Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
21/08/2026
4 min

O mercado cansou do Labubu? A conta chegou para a fabricante do boneco

Resultado abaixo das expectativas reacende dúvidas sobre a força do fenômeno e o futuro da fabricante

O mercado cansou do Labubu? A conta chegou para a fabricante do boneco

As ações da Pop Mart, fabricante dos bonecos Labubu, caíram mais de 4% em Hong Kong nesta sexta-feira, 21, após uma desaceleração da operação fora da China no primeiro semestre. A companhia admitiu, na divulgação dos resultados, que dificilmente conseguirá cumprir a meta de crescimento de 20% da receita em 2026.

O recuo dos papéis veio depois de uma sequência de forte valorização que levou a fabricante chinesa a superar US$ 56 bilhões em valor de mercado em determinado momento. As ações, que dobraram em 2025 e mais do que quadruplicaram em 2024, acumulam queda de quase 20% neste ano.

A receita da Pop Mart avançou 23,8% no primeiro semestre, para 17,17 bilhões de yuans ou US$ 2,55 bilhões, mas ficou abaixo dos 37% esperados por analistas consultados pela Visible Alpha, segundo o Wall Street Journal. O lucro líquido cresceu 10%, para 5,04 bilhões de yuans, também abaixo do consenso.

China sustenta crescimento enquanto exterior recua

O desempenho foi bastante desigual entre os mercados. Na China, a receita aumentou 47,3% no primeiro semestre. Já na Ásia-Pacífico, excluindo a China, houve queda de 9,7%, enquanto as vendas nas Américas recuaram 16,5%.

No conjunto das operações internacionais, as vendas caíram 11% em relação a igual período do ano anterior. A fraqueza pesa, especialmente, sobre a rentabilidade porque as vendas no exterior costumam apresentar margens maiores do que as obtidas no mercado doméstico.

De acordo com o CEO Wang Ning, a empresa enfrentou uma demanda mais fraca do que o esperado e dificuldades relacionadas aos conflitos geopolíticas. O Citi também apontou problemas em gestão de estoques, cadeia de suprimentos, armazenagem, logística e operação das lojas, conforme a CNBC.

Labubu perde espaço, mas continua líder

A coleção "The Monsters", que inclui os personagens de dentes pontudos, continuou como a maior fonte de receita da companhia, mas sua participação caiu para cerca de um quarto das vendas no semestre, ante um terço um ano antes aproximadamente.

Analistas também observam sinais de enfraquecimento na procura pelas versões mais recentes do personagem. A nova geração de Labubus com cabelos longos e que podem ser estilizados teve uma recepção mais fraca do que as anteriores, enquanto a repercussão nas redes sociais perdeu força.

O movimento reacende uma dúvida que acompanha a Pop Mart desde o início da explosão dos bonecos, que é se a companhia construiu uma plataforma duradoura de personagens ou se o crescimento foi impulsionado principalmente por um fenômeno passageiro.

Empresa tenta criar próximo fenômeno

Para reduzir a dependência do Labubu, a Pop Mart aposta em novos personagens. Um dos principais é "Twinkle Twinkle", figura em formato de estrela que ganhou força entre consumidores asiáticos, na visão da companhia.

O personagem foi a propriedade intelectual que mais cresceu no primeiro semestre, com vendas mais de cinco vezes maiores do que um ano antes. Twinkle Twinkle respondeu por cerca de 15% da receita do grupo no período.

A companhia também anunciou um programa de recompra de ações de 2 bilhões a 5 bilhões de yuans. Wang vê que a medida representa uma demonstração de confiança nas perspectivas do negócio, mesmo diante da redução das ambições de crescimento para este ano.

Meta de crescimento de 20% fica ameaçada

Após o resultado, o Citi passou a projetar queda de 8% na receita da Pop Mart em 2026 e reduziu seu preço-alvo para HK$ 198. O banco avaliou que a pressão nos mercados internacionais e a maior competição tornam difícil alcançar a meta inicial de crescimento de 20%.

Para a administração, porém, a prioridade agora é construir um negócio mais saudável e sustentável no longo prazo, mesmo que isso signifique abrir mão de parte do ritmo de expansão registrado nos últimos anos, conforme fontes ouvidas por agências internacionais.

*Com informações do WSJ e da CNBC

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
Distribuído por