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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
06/09/2026
6 min

O império de R$ 600 milhões no interior de SP que domina o mercado brasileiro de amendoim

Grupo emprega mais de 1.200 pessoas, mantém quatro fábricas em São Paulo e operações nos Estados Unidos e na Argentina

O império de R$ 600 milhões no interior de SP que domina o mercado brasileiro de amendoim

Praticamente todo o amendoim colhido no Brasil passa, em algum momento, por uma máquina da mesma fabricante.

Segundo a Indústrias Colombo, 99% da produção nacional da cultura é colhida com equipamentos desenvolvidos pela companhia.

É um domínio construído longe dos grandes polos industriais do país, a partir do interior de São Paulo.

Com sede em Pindorama, na região de São José do Rio Preto, a Indústrias Colombo chegou aos 53 anos com faturamento de 601 milhões de reais em 2025, alta de 13% sobre o ano anterior.

O grupo emprega mais de 1.200 pessoas, mantém quatro fábricas em São Paulo e operações nos Estados Unidos e na Argentina. Seus produtos chegam a mais de 60 países.

Agora, a empresa familiar administrada pela terceira geração prepara seu próximo salto.

A meta é mais que dobrar de tamanho até 2031. Para chegar lá, a Colombo pretende avançar em culturas agrícolas que ainda têm espaço para mecanização, aumentar a venda de componentes para outras fabricantes e ampliar sua presença internacional.

Para 2026, a companhia projeta crescimento de 5%, ritmo mais moderado que o registrado no ano passado.

“Hoje, 99% do amendoim no Brasil é colhido com máquinas nossas. Nós também somos líderes no recolhimento de café. Então, somos uma empresa de referência nesses nichos”, diz Leonildo Colombo Neto, COO da Indústrias Colombo e integrante da terceira geração da família no negócio.

O caminho até 2031 passa menos por disputar mercados gigantes, como o de máquinas para soja, e mais por repetir uma fórmula que acompanha a Colombo desde sua fundação: encontrar culturas agrícolas com problemas específicos de mecanização e desenvolver equipamentos para elas.

A pimenta-do-reino entrou recentemente nessa lista. Outros nichos já estão sendo estudados para os próximos lançamentos.

Qual é a história da Indústria Colombo

A história da Colombo começou justamente com uma dificuldade encontrada na lavoura.

Há 53 anos, os fundadores da empresa eram produtores rurais no interior paulista.

Na época, parte relevante do trabalho com o amendoim ainda era feita manualmente. Eles desenvolveram uma máquina para mecanizar uma etapa da colheita.

O equipamento começou a chamar a atenção dos produtores vizinhos. A solução criada para uso próprio virou negócio e deu origem à Miac, marca de máquinas e implementos agrícolas do grupo.

Conforme a produção aumentou, outro negócio surgiu dentro da própria fábrica. As máquinas utilizavam cardans e caixas de transmissão, peças responsáveis por levar a força gerada pelo trator para diferentes partes do equipamento.

A Colombo consumia esses componentes e identificou que outras fabricantes também precisavam deles. Passou, então, a produzir transmissões agrícolas, hoje vendidas pela marca Aemco.

Essa divisão representa cerca de 30% do faturamento do grupo. As máquinas agrícolas respondem pelos outros 70%.

O peso da Colombo nesse segundo mercado também é relevante. Segundo Neto, cerca de 70% dos implementos agrícolas fabricados no Brasil utilizam alguma transmissão produzida pela companhia.

Qual é a estratégia de crescimento da Colombo

A Colombo construiu sua operação de máquinas olhando para culturas menores em área plantada e que exigem equipamentos específicos.

Além do amendoim, a fabricante atua em café, feijão e outras culturas. Em 2026, uma das apostas é uma máquina voltada à colheita da pimenta-do-reino.

A lógica é procurar etapas que ainda dependem de mão de obra ou em que os equipamentos disponíveis não resolvem completamente o problema do produtor.

“Parte do nosso plano estratégico é seguir lançando novos produtos para as culturas em que já estamos inseridos. Outra alavanca é buscar outros nichos que ainda têm dor no processo de colheita e não estão sendo bem atendidos”, diz Neto.

Como é a área de pesquisa

Para sustentar essa estratégia, a companhia mantém uma área de pesquisa e desenvolvimento com mais de 60 pessoas dedicadas ao desenvolvimento de novos produtos. A engenharia também acompanha produtores no campo para entender problemas e ajustar os equipamentos.

Essa proximidade é especialmente importante porque o tamanho dos mercados em que a Colombo atua impõe um limite natural.

O amendoim, por exemplo, ocupa uma área muito menor que culturas como soja e milho.

Para uma fabricante especializada nesses nichos, crescer depende também do crescimento da própria cadeia.

Por isso, a Colombo mantém parcerias com universidades no Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, além de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de novas variedades e intercâmbios entre produtores de diferentes países.

Oportunidade de exportação

Se nas máquinas a estratégia está em encontrar novas culturas, no negócio de transmissões a oportunidade é outra.

A Colombo quer aumentar as exportações e ampliar o número de componentes vendidos às fabricantes de máquinas agrícolas.

Um dos mercados na mira é a Argentina. A empresa já opera no país há décadas, mas vê espaço para crescer no fornecimento de transmissões para a indústria local.

Hoje, segundo Neto, fabricantes argentinos ainda importam parte desses componentes diretamente da China. A Colombo tenta se posicionar como um fornecedor geograficamente mais próximo.

A companhia também começou a entrar em categorias de peças que até recentemente dependiam de importação no Brasil.

Um exemplo são os redutores planetários, um tipo de caixa de transmissão utilizado, entre outras aplicações, em equipamentos que misturam ração animal.

E o desafio da sucessão

A expansão ocorre enquanto a família Colombo tenta atravessar outro desafio comum às empresas familiares: a sucessão.

Leonildo Colombo Neto está há 11 anos no grupo. Começou pela área financeira e assumiu a diretoria de operações há três anos. Seu pai, Luiz Colombo, ocupa a presidência da companhia. Os demais diretores não pertencem à família.

A empresa também montou conselho, acordo de acionistas e um protocolo familiar que estabelece os limites entre propriedade e gestão.

“É uma empresa de propriedade familiar. Tem toda uma estrutura de governança. O protocolo da família determina até onde vai o direito de quem está na gestão e até onde vai o direito de quem é da família”, diz Neto.

A estrutura será testada por um plano que pretende levar uma companhia de 601 milhões de reais em faturamento a mais que o dobro de seu tamanho atual nos próximos cinco anos.

A Colombo espera manter, nesse processo, aproximadamente a divisão atual entre seus negócios: 70% da receita em máquinas e 30% em transmissões.

Até 2031, a aposta é que novos equipamentos, mais exportações e novas peças consigam fazer o que a primeira máquina de amendoim fez há mais de cinco décadas: transformar um problema específico da lavoura em uma nova fonte de receita.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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