O investimento de R$ 677 milhões da Motiva para levar metrô sem maquinista ao Taboão

A Motiva formalizou um investimento de R$ 676,8 milhões para levar a tecnologia de sinalização da Siemens Mobility até a extensão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo. O aporte está previsto no em aditivo da concessão, assinado em junho passado, e garante à nova extensão até Taboão da Serra o mesmo padrão de automação que já opera na linha desde 2010. No total, os investimentos de ampliação do ramal foram estimados em cerca de R$ 3,4 bilhões.
Sinalização não é só um detalhe técnico por trás da operação. É ela que torna possível um trem andar sozinho. O sistema precisa saber, o tempo todo, onde cada composição está, a que velocidade pode ir e qual distância precisa manter da que vem à frente. Sem essa informação constante, não existe automação segura.
A Linha 4-Amarela usa o CBTC (Communications-Based Train Control), tecnologia que mantém comunicação contínua entre trem e via. Sensores e rádio informam a posição exata de cada trem em tempo real, e o sistema ajusta automaticamente velocidade e frenagem. É esse monitoramento ininterrupto que permite operar com intervalos de apenas 90 segundos entre trens sem risco de colisão.
O nível de automação alcançado é medido em graus, de GoA0, com condução totalmente manual, a GoA4, o mais alto, quando o trem opera sem ninguém na cabine. É esse patamar máximo que a Linha 4-Amarela já usa desde a inauguração, em 2010, e que será replicado na extensão até Taboão da Serra. Na prática, quanto mais precisa a sinalização, maior o grau de automação que ela permite sustentar com segurança.
O que muda para quem anda de metrô
Para o passageiro, a promessa é de trens mais frequentes, menos tempo de espera na plataforma e maior pontualidade. É a mesma lógica que já garante à Linha 4-Amarela atual índices de disponibilidade próximos de 100%, hoje uma das mais pontuais do país.
Uma linha que sai dos limites da capital
A obra vai estender a linha em 3,3 quilômetros de túneis em via dupla, ligando a atual Estação Vila Sônia-Profª Elisabeth Tenreiro a duas novas paradas: Chácara do Jockey e Taboão da Serra. Esta última marca um momento inédito para o metrô paulista: será a primeira estação fora dos limites do município de São Paulo, atendendo diretamente um dos municípios mais densos do país.
Com a extensão pronta, o trajeto entre Taboão da Serra e a Estação da Luz deve cair para cerca de 26 minutos. A expectativa é beneficiar mais de 280 mil moradores da região e atender cerca de 110 mil passageiros por dia. O projeto elevará a extensão total da linha para 16,1 km.
A expansão já havia motivado uma prorrogação do contrato de concessão da ViaQuatro, subsidiária da Motiva, para reequilibrar financeiramente a operação diante do novo escopo de obras.
Um projeto com peças vindas de três países
A Siemens Mobility vai fornecer o pacote completo de sinalização: o sistema CBTC Trainguard MT, intertravamento eletrônico, telecomunicações e supervisão operacional.
A produção é dividida entre fábricas na Alemanha, que fornece o intertravamento, na França, de onde vem o CBTC, e na Itália, responsável por parte das soluções de telecomunicações. 00A integração final de todo o sistema será feita no Brasil.
Os seis novos trens que vão reforçar a frota já sairão de fábrica equipados com a tecnologia CBTC, para entrar em operação já integrados à rede existente.
Prazo de cinco anos
Segundo a Motiva, a implantação da sinalização deve levar cerca de 59 meses, o equivalente a cinco anos. Para Bruno Magalhães, gerente de Engenharia da Extensão da Linha 4-Amarela, a iniciativa é um passo para ampliar a mobilidade com "tecnologia de ponta, segurança e eficiência operacional".
Do lado da fornecedora, o discurso é de continuidade. "Este projeto reforça a escalabilidade das soluções da Siemens Mobility e nossa capacidade de ajudar cidades em todo o mundo a transformar o transporte urbano com inovações sustentáveis e eficientes", afirma Marc Ludwig, CEO de Rail Infrastructure da Siemens Mobility.
Já Liubov Schachtner, CEO da Siemens Mobility Brasil e América Latina, lembra que a parceria já dura mais de uma década na Linha 4-Amarela e que a extensão amplia essa base para fora da capital paulista, "fortalecendo uma rede preparada para a complexidade de São Paulo".
