huaxin e Votorantim estão na reta final de uma operação que pode ser concluída até o fim deste ano

O impacto imediato de Fabio Schvartsman na venda da CSN Cimentos
RESUMO +

A chegada de Fabio Schvartsman à presidência executiva da CSN mudou a condução das negociações para a venda da CSN Cimentos, segundo agentes de mercado ouvidos pelo EXAME Insight. O executivo assumiu as conversas com potenciais compradores em uma fase decisiva, com Huaxin e o consórcio formado por Votorantim Cimentos e Cementir na disputa pelo ativo. A operação é considerada estratégica para reduzir a dívida da companhia, que encerrou o segundo trimestre com R$ 42,1 bilhões em dívida líquida.

A chegada de Fabio Schvartsman ao comando da CSN começa a produzir efeitos sobre uma das principais operações em andamento no grupo de Benjamin Steinbruch: a venda da CSN Cimentos. O executivo assumiu a condução das negociações e, segundo agentes do mercado ouvidos pelo EXAME Insight, tem adotado uma postura mais pragmática e direta nas conversas com os potenciais compradores.

O movimento ocorre em um momento decisivo para a transação. A chinesa Huaxin e o consórcio formado pela brasileira Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir estão na reta final das negociações, e a expectativa entre interlocutores é de que o negócio seja fechado até o fim deste ano.

A mudança na condução do processo é vista como relevante pelo mercado. Até então, as conversas eram marcadas pela atuação de Steinbruch, controlador da CSN, descrito por interlocutores como um negociador de posições voláteis, que vinha alterando os termos da operação ao longo das tratativas.

Com Schvartsman à frente das discussões, a percepção é de maior objetividade. O executivo tem recebido avaliações positivas pela forma como passou a lidar com os interessados, em contraste com a dinâmica anterior. Isso não significa, porém, que os principais obstáculos da transação estejam superados.

Schvartsman assumiu a presidência executiva da CSN em 3 de setembro, depois de mais de duas décadas de Steinbruch no posto. O controlador passou a presidir o conselho de administração, mantendo sua influência sobre as decisões estratégicas do grupo.

O impasse do preço

A venda da CSN Cimentos é uma das peças centrais do plano de redução do endividamento da siderúrgica. Ao fim do segundo trimestre, a CSN acumulava dívida líquida de R$ 42,1 bilhões, com alavancagem de 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

O preço tem sido um dos principais pontos de divergência entre vendedor e compradores. Como mostrou o EXAME Insight em agosto, Steinbruch inicialmente pretendia levantar cerca de R$ 15 bilhões com a operação. Diante da resistência dos interessados, passou a sinalizar um valor próximo de R$ 13 bilhões. Na ocasião, as ofertas giravam em torno de R$ 10 bilhões a R$ 11 bilhões.

Em 10 de agosto, a CSN confirmou, por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que havia recebido propostas vinculantes para a venda integral de sua subsidiária de cimentos, em linha com o cronograma estabelecido para o processo competitivo. A companhia informou que as ofertas estavam sob análise, mas não revelou os nomes dos interessados nem os valores apresentados.

Um mês depois, em 9 de setembro, a Cementir confirmou publicamente que sua subsidiária Aalborg Portland Holding havia apresentado uma proposta vinculante em conjunto com a Votorantim Cimentos. A oferta, no entanto, expirou sem ter sido aceita pela CSN. Em comunicado, a companhia italiana esclareceu que, naquela data, não havia acordo vinculante ou qualquer compromisso firmado para a aquisição do ativo.

A CSN não retornou ao contato do EXAME Insight. O espaço segue aberto.

AutorPedro Gil
FonteExame
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