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Sacre Investimentos
NegóciosMPOLBDR
23/10/2026
3 min

O jeito de comprar pela internet está mudando. E a IA está por trás disso

Tráfego gerado por inteligência artificial cresce 203% em um ano; tecnologia também avança nas vendas e na gestão de pequenos negócios

O jeito de comprar pela internet está mudando. E a IA está por trás disso

O próximo cliente de uma loja virtual pode não chegar pelo Google, pelas redes sociais ou por um anúncio. Ele pode descobrir o produto em uma conversa com a inteligência artificial.

Esse caminho ainda é pouco utilizado, mas cresce rapidamente: as visitas a sites de varejo originadas por IA aumentaram 203% entre junho de 2025 e maio de 2026.

O dado é de um relatório do BTG Pactual, baseado em informações da Similarweb. Apesar do salto, a tecnologia ainda respondia por apenas 0,4% das visitas. Nos marketplaces, porém, já eram 46,8 milhões de acessos mensais, em média, crescimento de 237% no período comparável.

A novidade aponta para uma possível mudança no comércio eletrônico: em vez de procurar produtos diretamente nas lojas, o consumidor começa a recorrer a assistentes digitais para decidir o que comprar.

IA entra na decisão de compra

Uma pesquisa da Worldpanel by Numerator, divulgada em setembro, mostra como esse comportamento começa a aparecer no Brasil. Entre os consumidores entrevistados que recorrem à IA para apoiar compras, 20,9% procuram informações sobre produtos e 17,8% querem descobrir quais são as melhores marcas.

Outros 17,2% usam a tecnologia para entender os critérios de escolha, enquanto 14,7% buscam preço ou custo-benefício. Os percentuais não representam a população brasileira como um todo.

A mudança interessa especialmente aos marketplaces. Se a IA passa a recomendar quais produtos merecem atenção, parte da disputa pelo consumidor pode acontecer antes de ele acessar uma loja.

É nesse cenário que ganha força o chamado comércio agêntico, no qual sistemas de inteligência artificial podem pesquisar, comparar ofertas e até executar etapas de uma compra. Por enquanto, o crescimento do tráfego indica uma tendência, não uma substituição dos canais tradicionais.

Do outro lado da compra, a inteligência artificial já ajuda a montar vitrines e administrar operações. Segundo o Relatório de Impacto do Mercado Livre, metade das pequenas e médias empresas (PMEs) que vendem na plataforma utilizou ferramentas de IA pela primeira vez em 2025.

O uso mais comum foi melhorar imagens de produtos, citado por 90%. A produção de vídeos apareceu em 30% e o apoio ao atendimento, às avaliações e às devoluções, em 20%.

A adoção também chega às finanças. O MAGO, assistente de IA do Mercado Pago, alcançou mais de 5 milhões de empreendedores brasileiros em 2026, segundo a empresa. A ferramenta permite analisar vendas, organizar pagamentos e realizar Pix e transferências por conversa, mediante confirmação do usuário.

Um levantamento da edrone com 993 lojas online reforça a presença da tecnologia nas operações: 89,4% utilizavam ao menos uma funcionalidade de IA. Entre as que adotaram um gerador de e-mails com inteligência artificial, a receita média era 9,9% maior. A comparação não comprova, porém, que a tecnologia tenha causado o resultado.

Os números mostram duas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Enquanto consumidores começam a usar IA para escolher o que comprar, vendedores recorrem à tecnologia para apresentar produtos e administrar negócios.

A disputa no e-commerce passa a envolver não apenas quem oferece o melhor preço, mas também quem consegue aparecer nas recomendações feitas por máquinas.

AutorGuilherme Santiago
FonteExame
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