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Sacre Investimentos
Mundo
08/08/2026
3 min

O mercado de abacate de US$ 3 bilhões que virou problema de segurança no México

Violência no estado de Michoacán, no oeste do México, ameaça produção e exportação da fruta, um produto importante na relação bilateral com os EUA

O mercado de abacate de US$ 3 bilhões que virou problema de segurança no México

O governo do México enviou mais de 1.500 soldados ao estado de Michoacán após a suspensão das exportações de abacate para os Estados Unidos por motivos de segurança.

A decisão foi anunciada após a embaixada americana interromper suas atividades na região, citando uma “ameaça aos interesses americanos”, o que suscitou preocupações quanto à influência do crime organizado no principal polo produtor da fruta no México, importante para a relação bilateral com os EUA.

Além disso, a interrupção afeta o trabalho dos inspetores responsáveis por inspecionar e certificar a qualidade das exportações destinadas ao mercado americano.

O México é o maior produtor mundial de abacate e exportou mais de 1 milhão de toneladas para os Estados Unidos em 2025.

As vendas renderam mais de US$ 3 bilhões, dos quais aproximadamente dois terços da produção exportada provêm de Michoacán. A dependência do mercado americano torna a estabilidade da região essencial para a economia local e nacional.

Em resposta, o Ministério da Defesa do México anunciou o envio de 1.557 militares do Exército e da Guarda Nacional.

As forças serão distribuídas em diferentes municípios para reforçar a segurança nas áreas de cultivo, empacotamento e transporte. O objetivo é conter a extorsão aos produtores e garantir a continuidade da cadeia produtiva.

Esta é a terceira vez desde 2022 que os Estados Unidos retiram seus inspetores da região devido à violência ligada ao crime organizado.

As suspensões anteriores duraram cerca de uma semana e provocaram alta nos preços no atacado. Como a oferta alternativa é limitada, o mercado americano sente rapidamente os efeitos de qualquer interrupção em Michoacán.

Repercussões

A presidente do México, Claudia Sheinbaum. (AFP/AFP)

O episódio representa um desafio político para a presidente Claudia Sheinbaum, que assumiu o cargo prometendo uma postura mais firme contra os cartéis.

O governo tem destacado a queda das taxas nacionais de homicídio como um sinal de melhora na segurança pública. A nova crise, porém, mostra que a violência continua a afetar setores econômicos estratégicos.

Após se reunir com produtores de abacate, Sheinbaum afirmou que está elaborando um plano para ampliar a presença das forças de segurança nas zonas de produção e de empacotamento. Segundo ela, algumas áreas ainda tinham cobertura insuficiente da Guarda Nacional. A presidente disse que pretende fortalecer, de forma permanente, a proteção da atividade econômica.

Sheinbaum também informou que solicitou uma reunião com o governo dos Estados Unidos para discutir o retorno dos inspetores americanos. Caso isso não seja possível no curto prazo, o México estuda a substituição temporária desses agentes por inspetores do próprio governo mexicano. A presidente declarou esperar que as operações sejam retomadas rapidamente.

A Associação Mexicana do Abacate Hass afirmou, em carta enviada aos seus associados, que não prevê impacto significativo no abastecimento do mercado durante esta pausa operacional. Mesmo assim, analistas acompanham o risco de pressão sobre os preços caso a suspensão se prolongue. Califórnia, Peru e o estado mexicano de Jalisco têm capacidade limitada para compensar uma interrupção prolongada.

O setor do abacate em Michoacán está profundamente inserido em territórios disputados por organizações criminosas.

Relatos de extorsão, tomada de terras, sequestros e assassinatos de trabalhadores e empresários são frequentes na região. Embora os homicídios tenham caído desde o pico registrado em 2021, crimes como extorsão e roubo de veículos continuam muito acima da média nacional.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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